Fonte: OpenWeather

    Seleção Brasileira


    Karateca faixa preta representa o Amazonas na seleção brasileira

    Faixa preta desde os 10 anos, Carlos Eduardo Faria, karateca de 14 anos, ocupa o topo do ranking brasileiro

    Faixa preta desde 10 anos, Carlos Eduardo Faria, karateca de 14 anos, é um dos representantes do Amazonas na seleção brasileira
    Faixa preta desde 10 anos, Carlos Eduardo Faria, karateca de 14 anos, é um dos representantes do Amazonas na seleção brasileira | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Único brasileiro a disputar duas finais no Pan-Americano de Karatê, sagrando-se campeão em uma modalidade e vice na outra - na Cidade de Guayaquil no Equador - Carlos Eduardo Faria é um jovem talento entre os representantes do Amazonas na seleção brasileira da modalidade.

    Aos 14 anos, ele está no topo do ranking brasileiro nas modalidades Kata (luta imaginária) e Kumitê (luta real eliminatória). Ele venceu a seletiva brasileira nas duas modalidades - em Natal (RN), de 6 a 8 de março - para representar o país no Campeonato Sul-Americano, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

    “A seletiva foi uma experiência muito boa. Foi minha segunda vez tentando, completei 14 anos ano passado, então foi a minha primeira vez na nova categoria [Cadete] e consegui a vaga, tanto em kata, quanto em kumitê. Os atletas agora são maiores que eu, então consegui provar para quem não acreditava em mim, que cheguei para ser o dono da categoria”, afirma ele, confiante.

    Carlos Eduardo durante a disputa do Pan Americano em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia
    Carlos Eduardo durante a disputa do Pan Americano em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Filho de militar, Carlos divide os holofotes no Amazonas com a irmã, Nathália Faria, outra super estrela do karatê. Os dois começaram a treinar juntos na academia Hien Kan, localizada na Vila Militar Ajuricaba, situada no bairro São Lázaro, Zona Sul de Manaus.

    “No início do karatê eu não gostava muito, meu pai veio malhar na academia do clube e trouxe eu e minha irmã para vermos o treino. Fizemos aula experimental e cheguei a dizer que queria sair. Até a faixa verde tinha receio, gostava mesmo de jogar bola”, conta ele.

    Os irmãos Carlos Eduardo e Nathália Faria são os dois líderes nos rankings brasileiros
    Os irmãos Carlos Eduardo e Nathália Faria são os dois líderes nos rankings brasileiros | Foto: Lucas Silva

    Apesar do começo incerto, o atleta contou com apoio da família e de seu mestre (e presidente da Federação Amazonense de Karatê), Washington Melo, para chegar rapidamente à faixa preta, com incríveis 10 anos de idade. “Meu pai disse que depois de ter começado, deveria terminar, ir até à faixa preta. Agora, que estamos nos dando bem, é diferente, gosto bastante”, afirma.

    De personalidade forte e cabeça decidida, Carlos revela que a rivalidade entre os irmãos acontece (de maneira sadia), mas eles não deixam passar da porta de casa - na Hien Kan, trabalham em harmonia. “A gente se ajuda bastante. Eu tenho uma qualidade que ela não tem, e vice-versa”, diz.

    “O que me ajudou muito a continuar treinando é que eu ficava em 2º ou 3º lugar nas competições e a Nathália sempre ganhava tudo, tanto que ganhou o prêmio de atleta revelação no primeiro campeonato que disputou. Eu pensava que não poderia ficar atrás, queria ficar no nível dela, então comecei a me motivar mais, me dedicar mais até chegar a ganhar as competições”, lembra o jovem atleta.

    Carlos Eduardo foi campeão nas modalidades Kata e Kumitê na 1ª Etapa do Campeonato Brasileiro de Karatê, em Natal (RN)
    Carlos Eduardo foi campeão nas modalidades Kata e Kumitê na 1ª Etapa do Campeonato Brasileiro de Karatê, em Natal (RN) | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Motivado pelos resultados, que por sinal não param de chegar, Carlos Eduardo define um objetivo na carreira ainda incipiente: o título de campeão do mundo. Para isso, treina todos os dias, com exceção dos domingos, se inspira na irmã e já define preferências.

    “Minha maior inspiração é minha irmã. Depois, vem a minha técnica, Renata, que sempre me ajudou em tudo dentro e fora do karatê. Só paro depois de vencer um campeonato mundial em qualquer uma das modalidades. O kumitê sempre me atraiu mais, gosto mais de porrada mesmo”, afirma o lutador.

    Com preferência pelo Kumitê, que envolve o combate físico em si, Carlos Eduardo se inspira na irmã para evoluir no Kata
    Com preferência pelo Kumitê, que envolve o combate físico em si, Carlos Eduardo se inspira na irmã para evoluir no Kata | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Agora, o jovem lutador aguarda as definições que virão após a pandemia do coronavírus para definir os próximos torneios. Caso continue no topo do ranking na categoria Cadete (14 a 15 anos), Carlos Eduardo terá a chance de disputar o torneio mundial pela primeira vez e dar continuidade ao sonho.

    “Comecei no karatê perdendo muito, no primeiro Brasileiro nem classifiquei. Mas o sensei [meu instrutor] tem a frase ‘voltar para a prancheta de desenho’, que significa se recuperar e voltar a treinar com tudo para o próximo torneio. No segundo brasileiro, fiquei em terceiro e, a partir daí, não parei mais”, conclui o jovem.