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    Basquete regional


    Time formado por amigos promove o basquete na Zona Oeste de Manaus

    Duke 76ers, time de basquete formado por amigos para representar o bairro São Jorge, na Zona Oeste de Manaus, promove a prática esportiva dos mais jovens aos mais velhos

    | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Manaus - Formado por um grupo de amigos em 13 de fevereiro de 2019, o Duke 76ers mantém viva a prática do basquete no bairro São Jorge, na Zona Oeste de Manaus, e ajuda a promover a modalidade tanto entre os mais jovens, quanto entre os mais velhos. O time é o atual campeão da Série B do Campeonato Amazonense Masculino.

    As brincadeiras de criança normalmente geram ideias que nem sempre vão para frente, como montar uma banda ou começar um time de futebol. O empresário Rafael Bruno Belleza, de 32 anos, conta que para ele e os amigos - que jogavam basquete juntos na década de 1990 -, a história teve um final (ou começo) feliz.

    "O projeto começou há um ano, porque a gente joga basquete desde a década de 90 em uma quadra do bairro, mas nunca vimos um time representando. Então resolvi montar um com os amigos, pensando em competir mesmo. Como foi o nosso primeiro ano, tivemos que disputar a série B e nossa intenção sempre foi e ainda é priorizar os atletas do bairro São Jorge", conta Rafael.

    Foto da conquista do Campeonato Amazonense Série B, com presente e futuro do Duke 76ers
    Foto da conquista do Campeonato Amazonense Série B, com presente e futuro do Duke 76ers | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Longe da Filadélfia (EUA), os 76ers de Manaus vivem a ascensão tanto na modalidade adulto, onde há maior diversidade na idade dos atletas, quanto no Master. Além dos 12 moradores do São Jorge que começaram o time em 2019, mais cinco atletas de outros bairros chegaram para reforçar o Duke na Série A do Estadual. 

    "Agora trouxemos pessoas que jogavam em outros times. Com a parada estou tendo tempo de conversar com outros atletas. Eu, por exemplo, só vou jogar o Master, não quero mais jogar o adulto, então nossos atletas mesclam um pouco as idades", esclarece Rafael Belleza.

    A base

    Rafael revela a realidade onde os times não lucram e apenas gastam com as competições que participam.

    "Em Manaus não existe basquete profissional, a gente paga para jogar", afirma. Para isso, o empresário começou a organizar campeonatos no bairro da Zona Oeste e percebeu o grande número de jovens de 16 a 19 anos que se interessavam pelo basquete. O interesse despertou nele a iniciativa de montar divisões inferiores.

    "Essa é minha maior vontade, já até participamos da primeira rodada do Estadual sub-17, já estávamos colocando a molecada para jogar. Quero que eles tenham mais acesso ao esporte, que pratiquem mais. Minha intenção era fazer um time de categorias de base da Duke. Nos campeonatos arrecadamos dinheiro para repassar aos meninos porque precisamos ter um caixa para inscrições, árbitros, entre outros. Os meninos são da periferia do bairro", conta Belleza.

    Time da base, antes da formação das divisões inferiores do Duke 76rs
    Time da base, antes da formação das divisões inferiores do Duke 76rs | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    André Luiz Nascimento Costa, de 17 anos, começou a jogar basquete quatro anos atrás, inspirado pelos grandes lances plásticos da Liga Nacional de Basquete Americana (NBA). Após conhecer Rafael enquanto jogava na praça, André virou admirador dos 76ers. Ele comparece aos jogos sempre que possível e espera conseguir representar o bairro dentro das quadras.

    "A gente sempre joga  na praça, os mais velhos sempre falam sobre representar o bairro jogando as competições de basquete daqui de Manaus e, com isso, a gente fica com vontade de jogar, de ter uma chance para mostrar que também podemos jogar pelo time. Seria uma nova experiência, o projeto pode nos ajudar a ter mais responsabilidade e foco", diz o jovem atleta.

    André Luiz Nascimento Costa, de 17 anos
    André Luiz Nascimento Costa, de 17 anos | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Ainda sem time para jogar quando as competições esportivas forem restabelecidas, André Luiz conta que gosta de disputar os torneios organizados no bairro. Ele já participou de três campeonatos pelo ginásio "Berg" e revela a expectativa para a continuidade do projeto com o Duke 76ers.

    "Estamos com a expectativa alta para esse projeto do Rafael, pois até começar o projeto das categorias de base ainda não tinha time pra jogar", diz.

    Com o passar do tempo, além da reformulação do Duke, a proposta de Rafael para as categorias de base é que abarquem não só os torcedores mirins que acompanham o time nos ginásios, mas também aqueles atletas que precisam percorrer grandes distâncias (sem condições financeiras) para poderem praticar a modalidade.

    O fundador dos 76ers destaca também que a iniciativa com os jovens serve também como função social, já que é mais uma atividade como alternativa em oposição à vida do crime e pode funcionar como mecanismo de edificação moral e aproximação com a família.

    "Ver as crianças jogando, longe das coisas ruins é sempre muito bom. Outro objetivo do projeto seria aproximar os pais dos filhos. Dessa forma, nós pedimos a participação de todos no projeto, com declarações e tudo mais", conta.

    As raízes

    "O Belleza, ou mau mau para os mais íntimos, cresceu vendo a gente jogar basquete", conta João Manoel Pereira Lima, de  43 anos. Ele é um dos fundadores do time "original" e  faz parte do time dos "quarentões", formado como um braço do Duke 76ers para disputar os torneios Masters. 

    João conta que em 1996, ele e os amigos resolveram montar um time para representar o bairro, assim como foi o caso de Rafael em 2019. Porém, ainda que não tenham parado de praticar o esporte, as vidas dos componentes tomaram rumos diversos, fazendo com que a ideia não se desenvolvesse. 

    "De modo geral, nossa união é em prol do basquete. Tem até alguns mais velhos que estão iniciando agora. O basquete está crescendo no bairro São Jorge. Hoje, com a cabeça mais madura, procuramos com que o basquete evolua. Então, apoiamos iniciativas como a do Rafael porque são um benefício, não só para o esporte, mas também para a saúde e para tirar pessoas da marginalidade", afirma João Manoel.

    Time dos ""quarentões" do Duke 76ers
    Time dos ""quarentões" do Duke 76ers | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Para Rafael Belleza, o principal objetivo do projeto é o benefício que ele proporciona longe dos torneios. Não que vencer seja irrelevante, mas o empresário destaca a tríade que articula presente, passado e futuro como o mais relevante de todo o projeto com o Duke 76ers. 

    "A idade vai passando, os dias também e nós, que jogamos muito e vivemos esporte desde criança, vamos fincando sedentários. O que mais me deixa feliz é ver esses caras mais velhos jogando. Dá uma satisfação muito grande. É muito bonito juntar quem te ensinou a jogar, com os amigos que você joga, tentando levar isso às novas gerações", destaca Belleza.

    No ano de estreia em torneios oficiais, o Duke 76ers conquistou o Campeonato Amazonense de Basquetebol Masculino de 2019
    No ano de estreia em torneios oficiais, o Duke 76ers conquistou o Campeonato Amazonense de Basquetebol Masculino de 2019 | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Apesar de valorizar e dar apoio no desenvolvimento do Duke, João Manoel ressalta que é importante que seja "apenas o estopim". Ele, que acredita em uma ascensão do basquete na Região Norte, destaca também os outros pontos positivos que observa da iniciativa para um cenário mais amplo da modalidade

    "O Rafael é um estopim, sabe o quanto o esporte ajuda os outros com questão de disciplina e formação pessoal de cada um. Os benefícios são muitos, a começar pela minha saúde. Também pela participação direta no que a gente gosta [basquete], além de ver outros jovens gostando e crescendo no esporte. Assim como temos as categorias de base para o futebol, precisamos para o basquete. É fundamental formar jogadores, pensando no bem maior, é muito positivo para o Brasil", afirma o atleta.