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    Por falta de apoio, Fafa suspende atividades e presidente vê ciumeira

    A Federação Amazonense de Futebol Amador (Fafa) encerrou suas atividades em outubro deste ano por não ter recursos, nem apoio. O presidente acusa, ainda, a Federação Amazonense de Futebol (FAF) de fechar as portas para a comunidade

    Jogadores das divisões de base disputam campeonato amador organizado pela Federação Amazonense e Futebol Amador
    Jogadores das divisões de base disputam campeonato amador organizado pela Federação Amazonense e Futebol Amador | Foto: Reprodução/ Facebook Fafa

    Manaus - Em meio ao principal momento do futebol regional na década, a Federação Amazonense de Futebol Amador (Fafa) suspendeu suas atividades por tempo indeterminado, sob justificativa de a Federação Amazonense de Futebol (FAF) ocupar seus espaços e a falta de apoio e recursos da Secretaria de Estado de Secretaria de Estado de Educação e Desporto.

    Além disso, Marco Santos, presidente da instituição, se referiu à situação como “um confronto desleal no estilo Davi contra Golias" e acusou a FAF de "fechar as portas para os times da comunidade".

    “Ela deixou de fazer futebol porque fecha a porta para os clubes da comunidade. Todo atleta tem o objetivo de jogar pela FAF. Ela é credenciada para fazer o futebol amazonense por ter apoio financeiro da CBF, mas o presidente não abre as portas pra essa comunicação”, afirmou o presidente.

    O dirigente da Fafa fez duras críticas à gestão do futebol e de recursos no Norte e ao presidente da FAF, afirmando não ter dúvidas de que é “um gestor com falhas de gestão”, mas ressaltou que a FAF é uma instituição que tem que ser respeitada. 

    Como a Fafa tem desenvolvido intercâmbios para outros estados do país, com testes de atletas em outros clubes e disputa de partidas amistosas, Marco pretende voltar em 2020 e não descarta focar as atividades da federação em outros estados, devido à falta de incentivo.

    O presidente Marco Santos, ao lado de trio de arbitragem em campeonato da Fafa
    O presidente Marco Santos, ao lado de trio de arbitragem em campeonato da Fafa | Foto: Reprodução/ Facebook Fafa

    “Se na sua casa você não é reconhecido, tenha certeza que outros de fora estão observando sua atitude profissional, e quem sabe possa nascer uma grande parceria com outros centros, sem a demagogia e politicagem que se tornou crônica no futebol amazonense”, disse a federação em publicação na página oficial.

    Apesar das críticas, o dirigente frisa que sua única preocupação é o esporte regional. Além disso, disse que recebeu convite para disputar as próximas eleições da FAF, mas está estudando se irá aceitar. 

    “Não tenho pretensão política. A Fafa não pode fazer o mesmo papel da FAF e vice-versa, mas pode abrir para [nossas] competições fazerem as partidas preliminares. Traz de volta o brilho dos atletas de jogar nos estádios”, disse.

    Entendendo

    O atrito entre a federação de futebol amador, a secretaria de desporto e a federação amazonense teria atingido seu limite após decisão do Governo ceder o estádio Carlos Zamith por uma noite ao mês, com apenas parte dos refletores funcionando, para a realização dos campeonatos de base nas categorias Sub-13, Sub-15 e Sub-17.

    De acordo com Marco Santos, a Fafa havia protocolado, junto à secretaria, o calendário anual que indicava a realização das competições em setembro, outubro e novembro, mas ainda assim foi preterido.

    “Achei uma falta de respeito com a federação. Até porque fomos para o Rio de Janeiro com a camisa que tinha o governo e a Sejel, sem nenhum apoio. Levamos o nome do Estado sem apoio nenhum, sem sequer uma bola”, atestou.

    A situação agravou quando a antiga Secretaria de Estado de Juventude, Esportes e Lazer (Sejel) entregou, no dia 24/09, material esportivo para 14 equipes de futebol que fazem parte do projeto “Base Forte” e que disputariam, neste fim de ano, os campeonatos estaduais de base. No entanto, nenhum clube afiliado à Fafa foi contemplado.

    Sejel entrega material esportivo a 14 equipes de futebol, que fazem parte do projeto “Base Forte”
    Sejel entrega material esportivo a 14 equipes de futebol, que fazem parte do projeto “Base Forte” | Foto: Mauro Neto/SEJEL

    “Pedíamos equipamentos para as equipes campeãs, mas tomamos uma surpresa quando saiu do Governo a determinação de que seriam distribuídos equipamento e bola para os clubes, mas nada para nenhum da Fafa. Não sei a razão. O secretário Caio de Oliveira em nenhum momento disse que é por isso ou aquilo. Da minha parte, eu desconheço”, esclareceu o presidente da federação.

    A Secretaria de Desporto afirmou à redação que o projeto “Base Forte” foi criado e desenvolvido para atender times de futebol que estejam inscritos e homologados juntos à Federação Amazonense de Futebol (FAF), mas estuda abrir para outros clubes e federações no futuro.

    “Neste primeiro momento, são atendidos pelo projeto apenas times de base de equipes profissionais. De toda forma, a secretaria estuda, para os próximos anos, formas de atender também equipes amadoras, ampliando o incentivo ao esporte local”, disse a assessoria.

    Peladão é obstáculo para o futebol de base?

    O Campeonato de Peladas do Amazonas, conhecido tradicionalmente como Peladão, é um dos maiores torneios amadores do país e vem sendo disputado desde 1973. Atualmente, configura-se em quatro categorias, sendo elas a Principal – Masculino; Máster – Masculino; Feminino e o Peladinho – Masculino.

    Com o desenvolvimento do futebol na região Norte, o recrutamento de jogadores nativos aparece como o principal recurso para os times que já não têm grandes investimentos para contratações. No entanto, o presidente da Fafa enxerga uma banalização crescente da prática esportiva devido à flexibilização das regras no campeonato e afirma que o Peladão “está competindo com o futebol amazonense”.

    Em meio ao tumulto, jogadores não filiados à Federação Amazonense perdem em estrutura.
    Em meio ao tumulto, jogadores não filiados à Federação Amazonense perdem em estrutura. | Foto: Reprodução/ Facebook Fafa

    Para ele, os organizadores das competições regionais não souberam diferenciar o futebol profissional, do futebol de peladas e “esqueceram do futebol profissional”. Diz ainda que o esporte perde à medida que a formação dos jogadores não segue as normas oficiais estipuladas pela Fifa - entidade suprema do futebol.

    “O atleta deixa de treinar em times porque no Peladão vai jogar no estádio. Imagina o seguinte: o atleta que joga o Peladinho é ensinado a bater lateral com o pé. Como um atleta desse vai virar profissional? Por que um atleta vai treinar de manhã e de tarde se ele pode jogar no estádio a qualquer hora? Não tem mais entusiasmo de ser jogador de futebol. Preferem jogar no time de alguém que vai dar chuteira, isso, aquilo”, completou.

    A Federação Amazonense de Futebol Amador (Fafa)

    A Federação foi criada em 2017 com o intuito de trabalhar especificamente o futebol de base nos bairros periféricos de Manaus, onde, segundo o presidente Marco Santos, a FAF não chega.

    Mesmo com dois anos de atuação, sem investimentos e estrutura precária, a Fafa vinha crescendo tanto no número de realizações esportivas, quanto na quantidade de times afiliados.

    “A nossa ideia agora é voltar em 2020. Nossa estrutura financeira se desgastou com 2 anos investindo sem retorno. Diferente da irmã, que recebe recursos das federações, a gente não”, completou.

    Os números mais recentes da Fafa mostram 58 equipes federadas com cerca de 3,6 mil atletas. Dentre as competições já realizadas, as duas edições da Copa Fafa renderam times que viajaram para os estados Rio de Janeiro e Roraima, onde disputaram amistosos contra times como Fluminense e Botafogo. Além disso, sete atletas foram tentar a sorte nos clubes Bahia, Vitória e Jacuipense em 2018.

    O presidente Marco Santos, ao lado de trio de arbitragem em campeonato da Fafa
    O presidente Marco Santos, ao lado de trio de arbitragem em campeonato da Fafa | Foto: Reprodução/ Facebook Fafa

    “Nossos atletas saíram daqui com poucos treinos, chegaram em Xerém [Centro de Treinamentos do Fluminense] e fizemos frente com Fluminense e Botafogo. Perdemos jogando futebol. Nossa ideia era que FAF e Fafa fossem só uma composição do futebol. Reivindicar os estádios para as federações, para campeonatos de base”, disse.

    O jogador Marquinho, ex-atleta do Fast Clube e atualmente no Iranduba, disputou as duas edições da Copa Fafa e viajou, nas duas ocasiões, para jogar fora do Estado. O atleta conta que o trabalho desempenhado pela Fafa ocupa um espaço abandonado pela FAF nas periferias e considera-o muito importante por manter as competições no período em que a FAF não as tem.

    Além disso, destaca que os intercâmbios são oportunidades únicas para jogadores que nunca sequer sonharam em ter uma chance.

    "A Fafa está realizando o sonho de muitos atletas que nem pensavam em viajar para jogar contra Fluminense, Botafogo. Quando viajei, alguns atletas nunca tinham jogado em campo de grama. Jogar contra time grande é a realização de um sonho. Não tive nada parecido nem com o Iranduba, nem com o Fast", disse o atleta.

    FAF

    Por telefone, a reportagem ouviu o diretor de competições da FAF, Ivan Guimarães. Quando questionado sobre as afirmações do representante da Fafa, Guimarães informou que não poderia se posicionar a respeito porque desconhece a existência da Fafa. "Não sei quem é Fafa ou o que ela representa. Desconheço totalmente", frisou.

    Guimarães salientou, ainda, que atualmente a FAF não conta com apoio do Governo do Estado. Há parcerias, mas não sobrevivemos do apoio. Existe atualmente um projeto chamado 'Base Forte', que é mantido pelo Governo do Esporte. Nele, atletas de base são preparados para engajar nos times principais para disputar as competições de elite do Estado", pontuou.

    O diretor comentou, também, que a FAF está trabalhando em duas competições oficiais do calendário esportivo com início em janeiro de 2020. "Uma das competições é o profissional série A, o "Campeonato Amazonense". A outra é o Sub-19, antigamente chamado de 'Júniors', que também tem previsão de começar na segunda quinzena de janeiro. Todos dentro do agendamento do Governo do Estado", garantiu.