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    Brasileirão


    'Futebol com portões fechados não é a solução', avaliam atletas do AM

    A Série D do Brasileirão tem previsão de início em maio, mas jogadores de Nacional FC, Manaus FC e Fast Clube temem volta do futebol em meio à pandemia e não confiam em jogos com portões fechados

    | Foto: Lucas Silva/ Em Tempo

    Manaus - O Campeonato Amazonense está paralisado desde o dia 17 de março, mas o movimento para a retomada das atividades do futebol brasileiro ganhou força nessa semana. Às vésperas da previsão de início da Série D do Brasileirão (3 de maio) e logo depois a Série C, os jogadores de Manaus FC, Nacional FC e Fast Clube, os três times amazonenses na competição, prezam pela suspensão temporária do torneio e não confiam em jogos com portões fechados.

    Com a Série D do Brasileiro "batendo à porta", já que começaria no próximo dia 3 de maio, com um torneio pré-classificatório, o meio campista Willian Sarôa, de 32 anos - que teve a quarta passagem defendendo as cores do Fast Clube em 2020 - alega que "o Brasil respira futebol, mas não é momento de voltar. O principal é a vida, futebol pode voltar daqui alguns meses, mas a vida não".

    O meio campista Willian Saroa tem quatro passagens pelo Fast e dois vice-campeonatos
    O meio campista Willian Saroa tem quatro passagens pelo Fast e dois vice-campeonatos | Foto: Leonardo Mota

    Ele, que também jogou com a camisa tricolor em 2017, 2018 e 2019 - totalizando 46 partidas disputadas e 12 gols marcados no período - foi duas vezes vice-campeão estadual pelo clube. Quando questionado sobre a retomada das competições esportivas com portões fechados, ele afirma que não diminuiria o risco de contágio, pois os jogadores estarão em contato físico frequentemente.

    "Eu acredito que o momento não é propício para a volta do futebol. Nós, atletas, precisamos e queremos que volte o mais rápido possível, mas acredito que não seja a hora de voltar em nenhum estado, ainda mais falando do Amazonas, principalmente na capital Manaus, onde a situação está bem mais complicada do que nos outros lugares. Então, eu acredito que seja melhor esperar mais um pouco até que se normalize e consigam controlar essa situação no Brasil", completou o meio campista.

    Comemoração característica do artilheiro Luizão, camisa 9 do Fast Clube
    Comemoração característica do artilheiro Luizão, camisa 9 do Fast Clube | Foto: Divulgação

    Luizão, artilheiro do Campeonato Amazonense com seis gols ao lado de Daivison, do Amazonas FC, também defende que a volta aos gramados seja substituída pela permanência dentro de casa. O centro-avante do Rolo Compressor afirma que só será a favor do início do Brasileirão "se a pandemia tiver minimizada".

    "Sei que a gente precisa trabalhar, temos contas para pagar, mas em primeiro lugar vem a nossa saúde, dos nossos companheiros e familiares. O risco [de contágio] para a gente sempre vai ter, podemos sempre nos cuidar, mas nunca vamos saber como o outro está se comportando fora de campo. Então, por isso, sou contra a volta até a pandemia estar quase toda minimizada", afirma ele.

    Lateral polivalente, Bernardo está em Araxá (MG), onde continua treinando o condicionamento físico
    Lateral polivalente, Bernardo está em Araxá (MG), onde continua treinando o condicionamento físico | Foto: Divulgação

    O lateral Bernardo, do Nacional FC, revela que compreende os motivos dos movimentos para a volta dos torneios. Para ele, tem o lado dos pais de família que precisam trabalhar e o lado da prevenção. Ele voltou para Araxá, no interior de Minas Gerais, assim que o campeonato foi suspenso, no meio do mês de maio.

    "Eu acho que seria um risco a volta agora também para nós, jogadores. Não ter torcida? Tudo bem, portões fechados impedem o contágio dentre os torcedores. Mas os atletas, dentro do campo, teriam uma chance de propagação de 100%, tanto os jogadores quanto o árbitro. Não tem uma forma de conter o vírus dentro de campo", ressalta o atleta polivalente do Naça.

    Manaus FC #DeCasa

    Diogo Dolem e Rossini, dupla de "xodós" do Manaus FC, também se posiciona a favor da permanência da suspensão. O time estrearia na Série C no próximo dia 3 de maio, mas atualmente aguarda a diminuição do estado de contágio do vírus e uma resposta da CBF sobre o início das competições. 

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    Dolem revela que "a vontade e a saudade são grandes, mas nesse momento é preciso pensar de uma outra maneira". O atacante do Gavião do Norte também acredita que a realização dos jogos sob portões fechados mudaria muito pouco na situação dos jogadores. "É uma incógnita muito grande tudo isso, esperamos que a pandemia passe e voltemos a fazer a alegria do nosso torcedor novamente", afirma.

    Rossini, camisa 10 e um dos principais jogadores do Manaus FC, diz que os atletas não veem a hora de voltar, mas o momento é de confiar nos profissionais da saúde. "A situação é séria, a CBF [Confederação Brasileira de Futebol] tem excelentes profissionais que, com certeza, estão monitorando a situação do coronavírus e a gente espera que tudo possa ser resolvido e possamos voltar o mais breve possível", disse o meia.

    | Foto: Lucas Silva/ Em Tempo

    O volante Derlan pede "que a CBF olhe com o maior carinho" para a volta do futebol com a situação atual da saúde. Ele reconhece que não é fácil cumprir as medidas de isolamento social, ainda mais para aqueles que precisam do sustento para as famílias. "Que a CBF possa esperar mais um pouco, para acalmar a situação do vírus e espero que o futebol volte para os estádios lotados com todos os torcedores apaixonados", completou o jogador do Gavião do Norte.

    O volante Derlan, do Manaus FC, aconselha os torcedores a ficarem em casa e seguirem as recomendações dos profissionais de saúde
    O volante Derlan, do Manaus FC, aconselha os torcedores a ficarem em casa e seguirem as recomendações dos profissionais de saúde | Foto: Lucas Silva/ Em Tempo

    Futebol Brasileiro

    Desde segunda-feira (27), clubes da Série A do Brasileirão, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e algumas federações de futebol estão discutindo a retomada dos treinos a partir da primeira semana de maio. Alguns jogadores dos clubes da Série A demonstraram medo diante do cenário de saúde atualmente, conforme alega a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) - que representa os jogadores nacionalmente.

    "A reação dos jogadores tem sido de medo. Eles estão com medo. Atletas profissionais em geral são jovens, recém-casados, têm filhos pequenos. Eles têm medo de trazer a doença para casa", afirmou o presidente da entidade Felipe Augusto Leite.

    Buscando estabelecer um caminho a ser seguido pelas equipes brasileiras no atual contexto, a CBF e a Comissão Nacional de Clubes (CNC), órgão estatutário da entidade e de atuação independente, se reuniram por videoconferência na última terça-feira (28).

    Segundo nota emitida pela CBF após o evento, considerando “o fim das férias coletivas dos atletas no próximo dia 30 de abril, ficou definido, por unanimidade, que cada clube, avaliando o cenário, poderá retomar os treinamentos de seu respectivo plantel”. Fluminense e Botafogo são exemplos de clube que estudam a volta dos treinos em breve e você confere clicando aqui.