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    Boxe


    Com quatro meses no boxe, amazonense de 13 anos conquista cinturão

    Esthefanny Rocha, a "Demolidora", conquistou o primeiro cinturão no boxe aos 13 anos de idade, com apenas 4 meses de prática na modalidade para ajudar o pai a perder peso

    No boxe para ajudar o pai, Esthefanny Rocha vira 'Demolidora' aos 13 anos e já conquista o primeiro cinturão
    No boxe para ajudar o pai, Esthefanny Rocha vira 'Demolidora' aos 13 anos e já conquista o primeiro cinturão | Foto: Reprodução/ Facebook Skull Champions Girls

    Manaus - Apesar da pouca idade, na história de Esthefanny Rocha o apelido “Demolidora” não se refere apenas ao que a boxeadora faz com suas adversárias. Aos 13 anos, a dona do cinturão do Skull Champions Girls vive ascensão meteórica no esporte, que iniciou para motivar o pai a fazer atividades físicas.

    No mundo da luta há apenas quatro meses, a atleta, conhecida hoje por “Demolidora”, participou da primeira luta oficial da carreira, que também marcou a primeira disputa de cinturão no Skull Champions Girls, evento de luta exclusivamente feminino, ocorrido às vésperas do Dia Internacional da Mulher, no dia 8 de março deste ano. 

    “Foi muito gratificante vencer meu primeiro confronto. Foi resultado de todo o esforço que eu tive, mas eu não acreditava que fosse ganhar. Luta é luta, a única coisa que sabia era que eu e minha oponente iríamos fazer um bom combate. Eu entrei bastante confiante, mas achei minha adversária muito forte”, revela Esthefanny.

    Esthefanny fez sua segunda luta válida pelo 1º Opena de Beach Boxing do Amazonas, vencendo o confronto
    Esthefanny fez sua segunda luta válida pelo 1º Opena de Beach Boxing do Amazonas, vencendo o confronto | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Além de derrotar Paula Vivianne aos 45 segundos do terceiro round no evento comemorativo, Esthefanny também venceu a segunda luta que disputou recentemente, válida pelo 1º Open de Beach Boxing do Amazonas - evento que reuniu 26 atletas, no dia 15 de março, em uma das quadras de areia do Complexo Esportivo Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus.

    Combustível da motivação

    O pai, Clenerson de Carvalho, de 49 anos, é o combustível para a ascensão meteórica de Estheffany
    O pai, Clenerson de Carvalho, de 49 anos, é o combustível para a ascensão meteórica de Estheffany | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Pelo sucesso repentino, o que indica bastante afinidade com o esporte, a boxeadora até poderia passar como alguém que se apaixonou rapidamente pelo mundo da luta. No entanto, o pai da atleta - Clenerson de Carvalho, de 49 anos - revela que os primeiros contatos da "Demolidora" com o boxe ocorreram, na verdade, para ajudá-lo com as dificuldades em se manter regularmente se exercitando.

    "4 anos atrás eu pesava 128 kg. Diminuí e fui para a academia, com a promessa de que o boxe seria o melhor esporte para o momento. Comecei e conheci o Jackson, que é dono da academia onde treinamos agora. Quando perdi 28 kg, voltei à vida inativa de bebida, comida e engordei novamente, agora chegando até os 147 kg. Nessa situação, a Esthefanny foi uma das minhas maiores incentivadoras. Ela gosta, mas também faz por mim", conta o pai.

     

    No Skull Champions Girls, Esthefanny venceu Paula Vivianne  aos 45 segundos do terceiro round
    No Skull Champions Girls, Esthefanny venceu Paula Vivianne aos 45 segundos do terceiro round | Foto: Reprodução/ Facebook Skull Champions Girls

    A ajuda literalmente caiu como uma luva para Esthefanny, que rapidamente teve seu potencial reconhecido. "No segundo treino, ela já queria treinar. Colocamos ela para os primeiros passos e rapidamente vimos que levava jeito. Então, demos asas para quem queria voar. Ela falou que queria, expliquei que treino para lutar era outra coisa, mas ela colocou na cabeça e começou", diz Carvalho. 

    Talento que vem de berço

    Aos 13 anos, a "Demolidora" mostra fácil assimilação dos movimentos e boa desenvoltura com os golpes
    Aos 13 anos, a "Demolidora" mostra fácil assimilação dos movimentos e boa desenvoltura com os golpes | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Em meio à missão de ajudar o pai a continuar "na linha" para perder peso, Esthefanny começou a se desenvolver no esporte - que já tem renome no Brasil, com lendas consagradas como Maguila, na década de 1980, e Popó, na nos anos 90. Ela conta que também tem influência do pai, que, além de ensinar golpes e técnicas fora da academia, "respira" luta.

    "A minha adaptação no boxe foi tranquila, meu pai me ensina muito também.  Ele lutou karatê por 12 anos e agora faz boxe também. Em casa é só luta o tempo todo, inclusive acompanho as competições pela televisão e me inspiro muito nele - que é um guerreiro e tem muita dedicação", conta ela.

    Apenas 3 meses após começar a treinar, Esthefanny competiu pelo Skull Champions Girls
    Apenas 3 meses após começar a treinar, Esthefanny competiu pelo Skull Champions Girls | Foto: Reprodução/ Facebook Skull Champions Girls

    Para conseguir atingir o patamar que muitos lutadores levam anos para conquistar, sendo dona de um cinturão, a lutadora conta que a rotina rígida é a fórmula para o sucesso. "Acordo umas 6h, vou para o colégio, volto umas 12h, almoço, faço as tarefas e dou um descanso de uma hora. Depois disso, vou para a fábrica de polvilho, broas e salgados, onde ajudo meus pais e, umas 17h, me troco e vou para a academia, onde fico até perto das 20h. No sábado também treino por 1h30", revela a atleta.

    Na modalidade boxe, na categoria até 66 kg, Esthefanny venceu a luta e conquistou o cinturão
    Na modalidade boxe, na categoria até 66 kg, Esthefanny venceu a luta e conquistou o cinturão | Foto: Reprodução/ Facebook Skull Champions Girls

    Ex-jogador de vôlei, atuando inclusive na Seleção Amazonense, Clenerson revela que gostaria que a filha seguisse os seus passos no esporte, mas nunca despertou interesse. Após ver Esthefanny indo para o boxe, ele também acompanha os passos da pequena Jhennifer, que aos 8 anos divide o interesse pela luta com o basquete. "Se não é algo errado, temos que apoiar nossos filhos", diz.

    "Volta e meia a mais nova vai acompanhar os treinos, tem a própria luva que pediu de presente de Natal ao invés de uma boneca. Ela sabe alguns golpes básicos, mas ainda não se empolgou. Tudo tem um momento, não podemos ultrapassar isso porque ela diz que gosta muito do basquete", ressalta o pai.

    Skull Champions Girls

    A primeira edição do Skull Champions Girls ocorreu no último dia 7, às vésperas do Dia Internacional da Mulher
    A primeira edição do Skull Champions Girls ocorreu no último dia 7, às vésperas do Dia Internacional da Mulher | Foto: Reprodução/ Facebook Skull Champions Girls

    Com o tema “Uma mulher deve ser duas coisas: quem e o que ela quiser”, o Skull Champions Girls é o primeiro evento exclusivamente feminino da região Norte. Neste ano, a competição foi realizada na véspera do Dia Internacional da Mulher.

    O torneio contou com nove lutas no total, sendo três disputas de cinturão nas categorias MMA (Artes Marciais Misturadas - na tradução literal do inglês), Boxe e Kickboxing. Para Esthefanny, que lutou na categoria até 66 kg, o maior legado que a competição exclusiva deixa é a importância da representatividade. 

    "Achei muito boa a iniciativa da competição, é muito difícil fazer um card só de mulheres como aconteceu no evento. A representatividade das mulheres no mundo da luta é muito pequena, então fazer um evento exclusivo para as mulheres nesse país, com a sociedade que temos, é muito significativo", afirma a boxeadora.

    Se não fosse pelo Coronavírus, Esthefanny lutaria pela terceira vez na carreira pelo evento Jungle Fight, em Manaus
    Se não fosse pelo Coronavírus, Esthefanny lutaria pela terceira vez na carreira pelo evento Jungle Fight, em Manaus | Foto: Reprodução/ Facebook Skull Champions Girls

    Carvalho diz ter acompanhado a organização do evento de perto, considerando a participação da "Demolidora" no evento. Para ele, existiram alguns problemas, mas nada que fosse suficiente para pôr em risco uma competição de tamanha importância. Com a expectativa de que o Skull Champions Girls entre no calendário oficial de eventos de luta na capital amazonense, o pai revela a emoção de acompanhar o primeiro pódio de Esthefanny.

    "Participei e participo dos treinos dela e foi muito emocionante vê-la ganhar. Fui atleta também e sei o quanto é bom treinar e conquistar nossos objetivos. Me senti muito orgulhoso e nervoso por ser a primeira luta dela, mas se comportou muito bem. Já tenho orgulho pela pessoa que ela é, então ver o destaque no mundo dos esportes também foi muito legal", destacou orgulhoso.