Fonte: OpenWeather

    Futebol Feminino


    Iranduba lança 'vaquinha' on-line para arrecadar quase R$ 1 milhão

    EC Iranduba denuncia "calote" de patrocinador, arrecada mais do que auxílio da Federação Amazonense em vaquinha on-line, mas vê temporada no Brasileirão em risco

    Sem pagar jogadoras e comissão técnica, Iranduba vê participação no Brasileirão ameaçada
    Sem pagar jogadoras e comissão técnica, Iranduba vê participação no Brasileirão ameaçada | Foto: Divulgação

    Manaus - Após três dias de arrecadação, a vaquinha on-line criada pelo E.C. Iranduba arrecadou mais do que o auxílio repassado pela Federação Amazonense de Futebol (FAF). Apesar dos R$ 2,7 mil acumulados até a manhã desta segunda-feira (15), o clube vê a participação na Série A1 do Brasileirão em risco.

    No ar desde a última quinta-feira (11), a vaquinha on-line do Hulk da Amazônia no site Vakinha, de financiamento coletivo, já arrecadou mais do que os R$2 mil reais repassados pela FAF. Além da crise financeira em decorrência da pandemia da Covid-19, o Iranduba também enfrenta a turbulência com o patrocínio da empresa britânica VeganNation.

    Estampando o lugar "mais nobre" da camisa do Hulk desde fevereiro de 2019, a VeganNation negociou que os investimentos seriam feitos em criptomoedas. Elas tinham previsão de entrar no mercado brasileiro no mês de maio, mas isso não ocorreu. O diretor de futebol do clube, Lauro Tentardini, revela que os atrasos estão acumulados desde o ano passado.

    "O novo representante da empresa disse que as pessoas que haviam fechado conosco colocaram prazos irreais, que sabiam que o dinheiro só iria sair em 2020. Ele fez uma nova data limite para as moedas entrarem, em 30 de março que também não veio, além de um aditivo, que consta uma indenização. Ou seja, admitindo que falharam", esclarece o diretor de futebol.

    Página da campanha de financiamento coletivo publicada pelo Esporte Clube Iranduba da Amazônia
    Página da campanha de financiamento coletivo publicada pelo Esporte Clube Iranduba da Amazônia | Foto: Reprodução

    Após dois meses de negociações conjuntas com o dono da empresa, que supostamente iria fazer campanhas de arrecadação para o clube na Europa, Lauro Tentardini conta que cansou de esperar pela contribuição e lançou a campanha de financiamento coletivo. As jogadoras não recebem desde fevereiro e a comissão técnica, desde 2019. 

    "Infelizmente, o mínimo que a plataforma aceita é R$25, mas por nós, aceitaríamos qualquer valor, nem que fosse cinco reais. Qualquer doação é bem-vinda e não tem limite máximo. Deus queira que apareça um empresário, um político de bom coração e doe para a gente uma quantia maior", torce Lauro Tentardini.

    Brasileirão Feminino

    A preocupação com o futuro dos times femininos começou junto com a pandemia do coronavírus. Em 16 de abril deste ano, a Federação Internacional de Jogadores Profissionais (FIFPro) publicou o documento “Covid-19: implicações para o futebol feminino profissional”, que apresenta as seguintes recomendações: priorizar o cuidado, a saúde, a segurança e o bem-estar das jogadoras em todos os processos de tomada de decisão.

    “Vivemos tempos sem precedentes e, como comunidade global do futebol, temos a responsabilidade de nos unir e apoiar nossa indústria (…) Caso clubes, ligas e competições de seleções nacionais comecem a falir, eles poderão desaparecer para sempre. Nosso objetivo final deve ser não apenas impedir que isso aconteça, mas construir uma base mais sólida para o futuro”, alerta o secretário-geral da FIFPro, Jonas Baer-Hoffmann.

    Este panorama assombra o vitorioso Iranduba, que além das jogadoras vinculadas ao clube em 2020, possui atletas que já deixaram o clube - como Djeni Becker, Andressinha, Gisele, entre outras - esperando compensações financeiras. Sem o principal patrocinador, a participação do clube na Série A1 do Brasileirão Feminino de 2020 entra em xeque. 

    "Sabemos que alguns clubes, como Flamengo, Corinthians e a Seleção brasileira, se movimentam para ajudar com a doação de camisetas para sorteio. Mas não temos ideia de volta aos treinos, primeiro porque não temos condições financeiras nesse momento e sem pagar, as meninas não voltam. Também não tem como jogar futebol hoje no Brasil, a epidemia está crescendo e o número de óbitos também, então seria uma irresponsabilidade muito grande", aponta Lauro Tentardini.

    A vaquinha on-line

    Recordista de público no Campeonato Brasileiro Feminino, terceiro colocado na Copa Conmebol Libertadores de 2018 e octacampeão amazonense, o Iranduba recorreu aos torcedores para se reerguer nesses tempos sombrios. Com R$25 você consegue realizar doações na vaquinha-online, que pretende arrecadar R$900 mil.

    Ver essa foto no Instagram

    Conquistamos o 3° lugar! Estamos no pódio!

    Uma publicação compartilhada por E.C. Iranduba da Amazônia (@eciranduba) em

    Dentre as principais áreas administrativas do clube, o comunicado da campanha ressalta que a ajuda financeira será direcionada aos acertos salariais com as atletas e comissão técnica, além de auxiliar na alimentação, moradia, custo de transporte para treinos (no retorno do futebol) e passagens aéreas. 

    "Nós contamos com sua ajuda para manter o clube vivo e quando dizemos 'vivo', estamos falando de pessoas que dependem do Iranduba para sobreviver e também manter algo que não tem preço: o sonho de uma garota de ser jogadora de futebol. Por favor, ajude!", completa o comunicado.

    Leia mais: E.C Iranduba sobe uma posição no ranking da CBF e se mantém no top-10 ;

    Iranduba goleia na estreia e encara o Santos no Brasileirão Feminino;

    Iranduba perde para o Santos, que é novo líder do Brasileirão Feminino;

    São José (SP) vence Iranduba com gols de Mylena Carioca, em Manaus.