Fonte: OpenWeather

    Futebol


    Mulheres em torcidas no AM opinam sobre participações em estádios

    Um Projeto de Lei na Câmara Federal, que amplia a proteção às torcedoras contra atos de violência em estádios, gerou o debate

    Casos envolvendo diversos jogadores e problemas nas torcidas, levaram deputados federais e torcidas organizadas do AM a discutirem a violência contra as mulheres | Foto: Divulgação

    Manaus - O futebol, que antes aparecia na editoria de esportes, infelizmente tem ganhado cada vez mais as páginas policiais devido aos casos de violência contra as mulheres. Acontecimentos envolvendo diversos jogadores e problemas nas torcidas levaram a Câmara dos Deputados e as torcidas organizadas do Amazonas a discutirem a situação das torcedoras brasileiras. No Amazonas, representantes de torcidas femininas revelam que alguns torcedores homens gostariam que o público feminino não frequentassem estádios de futebol. 

    Neymar, Cristiano Ronaldo, Mancini, Jobson e Loïc Remy têm duas coisas em comuns: todos são jogadores consagrados e foram denunciados por crimes de estupro. Além disso, as brigas entre torcidas também são comuns e levam a questionar a relação entre o esporte e a violência contra as mulheres.

    Em Manaus, em jogo válido pela final da Série B do Campeonato Amazonense de 2019, o São Raimundo foi multado por infrações da torcida, por exemplo. Mas, parece que a pena não foi suficiente, pois duas organizadas do clube voltaram a se envolver em brigas em 2020, já na Série A da mesma competição. 

    Pensando nisso, a senadora Leila Barros (PSB-DF) criou o Projeto de Lei (PL) 549/19, que amplia a proteção às torcedoras contra atos de violência em estádios. A proposta assegura às mulheres proteção contra qualquer ação que lhes cause risco de morte, lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico, dano moral ou patrimonial.

    Senadora Leila Barros (PSB-DF), autora do PL
    Senadora Leila Barros (PSB-DF), autora do PL | Foto: Pedro França/Agência Senado

    O projeto também proíbe que sejam utilizados cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista, xenófobo ou misógino.

    A autora da proposta afirma que os ambientes de prática esportiva ainda estão longe de serem considerados ideais para as torcedoras, visto que relatos de assédio e de atos violentos continuam frequentes.

    No Amazonas

    Mulheres que fazem parte de torcidas organizadas do Estado revelam como se sentem em relação ao projeto e aos casos que vêm acontecendo ao redor do mundo.

    Melissa Mesquita, de 25 anos, é presidente do Esquadrão Feminino da Torcida Organizada Gaviões do Norte e confessou que, quando se trata de futebol, muitos homens acreditam que mulheres não são feitas para frequentarem estádios.

    ‘’Esses homens pensam que, somente porque somos mulheres, não temos direitos. Mas isso não é verdade! Fiz a torcida Esquadrão Feminino junto com meu esposo Izaac Lima, justamente para que mulheres também tenham a liberdade de frequentar esses espaços e torcerem para os times que gostam’’, explicou Melissa.

    Esquadrão Feminino da Torcida Organizada Gaviões do Norte
    Esquadrão Feminino da Torcida Organizada Gaviões do Norte | Foto: Divulgação

    A presidente declara ainda que já sofreu violência verbal no meio futebolístico, mas que não liga para os xingamentos, pois sabe que eles são feitos por pessoas arrogantes que não entendem a força das mulheres nas torcidas. ‘’Somos mulheres, passamos batom, calçamos salto, mas também podemos calçar tênis, vestir a farda e torcer sem violência pelo time que amamos!’’, enfatizou.

     Valecya Santos, uma das diretoras da Torcida Organizada Psicoloucos, também se manifestou ao dizer que a proposta é muito boa, ainda mais porque ela preza por sua família e sabe que levá-los ao estádio sem o risco de violência é um grande alívio.

    Ela explicou, além disso, que nunca sofreu nenhum tipo de violência no meio, mas que compreende a situação de outras mulheres. ‘’Gostaria que todas as mulheres torcedoras viessem fazer parte de nossa torcida. Podemos torcer por Manaus juntas, sem medo, somente com alegria e fazendo nossa união falar mais alto que o preconceito’’, afirmou.

    Luiza Marques, de 19 anos, também faz parte da Torcida Organizada Psicoloucos e reiterou que o projeto é bom e deve ser visto como positivo pelas torcedoras. ‘’Essas mulheres precisam saber com quem estão se organizando e escolher sempre um grupo que entenda a necessidade do empoderamento feminino no futebol. Não devemos baixar a cabeça, temos que ser bem tratadas’’, assegurou.

    *Estagiária sob supervisão do editor Isac Sharlon