Fonte: OpenWeather

    Natação


    Nadadora Luísa Marillac adapta rotina de atleta 'multicampeã' em casa

    Invicta em competições oficiais desde a infância, a nadadora amazonense Luísa Marillac, de 20 anos, foca na saúde mental para superar a pandemia do coronavírus

    Aos 20 anos, Luísa Marillac foca na saúde mental para superar pandemia
    Aos 20 anos, Luísa Marillac foca na saúde mental para superar pandemia | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Manaus - A amazonense Luísa Marillac, de 20 anos, é atual recordista absoluta estadual nos 50m borboleta, campeã Norte desde 2012 e campeã Norte-Nordeste desde 2015, mas a principal disputa atualmente é contra a pandemia do novo coronavírus. Na reta final do curso de Enfermagem, ela comenta sobre os cuidados que vem adotando com a saúde mental e física durante a quarentena em Manaus.

    Luísa Marillac praticamente nasceu competindo. A primeira amazonense a nadar os 50m borboleta com um tempo abaixo dos 30 segundos começou nas piscinas com três anos de idade e aos dez já estava participando de competições oficiais. Ela brinca ao dizer que praticava esportes ainda na barriga da mãe. Apesar do estímulo para os tatames, foram as piscinas que a conquistaram.

    "Infelizmente ninguém na minha família é da área, mas a minha mãe foi uma das primeiras mulheres no jiu-jitsu amazonense, treinou a vida inteira, inclusive enquanto estava grávida de mim. Até tentou me levar para esse esporte, mas eu não me identifiquei. Sempre fui muito apaixonada por piscina, então era inevitável eu me tornar atleta de natação", revela Marillac.

    A nadadora participou da Copa Pacífico (Sul-americano), em 2013, 2014, 2016 e 2017
    A nadadora participou da Copa Pacífico (Sul-americano), em 2013, 2014, 2016 e 2017 | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Coronavírus

    Com a suspensão das competições esportivas em 2020, devido à pandemia do coronavírus, os planos de disputar o Troféu Brasil - Maria Lenk, que seleciona atletas para os Jogos Olímpicos de Tóquio, foram por água abaixo. No entanto, a batalha para a atleta de alto rendimento manter a saúde mental confinada em casa apenas começou.

    Sem poder utilizar, inclusive, a piscina do condomínio onde mora em Manaus, dada a situação da saúde pública, Luísa revela que ao final de cada dia tem uma conversa com a treinadora para contar como está se sentindo e listar duas coisas que trouxeram alegria, como forma de contribuir para o bem-estar psicológico.

    "Meus treinos foram suspensos assim que foi confirmado o primeiro caso em Manaus, eu ainda fiquei trabalhando por um tempo, mas depois a faculdade suspendeu os internatos. Atualmente, faço os meus treinos de parte física em casa, por vídeo chamada, com a minha técnica Lucianne Barroncas. Essa foi a forma que encontramos para manter a forma (sem riscos de lesão) e também manter a saúde mental (que é o mais importante nesse período)", destaca a atleta.

    Luísa foi medalhista de bronze na Copa Pacífico em 2013 (Lima, Peru) e em 2017 (Santa Cruz, Bolívia)
    Luísa foi medalhista de bronze na Copa Pacífico em 2013 (Lima, Peru) e em 2017 (Santa Cruz, Bolívia) | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    A nadadora conta que, além do acompanhamento com a treinadora, também realiza encontros semanais com Matheus Vasconcellos, psicólogo da equipe. "Nesse momento, o mais importante é se manter bem psicologicamente. Não adianta a pessoa estar com um físico incrível, se não estiver bem mentalmente", afirma. Para seguir a rotina de treinos virtuais à risca, ela destaca a disciplina, adquirida com anos de treinos.

    Trajetória

    Quatro vezes integrante da Seleção Brasileira de natação, Luísa Marillac acumula também quatro participações na Copa Pacífico, sendo medalhista em 2013 e 2017, no Peru e na Bolívia, respectivamente. Quando decidiu dividir a atenção que dava às piscinas com as pistas, representou o Brasil como a mais nova competidora a disputar o Mundial de Triatlhon, nos Estados Unidos, ainda aos 15 anos.

    "Eu sempre soube o que eu queria desde muito nova, então sabia que, para conseguir o que eu almejava, teria que abrir mão de algumas coisas e sempre estive disposta a isso. Comecei a faculdade aos 15 anos e não tive dificuldade em conciliar os treinos com a rotina de estudos. Sempre me dediquei tanto quanto no esporte e sempre tive uma rotina muito bem definida. O esporte sempre me ajudou a ter muita disciplina", destaca a nadadora.

    Nas piscinas desde os 3 anos de idade, ela se tornou a 1ª mulher amazonense a nadar os 50m borboleta abaixo dos 30seg
    Nas piscinas desde os 3 anos de idade, ela se tornou a 1ª mulher amazonense a nadar os 50m borboleta abaixo dos 30seg | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Inspirada no fenômeno americano Michael Phelps, além de Léo de Deus, Nicolas Santos, Chad le Clos e Katinka Hosszú, a nadadora amazonense ressalta também o apoio que recebeu dos pais para chegar até onde está. Aliado à disciplina, ela afirma que, tanto eles [os pais], quanto a equipe desportiva, são fundamentais para ser uma multicampeã. 

    "O segredo é ter foco, traçar metas e se dedicar ao máximo para que isso aconteça. Não adianta simplesmente falar 'eu quero isso', se quando chegar a hora de mostrar a pessoa fica dando desculpa ou não paga o preço. Ser atleta de alto rendimento requer dedicação total, um psicológico forte e muita força de vontade. A disciplina que o esporte requer sempre me ajudou muito em todas as outras áreas da minha vida", conta Marillac.

    Apesar do êxito dentro d'água, ilustrado pela sequência invicta que Luísa carrega desde os dez anos de idade, ela descreve como a vida de enfermeira começou a interferir na rotina dos treinos, mesmo que por um período de tempo, do final de 2019 para o começo de 2020. O dinamismo da vida urbana adulta passou a ocupar os sonhos de tornar-se competidora olímpica.

    "Foi mais complicado para mim quando comecei o internato, porque entrava às 7h no hospital e deveria sair às 13h, mas como é tudo muito imprevisível, normalmente eu saía às 15h ou até mais tarde. Eu não conseguia fazer a dieta certinha, não conseguia chegar no horário nos treinos", explica.

    Luísa Marillac esteve com a Seleção Brasileira de Natação quatro vezes e com a Seleção Brasileira de Triathlon uma vez
    Luísa Marillac esteve com a Seleção Brasileira de Natação quatro vezes e com a Seleção Brasileira de Triathlon uma vez | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Planos futuros

    A curto prazo, considerando a atual situação do Brasil com a pandemia do coronavírus, os planos de Luísa Marillac são modestos: terminar a graduação em enfermagem, ainda no primeiro semestre de 2020, e dar início aos estudos de Medicina. Enquanto os treinos nas piscinas não voltam, ela se limita a aprender também atividades produtivas para o bem-estar.

    "Eu gosto de começar o meu dia preparando o meu café da manhã, ouvindo músicas animadas. Depois tomo um banho e me arrumo como se fosse sair para algum lugar. Outra coisa que eu faço diariamente é meditar. Comecei assim que fiquei em isolamento e estou simplesmente amando. Sempre me sinto mais feliz, calma e equilibrada depois de uma sessão de meditação, acho que todo mundo devia experimentar", sugere a nadadora amazonense.

    Luísa Marillac é a atual recordista absoluta do Amazonas nos 50m borboleta
    Luísa Marillac é a atual recordista absoluta do Amazonas nos 50m borboleta | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    Para manter o contato com a realidade competitiva, meses depois da última vez em que nadou, a atleta recorda das principais participações desportivas da carreira até o momento. Dentre tantas competições, que inclusive se confundem entre as modalidades, as participações na primeira Copa Pacífico e do primeiro Troféu José Finkel se destacam.

    "A Copa Pacífico de 2013 foi a mais emocionante para mim, porque foi a minha primeira vez compondo a Seleção Brasileira e eu era a mais nova, tinha 13 anos na época. Além disso, o Troféu José Finkel de 2019 foi meu primeiro Campeonato Brasileiro absoluto e eu fui a única atleta do Norte nessa edição. Há 15 anos o Amazonas não tinha uma representante, então fiquei muito feliz por ter conseguido realizar mais esse sonho, que era o meu maior objetivo desde 2017", afirma.

    Luísa elege os 50 e 100m borboleta, juntamente com os 50 e 100m livre, como as melhores provas da natação
    Luísa elege os 50 e 100m borboleta, juntamente com os 50 e 100m livre, como as melhores provas da natação | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

    A pandemia da Covid-19 também ocasionou na suspensão de outros torneios importantes que Luísa participaria em 2020, como os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) e as copas Norte e Norte-Nordeste. Mesmo que a situação volte ao "normal", os planos de competir estão freados em prol da preocupação com a saúde e, por isso, a participação em torneios nacionais e interestaduais terá de esperar.

    "Infelizmente, nada de viagens esse ano. Só voltarei a viajar ano que vem, é o mais adequado. Mas vou participar de todas as competições locais que forem confirmadas, e pretendo participar de um olimpíada, que é o sonho de todo atleta de alto rendimento. Se eu continuar tendo apoio, fica mais fácil de lidar com tudo porque são duas coisas que devem sempre andar em conjunto: esporte e estudo", completa.