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    Fisiculturista amazonense busca apoio para competir na Romênia

    Caroline Alves já disputou diversas competições no Brasil e no exterior

    Fisiculturista viralizou nas redes sociais nos últimos dias, ao postar uma foto em um semáforo nas ruas da capital
    Fisiculturista viralizou nas redes sociais nos últimos dias, ao postar uma foto em um semáforo nas ruas da capital | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus - Vendedores de água, de panos de chão, pedintes e entregadores de panfletos são vistos com facilidade nos semáforos de vias de grande circulação em Manaus. Mas quem passou nos últimos dias pela Avenida Pedro Teixeira, na Zona Centro-Oeste da capital, se deparou com uma cena incomum: uma fisiculturista de biquíni com uma placa nas mãos. 

    “Sou atleta Pro, ajude-me na competição da Romênia”. Era o pedido de apoio feito pela atleta Caroline Alves, de 37 anos. A ideia surgiu no último dia 23 de julho, quando ela foi até um semáforo com o traje de competição e um cartaz. A fisiculturista viralizou nas redes sociais nos últimos dias ao postar uma foto com a campanha. 

    “Eu fui para as ruas para alcançar pessoas que tem algum tipo de rede social, mas que gostam do esporte, como outros atletas também já fizeram. Aconteceu com o judô. Resolvi ter essa atitude para dar uma visibilidade para minha competição, meu sonho, que é trazer um título para o Amazonas. Eu sempre sonhei com isso. Sinto que está próximo de ser realizado," disse a atleta. 

    Caroline conta que sempre teve contato com o meio atlético
    Caroline conta que sempre teve contato com o meio atlético | Foto: Arquivo Pessoal

    A ideia surgiu com intuito de dar mais visibilidade ao financiamento coletivo - a famosa vaquinha - criado por ela para a realização do sonho. Caroline conta que está desempregada e, por isso, resolveu criar a vaquinha virtual. 

    “Eu fiz essa vaquinha porque durante a pandemia fiquei desempregada. Em 2019 estava em várias competições internacionais, tive muitas parcerias, apoio de amigos e família. Neste ano, não tive muitas parcerias, e também não encontrei nenhum parceiro financeiro. E com a quarentena foi difícil fazer um evento para arrecadar fundos (...) A necessidade me obrigou a fazer isso. Se as pessoas me ajudassem, continuaria. Se não, ia tentar outra coisa, mas graças a Deus as pessoas se comoveram com minha história e me ajudam", ressaltou. 

    O dinheiro que a fisiculturista arrecadar vai servir para ajudar a bancar uma viagem para Bucharest, na Romênia, onde irá disputar o Romania Muscle Fest Pro - evento que acontece entre 13 e 15 de novembro. 

    Atleta recebeu apoio de pessoas que passaram pelo local em que ela fez parte da campanha
    Atleta recebeu apoio de pessoas que passaram pelo local em que ela fez parte da campanha | Foto: Arquivo Pessoal

    “As pessoas se mobilizaram muito com minha atitude, viram que uma atleta mulher foi para as ruas lutar por seu objetivo e se motivaram a ajudar, contribuir, e acima de tudo acreditar que quando você quer, você faz acontecer, não mede esforços. Independentemente de eu ter um trabalho, não é uma renda grande que pode me levar para uma viagem. Porém, com a ajuda de todos, posso chegar lá”, comentou. 

    História no fisiculturismo

    Caroline é formada em educação física pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e pós-graduada em Biomecânica. Ela trabalhou como personal trainer, mas por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) acabou ficando desempregada.

    A atleta conta que sempre teve contato com o meio atlético, mas foi em 2016 que começou uma preparação voltada para o fisiculturismo, depois de ser incentivada por amigos que já atuavam na área. A rotina de Carol Alves envolve treinos na academia, que duram até cinco horas, e uma dieta rigorosa. 

    Dificuldades no esporte 

    No Brasil, ser um atleta fisiculturista é um desafio. Os profissionais não são remunerados, o que torna a profissão um caminho difícil de se seguir. “A nível regional e nacional, os torneios só premiam com títulos e medalhas, o que não cobre os custos de preparação para participar das disputas," comentou.

    Carol diz ainda que, em Manaus, o esporte não é tão difundido, o que dificulta a aceitação como atleta.

    “Eu tive apoio de amigos fisiculturistas e de treinadores para me profissionalizar, mas não tive incentivo de amigos que não estão acostumados com o visual. A minha categoria é o máximo de musculação possível para uma mulher e, às vezes, o visual choca e não é bem aceito," completou.

    A campanha

    O objetivo de Caroline Alves é arrecadar a quantia de R$ 25 mil. Até a sexta-feira (31), a vaquinha virtual “@carolalves_pro rumo ao Campeonato Romania Muscle Fest Pro 2020” havia arrecadado R$ 8,2 mil de 107 apoiadores. 

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