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    Entrevista Especial


    Rivalidade feminina precisa acabar, avalia diretora administrativa

    Diretora administrativa no Instituto da Mulher Dona Lindu fala a tão sonhada sororidade, que incentiva a união e aliança entre as mulheres, a partir da empatia e companheirismo para alçar objetivos em comum, ainda caminha a passos lentos.

    Rosiene Bentes
    Rosiene Bentes | Foto: Lucas Silva/Em Tempo

    Manaus - A administradora Rosiene Bentes Lobo, 37 anos, é exemplo de superação e força de vontade. Divorciada e mãe de dois filhos, ela ocupa uma posição de destaque no Instituto da Mulher Dona Lindu, na função de diretora administrativa. Em entrevista ao EM TEMPO, relata os desafios de estar à frente da unidade, fala de sua trajetória e avalia a questão da sororidade, que segundo ela, ainda caminha a passos lentos entre o público feminino. 

    EM TEMPO: A senhora é uma das pessoas que está no comando do Instituto da Mulher, em Manaus, um local que se tornou referência na região Norte. Qual o maior desafio hoje à frente da unidade?

    Rosiene Bentes - O Instituto da Mulher Dona Lindu completou 10 anos neste mês de junho e posso dizer com certeza que presta ótimos serviços às mulheres, o que torna meu trabalho mais desafiador, que é contribuir para manter esse padrão. É a maior referência em saúde da mulher e estar à frente de um hospital desse porte, onde se atende 100% SUS, é uma maratona de obstáculos que vencemos diariamente. É puxado, mas não impossível. Gerencio toda a parte de administração, RH, funcionários, empresas terceirizadas, orçamento, etc., É preciso pensar no hospital como uma empresa, cuidando da entrada de receitas, controlando os gastos e, em nosso caso, dando um suporte especial aos profissionais de saúde, estudantes residentes e pesquisadores, para, assim, garantir o bem estar dos pacientes.

    EM TEMPO: As mulheres ocupam cada vez mais cargos de liderança, anteriormente comandado por homens. Como foi a trajetória para chegar à direção?

    Admnistradora Rosiene Bentes é diretora administrativa do Instituto Dona Lindu, em Manaus
    Admnistradora Rosiene Bentes é diretora administrativa do Instituto Dona Lindu, em Manaus | Foto: Lucas Silva/Em Tempo

    Rosiene Bentes - Estar, hoje, à frente da administração e gestão financeira de um grande hospital requer esforços de uma vida voltada atuando na área, aprendendo um pouco por todos os lugares em que trabalhei, onde percorri um árduo caminho até aqui. Posso dizer que, apesar das dificuldades cotidianas, encaro essa missão com alegria e responsabilidade, aplicando tudo que aprendi, talvez esse seja o maior desafio de minha carreira profissional até agora. A possibilidade de cuidar de quem cuida, é uma incumbência importante.

    EM TEMPO: Em algum momento de sua carreira o fato de ser mulher atrapalhou sua trajetória profissional?

    Rosiene Bentes - Olha, posso dizer que já enfrentei situações difíceis pela predominância, digamos assim, dos homens no mercado de trabalho. Já tive que me posicionar de forma mais firme e assertiva, até rude mesmo, por ser mulher ou por ser mais nova na conquista de determinado espaço. Muitas vezes o preconceito é velado e mais discreto, mas é possível percebê-lo. De qualquer maneira, acredito que, durante toda a minha carreira, consegui encontrar formas de manter-me firme, sem perder a feminilidade e lidar com os obstáculos que foram aparecendo.

    EM TEMPO: Muito ainda se tem noticias de mulheres que sofrem preconceitos num cenário ainda com a presença masculina marcante.  A senhora sofreu algum desconforto quando assumiu o cargo que exerce hoje?

    Rosiene Bentes - De nenhuma forma. Posso afirmar que aqui no Instituto fui muito bem recebida, e o trabalho em parceria com o Diretor Geral, Dr. Mauro Miralha, é executado com muito respeito. Temos um sentimento de parceria mútua, pois estamos aqui em prol de um bem comum, dar nossa colaboração com a saúde da população do Estado, principalmente das mulheres.

    EM TEMPO: A vida de uma mulher, que é mãe, no mercado de trabalho requer certa habilidade para gerenciar tais fatores. Como equilibrar a vida profissional com a pessoal?

    Rosiene Bentes - Ah, ser mãe de dois filhos e uma imensa alegria. Não é fácil equilibrar e não acredito que exista uma fórmula mágica. Existem ciclos em nossas vidas em que a dedicação e as prioridades se modificam, ora a carreira, ora família/vida pessoal, que poderá exigir mais. Acredito que o poder de equilibrar é nosso, o que depende essencialmente de como encaramos o trabalho e a satisfação de nossas necessidades. A carreira é algo importante na minha vida, sinto-me ativa e realizada, e preenche parte do que acredito ser minha missão, cuidar das pessoas. A outra parte, que é maior, está em minha família que completa minha existência.

    EM TEMPO: Você foi paciente no Instituto, o qual hoje exerce um cargo de destaque. Como é lembrar esse momento e estar na linha de frente agora?

    Rosiene Bentes - Foi um momento difícil, passei por um problema de saúde sério, precisei ser internada às pressas, e jamais imaginei que um dia estaria trabalhando aqui. No período de internação, pude perceber o tratamento diferenciado oferecido pelos profissionais do Instituto, e hoje, apesar do que passei, vejo até de forma positiva, e procuro contribuir para melhorar cada vez mais esse padrão de excelência até a solução do problema que aquela paciente tem, com humanização e o devido respeito que todos merecem.

    EM TEMPO: Você trilhou um caminho árduo até ocupar um cargo de liderança. Qual o seu conselho para as mulheres que buscam ascensão na carreira?

    Rosiene Bentes - Expandir conhecimentos é um bom conselho para qualquer profissional, especialmente importante para nós, mulheres, pois, convenhamos, nossa jornada costuma ser muito mais desafiadora. O segredo é lembrar de que qualquer desafio pode se tornar uma oportunidade, depende da forma como vamos encarar. O que à primeira vista parece difícil pode ser a chance de mostrar do que você é capaz, trazendo soluções, resolvendo o problema e se posicionando como uma verdadeira líder, além de ajudar e inspirar a equipe.

    EM TEMPO: Hoje a pauta "sororidade" chama a atenção das mulheres como base de empatia entre elas. Você acredita que a união entre as mulheres e fim da rivalidade feminina está mais próxima?

    Rosiene Bentes - Certamente a rivalidade feminina hoje é um dos maiores fatores que contribuem para alguns atrasos na jornada de muitas mulheres. A tão sonhada sororidade, que incentiva a união e aliança entre as mulheres, a partir da empatia e companheirismo para alçar objetivos em comum, ainda caminha a passos lentos. Evoluímos um pouco, claro, mas ainda temos um longo caminho a trilhar. Posso dizer por experiência que já fui vitima de comentários ofensivos no intuito de denegrir minha imagem, infelizmente precisamos lutar contra esse tipo de rivalidade, que considero até desnecessária, pois cada mulher tem seu valor, sua forma de agir e pensar, e com certeza, lutando para crescer diariamente, terá êxito, tanto na carreira profissional quanto na vida pessoal. Todas nós sabemos como é ser mulher, temos conhecimento das cobranças, dos preconceitos, dos sofrimentos pelos quais passamos. Então, não tem porque incentivar a rivalidade, e sim, nos unirmos para nos fortalecer cada vez mais.

    "A tão sonhada sororidade incentiva a união e aliança entre as mulheres, a partir da empatia e companheirismo para alçar objetivos em comum, ainda caminha a passos lentos. Evoluímos um pouco, claro, mas ainda temos um longo caminho a trilhar"

    * Colaboração da jornalista Nívia Rodrigues, ao Portal EM TEMPO.

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