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    Em meio à crise, Vasco encerra Departamento de Esportes Paralímpicos

    Em meio à crise da Covid-19, Vasco anuncia decisão de encerrar o Departamento de Esportes Paralímpicos

    Decisão foi apresentada pelo Conselho, juntamente com o presidente Alexandre Campello
    Decisão foi apresentada pelo Conselho, juntamente com o presidente Alexandre Campello | Foto: Divulgação

    Após dez anos de existência, o Departamento de Esportes Paralímpicos do Vasco da Gama foi encerrado na última segunda-feira (11). O clube, que alega estar em crise financeira pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), já havia desligado 50 funcionários na segunda, enquanto outros 250 colaboradores cruzmaltinos tiveram os contratos suspensos no início de maio.

    “Tínhamos equipes de natação, futebol de sete e vôlei sentado. Existíamos de forma oficial como departamento desde 2010. A natação do clube já atuava desde 2004. Não fazíamos um trabalho social. Era um trabalho competitivo. Em 2016, nos Jogos do Rio de Janeiro, eram sete nadadores vascaínos na seleção brasileira”, lamenta a ex-coordenadora do departamento, Lívia Prates.

    Na quarta-feira (13), o Vasco se pronunciou em nota oficial. O Cruzmaltino falou que o encerramento do investimento é momentâneo, até que tenha condições de investir novamente na área. Entre salários, viagens, despesas com competição, uniformes e encargos operacionais o investimento, segundo o Vasco, era de R$ 1 milhão por ano.

    Com 12 atletas, Vasco foi base da seleção no Parapan de Lima, no Peru
    Com 12 atletas, Vasco foi base da seleção no Parapan de Lima, no Peru | Foto: Saulo Cruz/EXEMPLUS/CPB/Direitos Reservados

    Natação

    Também demitida, a ex-coordenadora Lívia Prates comenta que a natação paralímpica do Vasco (terceira maior equipe do país) era a modalidade âncora dos projetos do clube junto à Confederação Brasileira de Clubes (CBC).

    “Há quatro anos, o Vasco conseguiu, inclusive, algo em torno de R$ 1,2 milhão para a reforma da piscina. Sem falar que as últimas viagens da equipe, desde o meio do ano passado, foram bancadas do próprio bolso dos atletas. E, infelizmente, acabamos morrendo na praia, à sombra dos esportes olímpicos. Esses, sim, permanecem todos no clube apenas com a suspensão de contrato seguindo a medida provisória do Governo Federal”, afirma.

    Faziam parte do departamento 128 pessoas, entre atletas e alunos. Segundo a ex-coordenadora, até a metade de 2019 o Vasco pagava as passagens para a participação em torneios (hospedagens e refeições eram bancadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro).

    “A folha salarial total, incluindo comissões técnicas e atletas, não passa de R$ 40 mil por mês. Se esse valor for sanar a crise financeira que a 'pandemia' está gerando no clube, saímos felizes por ter ajudado o clube mais uma vez. Mas, se não for, saímos questionando a razão de apenas os deficientes precisarem deixar o clube”, questiona Lívia

    Futebol de sete

    Pentacampeão brasileiro (invicto) no futebol de sete, o Vasco era base da seleção brasileira da modalidade. O clube cedeu sete atletas à equipe nacional em 2016 e 12 nos Jogos de Lima, em 2019. “Fomos surpreendidos com essa decisão. Segundo o vice-presidente era apenas uma reunião de planejamento na segunda. E chegando lá ficamos sabendo da nossa demissão. Tentamos reverter até ontem [terça], mas não foi possível”, disse à Agência Brasil o capitão do time, Diego Delgado, que estava há seis anos na equipe.

    Vôlei sentado

    Outra modalidade que se consolidou como uma potência em nível nacional é o vôlei sentado do clube. Vice-campeão brasileiro, em 2018, e terceiro colocado, no ano passado, a equipe era também a única do estado na modalidade. “Tínhamos dois atletas de seleção, o Diogo Rebouças e o Wescley Oliveira, que foi eleito em 2018 o melhor atleta do país pelo Comitê Paralímpico. Agora, nosso futuro é totalmente incerto. Ficamos na dependência de alguma outra instituição abraçar nosso projeto”, falou o técnico da equipe, Vinícius Fernandes.