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    Conheça histórias de paratletas do AM que são fontes de inspiração

    O primeiro fisiculturista paratleta do Amazonas planeja voltar às competições neste ano

    Em 2014, Mayno perdeu a perna esquerda em um acidente de trânsito
    Em 2014, Mayno perdeu a perna esquerda em um acidente de trânsito | Foto: Marcely Gomes / Em Tempo

    Manaus - A prática esportiva sempre impulsionou o ser humano a superar barreiras pessoais e provar que pode ir além do que os olhos veem. No paratletismo é ainda mais fácil ver histórias de pessoas sem uma das pernas ou com apenas 10% da visão, por exemplo, colecionar momentos de superação.

    A primeira história reportada pelo Em Tempo mostra o servidor público Tayno Carvalho, de 31 anos, quebrando o preconceito de comissões técnicas dentro da própria modalidade. Natural de Parintins (a 366 km de Manaus) e atleta do fisiculturismo, ele sofreu um acidente de trânsito em 2014 e perdeu a perna esquerda.

    Após dois anos tentando competir, pela primeira vez, em 2016, ele ganhou uma conquista que nem imaginava: o reconhecimento público de ser o primeiro paratleta fisiculturista do Estado. A medalha, que guarda como um marco em sua jornada, foi dada durante a cerimônia da Copa Manaus de Fisiculturismo.

    "Comecei a modelar desde os 16 anos e também dançava no boi-bumbá. Depois do acidente, decidi voltar aos palcos, mas era barrado na inscrição. Diziam que não tinha categoria para mim. E realmente, no Brasil não tem, mas em outros Estados, atletas deficientes também competem junto ao resto, considerado 'normal', mas aqui não era assim", falou.

    A principal dificuldade do paratleta é a falta de patrocínios
    A principal dificuldade do paratleta é a falta de patrocínios | Foto: Marcely Gomes / Em Tempo

    No ano em que ganhou a primeira medalha, ele foi patrocinado por um dos apoiadores do evento. Por esse intermédio, Tayno pôde participar. Atualmente, ele disse que está parado devido ao alto custo de manutenção para a prática do desporto.

    "Só na época gastei em torno de R$ 7 mil em dietas, consultas médicas e medicamentos. Dei uma pausa por causa do trabalho, porque também tenho que me manter, mas sonho muito em conseguir algum apoio em 2019 e disputar o Amazonense. Foi emocionante ser reconhecido como o primeiro paratleta de fisiculturismo e não quero deixar isso de lado", projetou.

    Demolidor de recordes

    Brendow Christian Moura, de 23 anos, perdeu mais de 70% da visão aos 13 anos quando descobriu que tinha ceratocone, uma doença que distorce a visão da córnea. Atualmente, com 23 anos, ele enxerga quase 10% do que um olho saudável pode ver. Mesmo com a doença, nada o impediu de se tornar o recordista brasileiro. Ele quebrou seis vezes a marca na prova de lançamento de dardo.

    Brendow quebrou, inclusive, o seu próprio recorde cinco vezes. Atualmente, reside em São Paulo, onde treina profissionalmente de dia e é professor universitário à noite. Ele comemora a conquista de ser o único brasileiro qualificado a disputar jogos internacionais na sua categoria. Para os próximos 12 meses, uma vaga nas Paraolimpíadas de Tóquio é visada por ele.

    Veja o depoimento do atleta de fisiculturismo:

    "É engraçada a minha história porque sempre odiei o atletismo. Quando fiz a prova, fiz de tudo para ser reprovado. Bom, passei, treinei uma hora por dia em quatro semanas e fui campeão brasileiro escolar em 2014. A partir daí, vi que meu sonho de ser desportista estava vivo e fiz de tudo para superar todas as barreiras", contou.

    Diferente de Tayno, ele não tem dificuldades em achar patrocínio, porém acredita que cada detalhe negativo é uma peculiaridade a ser superada em cada pessoa.

     "Na minha infância, tinha o rendimento mais baixo que os outros por conta da minha doença. Depois que fui campeão brasileiro, várias lesões me impediram de saltar e correr, me deixando só com os dardos. Apesar de tudo, nunca quis ser o coitado da minha história. Ninguém merece ser tratado assim. Minha vida mudou depois da doença. Hoje, posso dar orgulho para minha mãe, formei na faculdade e tenho mais recordes para quebrar", declarou.

    O mais novo da seleção brasileira

    O estudante do 1º ano do Ensino Médio, Lucas Santos, vai para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, disputar a Copa do Mundo de Halterofilismo. Com apenas 17 anos, o menino coleciona os títulos de campeão mundial júnior, vice-campeão júnior na regional das Américas, bicampeão brasileiro júnior e outros títulos dentro do levantamento de peso.

    Brendow, quando descobriu a ceracotone, aos 13 anos, já havia perdido mais de 70% da visão
    Brendow, quando descobriu a ceracotone, aos 13 anos, já havia perdido mais de 70% da visão | Foto: Reprodução/Instagram

    Com a filosofia de vida baseada na pró-atividade, ele nasceu com osteomielite neonatal e teve o fêmur de uma das pernas encurtado. Ele já passou por países, como Colômbia e México, e com a experiência em Dubai, ele pretende estender a bagagem cultural e de experiência para sua vida profissional.

    "Sempre me pergunto: 'Para quê ficar reclamando?'. As pessoas já caçoavam de mim na escola. Prefiro fazer algo positivo com a deficiência que tenho. Sou o menino mais novo que vai acompanhar a seleção brasileira na Copa do Mundo e batalhei duro por isso", se orgulhou.

    Mantendo treino contínuo, Lucas ressalta o problema da dificuldade de conseguir as passagens aéreas. Quando soube da convocação para o mundial, no último 21 de dezembro, ele também recebeu a informação que iria ser patrocinado pela federação. Porém, ele ressalta que nem sempre é assim e aguarda ansioso para competições futuras.

    O presidente da Federação de Esporte Paralímpico do Amazonas (Fepam), Getúlio Filho, expôs o cenário do paratleta no Estado e pontua que a força de vontade em cada paratleta é a principal força motora para o paradesporto amazonense.

    "Quase 90% dos esportistas deficientes são pobres e não têm como manter uma frequência nos treinos. A minoria é a que se destaca, alcançando altos rendimentos nacionais e internacionais", afirmou.

    Os esportes que mais se destacam para os paratletas são o o tênis de mesa, o atletismo, a natação e o halterofilismo
    Os esportes que mais se destacam para os paratletas são o o tênis de mesa, o atletismo, a natação e o halterofilismo | Foto: Marcely Gomes / Em Tempo

    As quatro modalidades que se destacam são o tênis de mesa, o atletismo, a natação e o halterofilismo. Em contrapartida, ele disse que o Governo do Estado apoia, em parceria com associações locais, como a Associação dos Deficientes Físicos do Amazonas (Adefa), no auxílio do transporte e alimentação em alguns casos.

    No interior do Estado, a situação é ainda mais precária. A Secretaria Estadual de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel) informou que prioriza as modalidades com a verba disponível, atuais R$ 15 milhões, tendo alguns desportos menos atingidos nesse cenário.

    Sobre o apoio às passagens aéreas, a assessoria da pasta disse que é tradição de todo novo gestor ter liberdade de atuação nessa área. O novo secretário, Caio André Oliveira, não divulgou uma possível previsão de atividade neste ano, contudo uma coletiva de imprensa deve ser organizada para revelar o orçamento disponível nesse ponto.

    Já a gestão municipal informou que a Colônia de Férias para Pessoas com Deficiência (PCDs) reúne participantes de todas as modalidades em geral para atividades esportivas. A pasta ainda falou que pretende retomar o Bolsa Atleta para selecionar paratletas ainda este ano.

    Pauta e edição: Bruna Souza

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