Esportes Eletrônicos


E-Sports: cenário ganha cada vez mais adeptos em Manaus

Federação Amazonas de E-Sports (Faesp) foi criada em 2020 e já possui 32 times registrados

Times de futebol, como o Nacional e o Manaus FC, já possuem equipes no mundo virtual
Times de futebol, como o Nacional e o Manaus FC, já possuem equipes no mundo virtual | Foto: Divulgação/ManausFC

Manaus - Os esportes eletrônicos surgiram em meio aos avanços tecnológicos, que foram amplamente utilizados pelas produtoras e acolhidos pelos gamers de plantão. Por conta disso, a modalidade adquire mais adeptos a cada dia. Em Manaus, a Federação Amazonas de E-Sports (Faesp) foi criada em 10 de janeiro de 2020 e, atualmente, possui 32 times cadastrados.

O primeiro evento realizado pela Federação foi o Campeonato “Fica Em Casa Jogando Free Fire Ultimate 4x4”, que encerrou neste sábado (5). Porém, de acordo com o presidente da Faesp - Andryw Antony - esse á apenas um início de novos caminhos. O objetivo da entidade é profissionalizar os jogadores locais.

“Queremos aquecer o cenário dos esportes eletrônicos, tanto na parte de políticas públicas, como na parte intelectual. Sem contar que, formando profissionais no estado, os esportistas podem ganhar dinheiro com a modalidade. Muitos não entendem a importância dos jogos eletrônicos. Mas vai muito além de um grupo de amigos jogando, as equipes se tornam famílias”, destacou o presidente. 

Clubes como Manaus FC e Amazon Cripz já possuem times na categoria. No último dia 28 de agosto, o Nacional Futebol Clube anunciou o ingresso da equipe no mundo virtual. 

Campeonatos de CS GO, League of Legends e Fortnite são realizados com frequência pelo mundo
Campeonatos de CS GO, League of Legends e Fortnite são realizados com frequência pelo mundo | Foto: Reprodução

Opinião da família

A família Lima incentiva o pequeno Henry Lander, de 11 anos, a jogar videogame. Em meio a todo o risco que o mundo fora de casa oferece, a atendente Andréia Lima prefere que o filho permaneça no quarto sob a vista de todos. Mas a regra em casa é clara: os jogos não podem atrapalhar nos estudos, senão, “game over”. Questionada sobre a chance Henry ser um profissional dos games, a mãe garante não ter medo.

“Sou muito tranquila quanto ao videogame, meu filho ainda é uma criança e não vejo os jogos atrapalharem o desenvolvimento dele. Estou sempre no pé dele em relação ao estudo e, graças a Deus, ele tira boas notas. Não sei dizer quanto já gastamos em games, mas Lander é ciente. Se a brincadeira atrapalhar os estudos, ele que não joga mais. E sobre o futuro, ganhar dinheiro brincando será uma escolha dele”, declarou a mãe.

Atualmente, Lander joga por brincadeira devido a faixa etária, mas essa não é a ideia. Com seu X-Box One, ele já participou de algumas equipes e, entre um jogo e outro, aproveita também para se divertir com os amigos no Fortnite. Para o Natal, o menino tem uma sugestão de presente para o papai Noel.

“Quero ganhar um novo monitor final do ano. O videogame me trouxe novos amigos, inclusive de outros estados. Gosto muito de jogar, principalmente de ganhar. Eu pesquiso e estudo sobre este mundo, pois um dia vou ganhar dinheiro jogando igual o Ninja", contou o pequeno esportista.

Atualmente, é possível ter renda sendo um profissional dos games
Atualmente, é possível ter renda sendo um profissional dos games | Foto: Divulgação/Manaus FC

Videogame = fama e renda?

O maior streamer de games do mundo – principalmente de Fortnite - é o americano Richard Tyler Blevins, de 27 anos, conhecido pelo codinome “Ninja”. Ele chegou a contabilizar mais de 14 milhões de seguidores na plataforma de streaming “Twitch” e possui mais de 24 milhões de inscritos em seu canal no YouTube.

Ele faz parte da febre dos “battle royale” impulsionada pela Epic Games, criadora do Fortnite que, atualmente, é um dos jogos do gênero mais jogados no planeta. O streamer é ex-funcionário de uma rede de fast food e, segundo seu relato, toda as conquistas levaram tempo e dedicação. Ninja revelou em entrevista que faturou cerca de US$ 10 milhões (R$ 39,8 milhões) em 2018 jogando.

Psicóloga alerta sobre riscos que o mundo dos games proporciona
Psicóloga alerta sobre riscos que o mundo dos games proporciona | Foto: Divulgação/ManausFC

Posicionamento profissional

O EM TEMPO conversou com a psicóloga Joicy Ventilari Medeiros, especialista na psicologia da infância e adolescência, sobre as recomendações de uso do videogame na infância. Joyce explicou que é necessário criar uma rotina para os pequenos e que existem estudos mais recentes que apontam alguns males que a brincadeira pode causar quando não há uma divisão de tempo.

"Os estímulos virtuais quando utilizados de forma controlada, tanto no que se refere ao tempo, quanto ao conteúdo dos jogos, proporciona conhecimento, persistência, e habilidades motoras. Por outro lado, quando utilizado em excesso, provoca irritabilidade, gera ansiedade, interfere na qualidade do sono, da atenção, no desenvolvimento da fala, e pode contribuir para o sedentarismo e fracasso escolar. Os estímulos recebidos pelo ambiente externo aumentam as conexões entre os neurônios, ou seja, é importante que os pais proporcionem momentos de contato olho a olho, brincadeiras em que a criança possa vivenciar. Isso facilita o processo de ensino e aprendizado", explicou a especialista.

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