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    Coronavírus


    Restrição à Ponta Negra é 'medida drástica', diz infectologista

    Segundo o diretor de Assistência Médica da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Antônio Magela, restrição do acesso é medida drástica

     

    À imagem de outros Estados, que fecharam a praia pelo coronavírus, praia da Ponta Negra pode trazer malefícios aos banhistas
    À imagem de outros Estados, que fecharam a praia pelo coronavírus, praia da Ponta Negra pode trazer malefícios aos banhistas | Foto: Altemar Alcantara/ Semcom

    Manaus - Como medida para frear o avanço da epidemia do novo coronavírus, três Estados litorâneos restringiram o acesso da população às praias. Pelas riquezas naturais do Amazonas, a expectativa de restrição a estes espaços também entra em pauta, mas segundo o infectologista e diretor de Assistência Médica da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Antônio Magela, a restrição é uma medida drástica.

    São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina já determinaram regras para que turistas não tentem passar a quarentena na praia. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, determinou que a partir deste sábado (21), o acesso às praias da Cidade Maravilhosa está suspenso.

     

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    Quando questionado sobre uma possível proibição do acesso a esses espaços públicos, Magela acha prudente esclarecer que, até o momento, as principais preocupações em relação ao contágio viral são na transmissão pela proximidade. Portanto, o recomendável é permanecer em casa o máximo possível, pois a transmissão é majoritariamente "pela tosse, fala ou espirro".

    "Essa seria uma medida drástica, a princípio o que se está preconizando é que as pessoas evitem  aglomerações. A importância dessa ação não é com relação a água, mas em relação a transmissão pessoa a pessoa, que é causado pela aglomeração. Evidentemente existe a possibilidade do covid-19 ser transmitido pela via fecal, com partículas virais sendo eliminadas nas fezes, como outros coronavírus já conhecidos, mas isso é uma situação de risco menor", afirma o infectologista.

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     Em Manaus, espaços de lazer e entretenimento, como bares e restaurantes, já estão fechando para diminuir os índices de contágio.

    "Isso é o que chamamos de quarentena, onde pessoas que não estão doentes ficam em situação restrita. O isolamento é para quem é foco de transmissão.Conforme está sendo orientado, qualquer ambiente que gere aglomeração de pessoas deve ser evitado. É uma situação inusitada, não lembro de ver isso em outro momento da história. Evidentemente que mexe com a rotina de todos, mas é um bem comum. O objetivo é proteger a saúde de todos", afirma Magela.

     

    Caso população insista em ir à praia, infectologista afirma que poder público deve intervir
    Caso população insista em ir à praia, infectologista afirma que poder público deve intervir | Foto: Daniel Boechat

    Há pouco mais de uma semana da confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Amazonas, as atualizações indicam para 12 casos notificados como suspeitos, sendo 8 descartados e 4 em investigação. Dos casos suspeitos, 3 são em Manaus e 1 no município de Parintins. 

    "Há uma projeção, das mais pessimistas, de que a crise dure em torno de 5 meses. A nossa expectativa é que a curva epidemiológica possa se achatar, não apareçam muitos casos em um curto espaço de tempo para que não pegue o sistema de saúde despreparado. Isso não está acontecendo, estamos nos preparando desde o início da epidemia na China. Temos nossos planos de contingência, estamos organizando a rede de assistência projetando uma situação ruim, mas fazendo de tudo para que ela não aconteça", conclui o infectologista.