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    Antirracismo


    Medalhista em Pequim, Sandro Viana é o AM no 'Esporte pela Democracia'

    Em meio a protestos antirracistas pelo Brasil e pelo mundo, o ex-velocista Sandro Viana, medalhista olímpico em Pequim, junta-se a personalidades esportivas, musicais, entre outras no manifesto "Esporte pela Democracia"

    Medalhista de bronze no revezamento 4x100m na Olimpíada de Pequim, em 2008, Sandro Viana é figura ativa contra o preconceito
    Medalhista de bronze no revezamento 4x100m na Olimpíada de Pequim, em 2008, Sandro Viana é figura ativa contra o preconceito | Foto: Elisa Garcia Maia/ ALEAM

    Diversos atletas, ex-atletas e profissionais da imprensa anunciaram, esta semana, o manifesto "Esporte pela Democracia" com protestos antirracistas e de cunho democrático. No Amazonas, Sandro Viana, ex-velocista e medalhista de bronze no revezamento 4x100m nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, é o representante do movimento.

    "Estou engajado oficialmente por meio do manifesto, mas estou me posicionando e atuando efetivamente na luta contra o racismo estrutural, que é a versão mais moderna de racismo que conhecemos e buscamos combater. Antes de sofrer o preconceito como negro, posso infelizmente colocar que sofro muito mais preconceito como amazonense", afirma o medalhista olímpico.

    Personagem ativo na luta contra o preconceito - tanto racial, quanto regional -, Sandro Viana palestra atualmente sobre as diversas formas de racismo para turmas de até 700 pessoas. Filho de professores ativistas contra o preconceito racial, o ex-velocista revela que recebeu o convite de Ana Moser, uma das maiores atacantes da história do vôlei brasileiro, para participar do "Esporte pela Democracia".

    "Chegamos à decisão de produzir o manifesto, totalmente democrático, baseado no que acreditamos, para nos posicionar diante das circunstancias do país e do mundo. Já estávamos incomodados e essa força coletiva a partir dos protestos nos Estados Unidos nos motivou para deixar bem claro que o esporte não compactua com esse tipo de preconceito, seja ele estrutural, racial ou regional. O esporte é uma bandeira só, que defende a democracia, a inclusão", esclarece Sandro Viana.

    Por meio das redes sociais, o amazonense aumentou o coro por justiça para o americano George Floyd, à imagem de outras personalidades do esporte pelo mundo, como o astro Lebron James, da NBA, o jogador Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, o piloto Lewis Hamilton, da Fórmula 1, entre outros. Para Sandro, o desafio de representar o Amazonas como porta-voz ativista é grande, mas a satisfação é maior.

    "Como amazonense, sempre tive uma missão solitária para representar tanto o Estado, quanto o Norte do país. Desde o começo foi uma batalha muito grande, mas assumi a bandeira, assumi a função e agora, passadas todas as conquistas, os frutos estão sendo colhidos. Sei da realidade do Amazonas e fico muito satisfeito por saber que minha forma de pensar está sendo ressignificada para satisfazer às necessidades de uma sociedade que clama por representantes legítimos", completa o medalhista olímpico.

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    No "Esporte pela Democracia" existem mais nomes conhecidos, além do velocista amazonense. Dentre eles, os ex-jogadores Cláudio Adão, Grafite, Juninho Pernambucano e Raí são alguns dos participantes. Também personalidades da música, como Caetano Veloso, Zeca Baleiro e Nando Reis. Os próximos passos do manifesto ainda são uma incógnita, mas fato é que as ações vão continuar à medida que os encontros virtuais acontecerem.

    "A legitimidade como representante do Amazonas e do Norte do país vem quando essas personalidades públicas me procuram para ouvir a voz que vem daqui através do esporte. Me da muita satisfação, até por saber que estou preparado, saber que estou integrando, de fato, o Brasil. O espaço onde antes era um vazio, existia uma lacuna, um espaço em branco, agora é ocupado. O norte tem uma voz", aponta Sandro Viana.

    O assassinato de George Floyd aconteceu em 25 de maio na cidade de Minneapolis, a mais populosa do estado de Minnesota, nos Estados Unidos. O caso ganhou notoriedade após a divulgação de um vídeo que mostra o policial Derek Chauvin ajoelhado sobre o pescoço de Floyd, que chorava dizendo que não conseguia respirar. Chauvin foi demitido junto com outros três agentes após sufocá-lo por oito minutos e 46 segundos.