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    Relembre


    Há um ano, Vasco e Corinthians empatavam em 1 a 1 na Arena da Amazônia

    Jogo marcado por polêmicas e "lei do ex" foi assistido por mais de 25 mil torcedores no principal estádio de futebol da capital amazonense

    Há um ano, Vasco e Corinthians empatavam em 1 a 1 na Arena da Amazônia
    Há um ano, Vasco e Corinthians empatavam em 1 a 1 na Arena da Amazônia | Foto: Rafael Ribeiro/ Vasco da Gama

    Manaus - Vasco e Corinthians se enfrentavam na Arena da Amazônia, no bairro Flores, Zona Centro-Sul de Manaus, há um ano, exatamente no dia 4 de maio de 2019. Em jogo marcado pela "lei do ex" e por polêmicas, ainda na terceira rodada do Campeonato Brasileiro, os dois times empataram em 1 a 1 diante de 25.779 torcedores.

    Após Mateus Vital aplicar a "lei do ex" e colocar o Timão na frente, o Cruzmaltino reagiu ainda no primeiro tempo e deixou tudo igual com Máxi López, de pênalti. Em 78 jogos com a camisa do Corinthians, Vital marcou quatro vezes, sendo duas delas contra o Vasco, clube que o revelou. 

    O Corinthians, comandado pelo técnico Fábio Carille, ocupava a 10ª posição na tabela, com uma derrota na estreia, para o Bahia, e uma vitória contra a Chapecoense. A partida marcou a 12ª aparição em jogos oficiais do Timão na capital amazonense, sendo apenas a terceira na Arena da Amazônia: no total são seis vitórias, quatro empates e duas derrotas.

    Já o Cruzmaltino, chegou à 6ª partida oficial na Arena ocupando o último lugar na tabela e em busca dos primeiros pontos no Campeonato Brasileiro, após sair derrotado nas duas primeiras rodadas para Athlético Paranaense e Atlético Mineiro.

    Além deste empate há um ano em Manaus, foram outros dois em 2014, contra Resende e Oeste e três vitórias em 2016, diante de Fluminense - quando foi campeão da Taça Guanabara -, Flamengo e Londrina.

    Os times

    O Vasco, com o técnico Marcos Valadares, foi a campo com o estreante Sidão no gol, Claudio Winck, Luiz Gustavo, Ricardo e Danilo Barcelos; Lucas Mineiro, Raul e Yan Sasse; Rossi, Yago Pikachu e Maxi López. Os desfalques foram o zagueiro Werley, o atacante Marrony e o volante Felipe Bastos.

    Já o Corinthians foi escalado com Cássio, Michel, Marllon, Pedro Henrique e Carlos Augusto; Richard, Ralf, Jadson e Mateus Vital; André Luis e Vagner Love. Danilo Avelar, Henrique, Júnior Urso e Gustagol foram os desfalques para a partida.

    Tensão entre as torcidas

    Vasco e Corinthians têm histórico de confrontos nas torcidas
    Vasco e Corinthians têm histórico de confrontos nas torcidas | Foto: Rafael Ribeiro/ Vasco da Gama

    O histórico do confronto é marcado por tensões, principalmente entre os integrantes das torcidas. O episódio mais famoso ocorreu em 25 de agosto de 2013, em Brasília. Após empate em 1 a 1, torcedores das duas equipes brigaram entre si e arrancaram cadeiras do Estádio Mané Garrincha. 

    Pressionado pelo início ruim, o time carioca foi abordado por torcedores integrantes de torcidas organizadas no Aeroporto Eduardo Gomes. Além de apoiar o time para a partida, os torcedores também cobraram jogadores e membros da diretoria. No fim do Campeonato Brasileiro, o Vasco acabou na 12ª posição, com 49 pontos.

    Torcida Força Jovem Vasco conversando com a comissão técnica do clube carioca no aeroporto
    Torcida Força Jovem Vasco conversando com a comissão técnica do clube carioca no aeroporto | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Em vídeo divulgado por torcedores no local, é possível ouvir uma pessoa xingando o lateral Yago Pikachu e em retaliação, o jogador desferiu um soco. Pikachu justificou após, em nota, que o torcedor atirou objetos em direção a ele.

    "Sempre acreditamos no Vasco, porém o clima estava tenso... Fomos ao aeroporto, fizemos a nossa tradicional festa, mas também fomos exigir respeito! Nosso papel de torcedor nós sabemos qual é, apoiamos até o fim e por pouco a vitória não veio", diz Mateus Magalhães, o líder da Força Jovem Vasco (FJV) da 26ª Família em Manaus.

    Espetáculo dentro e fora de campo

    Apesar do clima de tensão, dentro e fora do estádio o espetáculo ocorreu sem extrapolar os conformes. "Sabíamos que seria tenso, então tivemos uma preparação antes para ficar de olho. Nunca fomos de briga, confusão, tanto que trouxeram a Estopim para Manaus, por não ter esse envolvimento com brigas", conta Weber Guimarães da Silva, de 31 anos.

    Reunião das torcidas organizadas do Corinthians antes da partida
    Reunião das torcidas organizadas do Corinthians antes da partida | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Participante da torcida corinthiana "Estopim Manaus" há sete anos, mas líder há pouco mais de um, Weber é torcedor fanático do Corinthians, participando dos jogos em Manaus tanto da equipe masculina, quanto da feminina, nos jogos contra o EC Iranduba pelo Brasileirão Feminino Série A-1.

    "Ficamos de olho em tudo, mas tivemos uma ação antes do jogo ,com feijoada e pagode na nossa sede, o pessoal da Fiel Roraima veio com bastante gente também, tivemos que ir com dois ônibus para o estádio e, no final, tudo correu bem", conta Weber.

    Weber Guimarães (à esquerda), nas vésperas do jogo
    Weber Guimarães (à esquerda), nas vésperas do jogo | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Carlos Silva, de 31 anos, vice-presidente e diretor de comunicação da torcida Vasboêmios, em Manaus, também relata que o pré-jogo foi o momento de união com os torcedores de outros estados. Segundo ele, apesar do público abaixo dos outros jogos do time na capital, a festa foi bonita fora e dentro da Arena da Amazônia.

    "Veio uma caravana de amigos de Roraima, nos reunimos para a recepção junto com os amigos do Rio de Janeiro. Reunimos antes do jogo em um bar ao lado da Arena, onde ficamos cantando várias músicas de estádios. Estávamos bastante animados, mas pelas circunstâncias do jogo, com a indecisão da confirmação e o valor do ingresso, o público esperado era em torno de 20 ou 30 mil no máximo", diz.

    Carlos Silva, da Vasboêmios, na Arena da Amazônia
    Carlos Silva, da Vasboêmios, na Arena da Amazônia | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    De acordo com Mateus Magalhães, da FJV, foram aproximadamente dois mil torcedores vascaínos andando desde da torcida organizada - localizada na rua Pará, no bairro São Geraldo, entre as avenidas Constantino Nery e Djalma Batista  - até à Arena da Amazônia, já em clima de festa.

    O jogo

    Os quase 26 mil torcedores que compareceram para o espetáculo fizeram valer a oportunidade de ver o time de coração de perto. Com a venda dos mandos de campo para outras localizações, como era o caso de Manaus, o sentimento de participação ativa no apoio ao time funcionou como combustível.

    "A sensação é sempre como se fosse a primeira vez, ainda mais para nós que moramos longe do estado de origem do clube. Para todos os torcedores deve ser assim. Tive que esperar 24 anos para poder ver meu time jogar de perto pela primeira vez e ainda é como se fosse a primeira. A empolgação é a mesma, as horas antes do jogo, a aflição, a ansiedade", relata Weber Guimarães.

    O jogo Vasco x Corinthians recebeu 23.954 pagantes, com 25.779 pessoas presentes na Arena da Amazônia
    O jogo Vasco x Corinthians recebeu 23.954 pagantes, com 25.779 pessoas presentes na Arena da Amazônia | Foto: Rafael Ribeiro/ Vasco da Gama

    Empurrado pela torcida manauara, maioria na Arena da Amazônia, o Vasco emplacou um ritmo intenso e pressionou o Corinthians logo no início de jogo. Aos dois minutos, em cobrança rápida de escanteio, o Cruzmaltino assustou com o zagueiro Luiz Gustavo. Ele apareceu como elemento surpresa e finalizou rente ao travessão de Cássio.

    Após segurar a pressão vascaína, o Timão respondeu e contou com a "lei do ex" para abrir o placar aos 16 minutos da primeira etapa. O "ex-vascaíno" Mateus Vital recebeu a bola pela esquerda, após saída de bola ruim do adversário, se livrou de dois jogadores com facilidade e bateu cruzado: 1 a 0. 

    "Não foi muito maneiro ver o moleque cria do Vasco fazer um gol que complicaria bastante a gente, e logo em Manaus, que tem uma torcida tão grande do Vasco. Geralmente quando ele pegava na bola, era vaiado, outros até xingavam", conta Carlos Silva.

    Metade dos gols de Mateus Vital com a camisa do Corinthians foram contra o Vasco
    Metade dos gols de Mateus Vital com a camisa do Corinthians foram contra o Vasco | Foto: Divulgação

    Sem diminuir o ímpeto ofensivo, o Cruzmaltino continuou em cima, ficou no "quase" mais uma vez com Luiz Gustavo, de cabeça aos 34 minutos, mas alcançou o empate aos 39 minutos da primeira etapa, em jogada polêmica. Após boa troca de passes pela direita, Rossi recebeu em profundidade e foi derrubado por Carlos Augusto já dentro da área. 

    O árbitro Rodrigo D'Alonso Ferreira, no entanto, não assinalou a infração no primeiro momento. "Na hora a gente nunca acha que é, até porque sempre vamos achar que o árbitro está roubando nosso clube de coração. A gente xinga ele, a mãe dele e tudo, mas depois revendo eu percebi que foi pênalti sim", revela Weber, que tão confuso quanto o árbitro, não teve o auxílio do VAR, que possibilitou corrigir o erro e marcar a penalidade máxima para o Vasco ainda na primeira etapa.

    Máxi López, do Vasco, marcou o gol de pênalti aos 39 do primeiro tempo
    Máxi López, do Vasco, marcou o gol de pênalti aos 39 do primeiro tempo | Foto: Rafael Ribeiro/ Vasco da Gama

    Calmamente, com os passos precisos que a torcida vascaína certamente se lembra, o argentino Máxi López foi para a cobrança. O centroavante acertou todas as sete que fez pelo Vasco: quatro em 2018, outras três em 2019. Naquele dia, deslocou Cássio para a direita e mandou a bola para a esquerda: 1 a 1 no placar. 

    O Corinthians voltou melhor para o segundo tempo da partida, mas errava muito quando se aproximava do gol, sem conseguir levar perigo para a meta do estreante Sidão. Já o Vasco, quase conseguiu a virada aos dois minutos, no chute de Rossi e o rebote de Pikachu. 

    Carille reagiu, colocando Clayson, Pedrinho e Ramiro em campo, nos lugares de Vital, André Luís e Richard, mas o goleiro Cruzmaltino seguiu sem fazer uma única defesa o jogo todo, já que a única bola que foi na direção do gol, morreu no fundo das redes.

    Já o Vasco tentou com Bruno César no lugar de Yago Pikachu, e Jairinho na vaga de Yan Sasse, mas também não conseguiu assustar. "Por ter levado mais perigo, acho que merecíamos a vitória, mas no final o resultado acabou sendo justo", reconhece o vice-presidente da Vasboêmios.