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    Karatê amazonense


    Joia do karatê amazonense busca apoio para disputar Brasileiro

    Kayane Lucena, de 9 anos, busca apoio para disputar mais uma competição fora do Amazonas, desta vez em Goiânia, em junho

    Destaque no amazonas, a jovem lutadora Kayane Lucena, de 9 anos, busca apoio para ir à Goiânia, em junho
    Destaque no amazonas, a jovem lutadora Kayane Lucena, de 9 anos, busca apoio para ir à Goiânia, em junho | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - Kayane Lucena, da academia Hein-Kan, é um dos destaques do karatê amazonense com apenas 9 anos de idade. A jovem atleta é campeã Brasileira de karatê, líder no ranking estadual e terceira colocada no nacional. Sem apoio, a família sofre com as despesas em viagens e faz o possível para financiar a participação em competições,: desde a venda de rifas até a criação de uma "vaquinha online" - site de arrecadação por financiamento coletivo.

    A atleta está atualmente com a faixa roxa e as melhores colocações no ranking brasileiro da categoria geral foram em 2017 e 2018, quando alcançou o terceiro lugar
    A atleta está atualmente com a faixa roxa e as melhores colocações no ranking brasileiro da categoria geral foram em 2017 e 2018, quando alcançou o terceiro lugar | Foto: Leonardo Mota

    No karatê a partir dos 5 anos de idade, Kayane disputa torneios desde os seis e atualmente faz parte da seleção amazonense. A atleta tem uma rotina puxada, treina de segunda a sábado na Hein-Kan, que fica no Cassino dos Oficiais e Sargentos da Guarnição da Aeronáutica, o Cassam, no bairro São Lázaro, Zona Sul de Manaus.

    “Quando eu não treino é porque estou doente [risos]. Gosto de fazer karatê porque é um esporte de defesa pessoal. Treino Kata a mais tempo, e é o que eu mais gosto. Tenho mais afinidade com ele porque tenho medo de me machucar, não sou muito apegada ao Kumitê", comenta ela, tranquila e naturalmente, sobre suas preferências na modalidade. 

    Karate

    A atleta está atualmente com a faixa roxa e as melhores colocações no ranking brasileiro da categoria geral foram em 2017 e 2018, quando alcançou o terceiro lugar. No topo do Estado em 2019, Kayane teve a chance de disputar a fase final do Campeonato Brasileiro de Karatê no Praia Clube, em Uberlândia (MG). A medalha não veio, mas a experiência certamente valeu a pena para o "talento bruto" amazonense.

    "Eu me inspiro no Carlos Eduardo e na Nat Faria, que me ajudam no Cassam. Eles são mais velhos, são legais comigo e me ensinam golpes. Quando estou errada, me falam", afirma ela, sobre a importância do exemplo de Nathália Faria e o irmão, destaques da seleção brasileira de karatê de base.

    Caminho (difícil) ao topo

    Segundo Kairo e Chelly Lucena, pais da atleta, as maiores dificuldades que enfrentam, morando na região Norte são as viagens. Como os principais torneios acontecem no eixo Rio de Janeiro-São Paulo, constantemente precisam investir tempo e dinheiro nas longas jornadas ao Sudeste. Kairo trabalha como vendedor na Kimonos Araújo e não tem condições de arcar com os valores integralmente, mas não abre mão do sonho da filha.

    "O karatê só dá retorno a longo prazo, então é preciso se destacar e se dedicar para estar sempre entre os melhores. Além de ser muito prazeroso vê-la com a medalha, é muito bom para toda a família fazer parte do envolvimento nos treinos e ter o lazer pelas viagens que fazemos por outros estados. Quando fomos para Uberlândia, embora ela tenha perdido, ficou super feliz com os tobogãs. São sacrifícios que valem a pena por vários outros fatores", conta o pai.

    Chelly Lucena, Kayane Lucena e Kairo Lucena buscam apoio para disputar competições nacionais
    Chelly Lucena, Kayane Lucena e Kairo Lucena buscam apoio para disputar competições nacionais | Foto: Leonardo Mota

    Na busca por apoio vale tudo, e são inúmeras tentativas: venda de rifas, vaquinha online e até o porta-em-porta já foram testados, mas até agora sem sucesso. Os programas de benefícios do governo, como é o caso do Bolsa Atleta, contemplam apenas jovens a partir dos 12 anos de idade, portanto Kayane ainda não é elegível.

    A principal dificuldade da família é em arrecadar dinheiro para financiar as viagens e as inscrições nas competições, mas o investimento é também no aumento do rendimento da atleta, que precisa beirar 100% na maior parte do tempo. 

    "Nossa necessidade é de um patrocínio para nos ajudar financeiramente a investir nela também com academias, suplementos e fisioterapia. No esporte isso não é mais luxo, é necessidade. Não temos condições de arcar. Eu terminei de pagar as passagens do Brasileiro de 2019 - que foi em outubro -, só em janeiro, comprando a passagem com muita antecedência", diz Kairo.

    Apoio local?

    Kayane recebe incentivos na escola, com bolsa de estudos, além de descontos para estudar inglês e em tratamentos de ortodontia. Na busca por apoio, Kairo conta que chegou a recorrer ao porta a porta na casa de deputados e vereadores, mas não recebeu atenção.

    "Só eu vou atrás dos patrocínios, e até pessoalmente cheguei a ir na porta de vereadores. Dava até vontade de chorar quando ia na porta deles e de deputados pedir para comprar uma rifa por 2 reais e recebia uma negativa. Eu falo para ela fazer a parte dela porque eu vou correr atrás do resto, mas é um grande sacrifício", confessa o pai.

    Kayane recebe incentivos na escola, com bolsa de estudos, além de descontos para estudar inglês e em tratamentos de ortodontia, mas nenhum incentivo financeiro
    Kayane recebe incentivos na escola, com bolsa de estudos, além de descontos para estudar inglês e em tratamentos de ortodontia, mas nenhum incentivo financeiro | Foto: Leonardo Mota

    Para Chelly, a dificuldade em conseguir apoio passa também pela falta de credibilidade que, segundo ela, as jovens atletas manauenses enfrentam. “Não acreditam muito porque ela é uma criança. As pessoas não acreditam nas crianças aqui, porque qual o retorno para eles?", diz ela. 

    Com o currículo de Kayane sempre atualizado a cada luta e conquista nova, a mãe diz que, graças aos alunos da academia Hein-Kan, que contribuem voluntariamente com serviços especializados, como acompanhamento psicológico e trabalhos de academia e fisioterapia, a falta de apoio de quem deveria é suprida em alguns momentos.

    "Pedimos patrocínios para grandes empresas, enviamos o currículo dela para todos os lugares. Empresas do Amazonas, que deveriam ajudar o esporte local, sempre nos respondem falando que não podem, não têm dinheiro ou não patrocinam. Os próprios atletas da Hein-Kan ajudam em diversas áreas e se voluntariam para ajudar os jovens atletas", afirma.

    Foco no pódio

    Pela frente, o maior objetivo de Kayane é o Campeonato Brasileiro de 2020, da 3ª Etapa classificatória, que acontece em Goiânia entre os dias 3 e 7 de junho. No entanto, o calendário deste ano inicia com o Manaus Open, que acontece no Cassam no dia 1º de março.

    O calendário de lutas deste ano inicia com o Manaus Open, que acontece no Cassam, no dia 1º de março
    O calendário de lutas deste ano inicia com o Manaus Open, que acontece no Cassam, no dia 1º de março | Foto: Leonardo Mota

    Por mais que demonstre um desempenho acima da média em relação aos outros jovens talentos amazonenses, o que se destaca tanto na atleta, quanto na família, é a capacidade de lidar com este dom. Isto porque os pais compreendem o espaço que uma criança precisa ter para atividades lúdicas, além de treinos e competições, coisa pouco comum no cenário.

    “A criança tem que se divertir. Ela é uma atleta, mas continua tendo 9 anos. É normal acordar sem vontade de treinar, precisa brincar também. A gente tenta passar essa responsabilidade que precisa ter - ela tem muito talento -, mas claro que tem dias que não vai render o 100%”, reforça o pai.

    Com foco total na vitória, Kayane "se transforma" na hora das lutas, segundo pais
    Com foco total na vitória, Kayane "se transforma" na hora das lutas, segundo pais | Foto: Leonardo Mota

    No entanto, o consenso entre Chelly e Kairo é de que, ao entrar no dojô para competir, Kayane transforma-se em uma pessoa completamente focada no pódio. Performando movimentos de extrema dificuldade em Kata superior (mais avançados) na divisão de noves, os pais destacam a concentração dela e dizem que tanto para Kayane, quanto para eles, nos dois minutos e meio de apresentação nada mais importa.

    Para contatos futuros de parceria ou apoio, os pais da atleta disponibilizaram os números (92) 99156-0021 (Kario) e (92) 98416-2864 (Chelly), além do @Kau_Lucena, Instagram de Kayane.