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    Motociclismo


    Aos 19 anos, piloto Bárbara Neves defende o bi latino-americano

    A piloto goiana Bárbara Neves defende o bi de Motociclismo, na modalidade Enduro

    Bárbara é a primeira mulher a integrar as equipes de corrida na história da Honda Racing Brasil
    Bárbara é a primeira mulher a integrar as equipes de corrida na história da Honda Racing Brasil | Foto: Reprodução/ Instagram @barbaraneves116

    Manaus - A Honda Racing Brasil apresentou oficialmente, este mês, as equipes que disputam competições nacionais e internacionais nas modalidades Motocross, Enduro FIM e de Regularidade, Rally e Motovelocidade. Única mulher do time, Bárbara Neves defende o bicampeonato latino-americano e disputa, pela primeira vez, o Campeonato Mundial de Enduro Feminino.

    Bárbara é a primeira mulher a integrar as equipes de corrida na história da Honda Racing Brasil. Além do bicampeonato Brasileiro de Enduro FIM, em 2019 ela conquistou também o bicampeonato do Enduro da Independência e o vice do Ibitipoca Off-Road – ambas provas tradicionais de regularidade do país.

    "Para mim é uma honra muito grande estar aqui representando todas as mulheres. Estamos evoluindo, conquistando nosso espaço também nos esportes. Eu me sinto feliz por estar contribuindo com isso, abrindo as portas do off-road para a mulherada. O objetivo é ter mais mulheres competindo, pilotando e eu vejo que a cada ano que passa esse número sobe. Isso me deixa muito feliz", conta a piloto.

    Com apenas 19 anos, Bárbara Neves conquistou pela segunda vez o Campeonato Latino-Americano de Enduro Feminino em 2019, disputado em Pichilemu, cidade chilena a aproximadamente 200 quilômetros da capital Santiago. Com tantos êxitos esportivos com pouca idade, a piloto goiana diz saber da pressão que carrega representando as mulheres na Honda, mas ressalta o apoio da família e amigos para continuar "nos trilhos".

    "A responsabilidade é maior depois dos títulos, pois eu sou bem nova para isso, tenho 19 anos. Várias amigas e pessoas me procuram nas redes sociais para conversar comigo falando ‘ah, quero começar a andar de moto', e geralmente são crianças ou mulheres mais velhas. Eu fico com um frio na barriga por ter pessoas que se inspiram em mim, por ser muito jovem, mas procuro fazer as coisas certas. Eu tive uma boa base familiar, amigos próximos do meu lado que me orientam a não errar", revela a piloto.

    Com apenas 19 anos, Bárbara Neves conquistou pela segunda vez o Campeonato Latino-Americano de Enduro Feminino em 2019, disputada em Pichilemu, cidade chilena aproximadamente 200 quilômetros da capital, Santiago
    Com apenas 19 anos, Bárbara Neves conquistou pela segunda vez o Campeonato Latino-Americano de Enduro Feminino em 2019, disputada em Pichilemu, cidade chilena aproximadamente 200 quilômetros da capital, Santiago | Foto: Reprodução/ Instagram @barbaraneves116

    Natural de Goiânia (GO), Bárbara venceu a prova no dia 8 de fevereiro e terminou no segundo lugar no domingo (9), disputando o brasileiro de Enduro FIM, ocorrido em Itapema, Santa Catarina. Andando de moto desde os (impressionantes) 4 anos de idade, a piloto da Honda revela que chegou a largar o esporte por achar não ser uma modalidade para meninas.

    "Meus pais me deram uma moto quando era criança, eu comecei a pilotar com 4 anos de idade até os 6, mas achei que não era coisa de menina. Quando pedi para parar e expliquei o motivo, eles não venderam a moto, deixaram guardada por um ano. Quando viram que eu não queria, me colocaram em outros esportes e venderam a moto", diz ela.

    Natural de Goiânia (GO), Bárbara começou a andar de moto aos 4 anos de idade
    Natural de Goiânia (GO), Bárbara começou a andar de moto aos 4 anos de idade | Foto: Reprodução/ Instagram @barbaraneves116

    Aliando a paixão pelo esporte à insistência e compreensão dos pais, que acreditaram e investiram no sonho, Bárbara reencontrou a paixão pela velocidade cinco anos depois. Além de voltar a ter contato com a modalidade, a piloto conta que o esporte ajudou também no desempenho escolar.

    "Com 12 anos de idade voltei a pedir para andar novamente de moto e, como era ruim na escola, fizeram um acordo comigo de, se for bem na escola, poderia andar de moto. Tirou nota boa, tem a moto. Tirou nota ruim, sem moto. Ser piloto foi acontecendo naturalmente, hoje sou profissional, faço faculdade e é tranquilo para conciliar", conta.

    Bárbara Neves, com Dario Júlio (esquerda) e Gabriel Soares, no Rally Cerapió
    Bárbara Neves, com Dario Júlio (esquerda) e Gabriel Soares, no Rally Cerapió | Foto: Reprodução/ Instagram @barbaraneves116

    De olho no Campeonato Brasileiro de Enduro FIM, na busca pelo tricampeonato Latino-Americano de Enduro e, claro, no Mundial de Enduro Feminino, Bárbara sonha alto com o título de campeã do mundo na categoria, fala do lado "ruim" da vida de piloto, mas diz já ver resultados nos esforços.

    "Desde criança, sempre gostei muito de moto, sempre fez parte da minha rotina. É o que eu gosto de fazer, então é natural, não vejo problemas. Às vezes os amigos de faculdade me chamam para alguma festa que não posso ir, porque a vida de atleta é diferente, temos que abrir mão de algumas coisas pelo sonho. Acredito que, tudo que fazemos com amor e carinho, a gente consegue colher bons frutos. Os resultados dos meus esforços e dedicação são os títulos. E isso me deixa bem, faz sentir que estou no caminho certo", afirma ela.