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    Alerta


    Depressão pós-parto na quarentena exige cuidados redobrados

    Estimativas são de que os casos de melancolia pós-gestação aumentem durante a quarentena

    De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão pós-parto atinge de 12% a 20% das mulheres | Foto: Pixabay

    Manaus - A chegada de um novo membro na família é, na maioria das vezes, um momento de felicidade, porém, para algumas mães podem ocasionar a depressão pós-parto, que substitui essa alegria por tristeza e melancolia profundas e interfere até mesmo nos cuidados com o bebê.

    De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão pós-parto atinge de 12% a 20% das mulheres. No Brasil, segundo estudo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fiocruz, o transtorno acomete mais de 25% das mães.

    Segundo o Dr. Thiago Gester, ginecologista e obstetra, a depressão pós-parto trata-se de um grave problema que costuma se manifestar nas primeiras semanas após o nascimento do bebê.

    “Para muitos, depressão é ‘frescura’ ou ‘drama’ ou ‘quer chamar a atenção’, porém, só se é dada a devida atenção quando a pessoa comete o suicídio. Agora pense quando se tem em jogo um bebê que acabou de nascer, as coisas ficam bem piores né?”, enfatiza Gester.

    Diagnóstico rápido

    “O fator mais decisivo para uma boa evolução da depressão pós-parto é o diagnóstico rápido e o tratamento adequado, o qual consiste em medicamentos, psicoterapia e grupos de apoio”, revela Gester.

    Apoio familiar é fundamental

    “Sempre que suspeitar de depressão pós-parto, a família deve procurar auxílio profissional, psicológico ou psiquiátrico para uma avaliação”, orienta.

    Relatos

    A auxiliar administrativo Renata Fernandes, conta que sofreu com depressão pós-parto. Aos 25 anos, engravidou pela primeira vez. Uma gestação desejada e tranquila. O parto também correu bem. No entanto, no dia seguinte ela se sentiu estranha.

     “A sensação ruim seguia semana a semana. Eu tive dificuldades para amamentar e foi complicado, no início, para os familiares entenderem. Até conseguir amamentar, dois meses se passaram e eu só me achava cada vez mais sobrecarregada. Não conseguia dormir. A irritação era grande e o choro, constante. Nem a evolução da minha filha me alegrava mais. E eu me questiona por que estava acontecendo isso comigo?”, compartilha.

    Renata explica que no início chegou a comentar com o pai da criança e a ex-sogra, mas ambos não entenderam. “Passei meses fingindo que aquilo não era comigo. E não falei com mais ninguém a respeito”.

    Quando a criança completou um ano, Renata resolveu buscar ajuda com psicólogo. “Eu ouvi da profissional a confirmação de sua suspeita: estava vivendo uma depressão pós-parto”.

    Bebê é abandonado pela mãe em telhado

    Um caso recente que deixou os amazonenses perplexos foi de uma bebê recém-nascida, do sexo feminino, que foi encontrada em cima de um telhado no bairro Alvorada. A bebê foi abandonada pela própria mãe, Adriana da Lima, de 23 anos.

    De acordo Wagner Amâncio, advogado de Adriana, ela estava com depressão pós-parto e estava num estado puerperal.

    A bebê infelizmente não resistiu e veio a falecer. 

    Como lidar com depressão pós-parto na quarentena

    Como lidar com depressão pós-parto na quarentena
    Como lidar com depressão pós-parto na quarentena | Foto: Pixabay

    A vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Anna Carolina Lo Bianco, em entrevista ao Correio Braziliense, disse que o pós-parto é um momento em que a mãe se sente muito exigida por causa da dedicação integral ao bebê e da expectativa do amor materno, o que facilita muito os quadros de depressão pós-parto e baby blues.

     "Esses quadros estão quase sempre ligados a um ideal inatingível, à exigência de atender a um ideal que é difícil de alcançar. A pessoa se sente sempre em falta em relação àquele ideal e se acovarda, se sente impotente e cai na depressão. Esse quadro é proporcional à expectativa e à exigência de desempenho".

    Segundo ela, quem não está conseguindo vivenciar o nascimento do filho como gostaria, com a presença dos familiares e de pessoas que ajudem, fica em um estado de isolamento maior do que sentiria normalmente e mais frágil, o que traz mais vulnerabilidade com relação à sua própria expectativa.

     "Por isso, a busca do contato com as pessoas e a possibilidade de falar o que está sentindo são muito importantes, por menos que se sinta à vontade para falar. A única coisa que podemos esperar é que essa mãe tenha coragem para pedir ajuda a alguém e, de alguma forma, se encontrar com o que está deixando-a desanimada, porque essa é a única maneira de perceber quais os recursos que se tem para sair disso".

    Baby blues ou disforia puerperal

    Baby blues ou disforia puerperal é uma labilidade emocional, que ocorre por fatores hormonais em que o organismo da mulher está se reorganizando para voltar ao seu estado normal.

    A mãe chega em casa com o bebê e começa a pressão social, palpites, história horríveis, bebê que não dorme, dificuldade para amamentar, o que pode gerar uma carga emocional muito grande.

    Como principais sintomas temos: 

    - Tristeza;

    - Choro fácil;

    -  Ansiedade;

    - Mudança de humor;

    - Irritabilidade;

    -  Pouco concentração;

    - Problemas para dormir.

    Quanto tempo dura

    Geralmente tem início três  dias após a chegada da mãe com o bebê em casa podendo durar de duas a três semanas. Passando dos 45 dias pode indicar um transtorno ou alguma alteração emocional significativa como a depressão pós-parto.

    Depressão pós-parto 

    A depressão pós-parto é um transtorno de humor que pode afetar as mulheres após o parto. Não tem uma causa única, resulta-se de uma combinação de fatores físicos e emocionais.

    É importante lembrar que uma mãe com depressão não significa que ela não ama o bebê ou vai rejeitá-lo, muitas vezes ela quer cuidar e não tem energia.

    A depressão pós-parto pode aparecer até os dois anos após o parto, porém, é preciso analisar todo o contexto histórico dessa família.

    Fatores de risco

    - Histórico de depressão, durante a gestação ou em outros momentos da vida;

    - Perdas gestacionais;

    - Gravidez indesejada;

    - Gravidez na adolescência;

    -  Ansiedade gestacional;

    - Possuir diagnóstico de transtorno bipolar; 

    - Membros da família com depressão; 

    - Problemas financeiros.

    Os sintomas da depressão pós-parto

    Os sintomas geralmente são confundidos com o baby blues, porém são mais intensos e duradouros podendo começar até seis meses após o parto.

    É preciso levar em consideração que cada indivíduo é único e pode apresentar sintomas diferentes, porém entre os principais temos:

    - Mudanças de humor severas;

    -  Humor deprimido;

    -  Ansiedade; 

    -  Choro excessivo; 

    - Angústia;

    - Falta de energia e motivação;

    - Medos que antes não se tinha;

    -  Alterações do apetite;

    - Insônia ou hipersônia;

    - Dificuldade em tomar decisões ou pensar com clareza;

    - Perda do interesse e prazer nas atividades que a mãe costuma realizar;

    - Diminuição ou perca da libido.

    Tratamento

    O tratamento depende do grau do problema e pode incluir ou não o uso de medicamentos. Nos casos de grau mais leve é tratado com um psicólogo utilizando-se da terapia, em casos mais avançados é necessário passar também por um psiquiatra para incluir tratamentos medicamentosos. Se não for tratado, a depressão pós-parto pode se agravar interferindo na vinculação mãe-bebê e trazendo complicações futuras para ambos.

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