Esporte nas alturas


Escalada ganha cada vez mais adeptos no AM e esporte busca expansão

Atualmente, 50 praticantes frequentam a academia localizada em Manaus

Atletas femininas da Academia BC treinam em Manaus
Atletas femininas da Academia BC treinam em Manaus | Foto: Lucas Silva

Manaus – Muito praticada nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, a escala começa a ter novos adeptos do esporte no Amazonas. A comunidade esportista começa a se consolidar no estado e busca expandir a prática na região. O Portal Em Tempo conheceu um grupo que faz da escalada um estilo de vida e promovem encontros entre atletas e amantes do esporte nas alturas. 

Muitos praticantes do esporte pelo Brasil que têm a necessidade de vir para Manaus, seja por oportunidade de trabalho ou por outras questões, enfrentam a  nova realidade e a dificuldade de locais para o esporte.

O praticante de escalada Paulo Henrique Santos, de 49 anos, do Paraná contou ao Portal Em Tempo como foi a chegada na capital amazonense. Ele é o fundador do grupo "BC Escalada", localizado na avenida Japurá, 1037, na Praça 14, zona Sul de Manaus. O espaço é destinado aqueles que são praticantes do esporte e aquele que desejam conhecer. 

Por meio de um blog pessoal, o fundador do espaço, catalogou lugares onde pudesse continuar a prática  e também para que outros atletas conhecessem. Entre os locais estão as cachoeiras de Presidente Figueiredo e lugares próximos ao município de Iranduba.

Em Roraima e no km 115 da BR-174, onde fica localizada a Cachoeira de Iracema, onde existem vários Boulders e cavernas ao redor são lugares também destacados pelos praticantes para a escalada. 

A esportista Lía Faria, 30 anos, também encontrou dificuldade de praticar o esporte na região.

"Tem muita pedra no Amazonas, mas diferente do Sudeste, como no Rio de Janeiro, onde você olha tem uma pedra para escalar, praticar escalada aqui exige um pouco mais de vontade", comentou. 

Lía Faria é uma das atletas que divulgam o esporte na região
Lía Faria é uma das atletas que divulgam o esporte na região | Foto: Lucas Silva

O grupo também oferece cursos de escalada aos que desejam se aprofundar. O estudo é dividido em três aulas indoor (na academia) e três externas. As aulas são ministradas por Saulo Balieiro, atual administrador do espaço e Paulo Henrique, também como guia de montanha pela Associação de Guias Instrutores e Profissionais de escalada do Rio de Janeiro (Aguiperj).

Saulo explica que a intenção do grupo é fazer a divulgação do esporte para o máximo de pessoas, de crianças até adultos.

"O grupo planeja abrir uma turma infantil em breve. Não só falar da prática de escalada, mas usá-la como promoção à saúde, levando os integrantes para a natureza, fazendo trilhas e caminhadas", explicou. 

Saulo Balieiro é o responsável pela Academia BC
Saulo Balieiro é o responsável pela Academia BC | Foto: Lucas Silva

A modalidade do esporte permite o desenvolvimento da coordenação motora fina, consciência corporal, resistência muscular e mobilidade. Clínicas de fisioterapia infantil e de tratamento para neuro-divergências já utilizam a escalada indoor como método de terapia.

Equipamentos e categorias

Em Manaus não existem lojas específicas para equipamentos de escalada. Algumas vendem equipamentos de camping, onde se pode encontrar algumas peças. O grupo BC Escalada vende alguns itens para seus praticantes. Em breve, pretendem abrir oficialmente uma loja especializada nesse seguimento. 

Na categoria Boulder são necessárias sapatilhas de escalada, saco de magnésio e magnésio. O esporte derivado do montanhismo, requer mais equipamentos, como: cordas, baudrier e cursos mais específicos para escalada. Para a escalda tradicional ou escalada de montanha, é necessário: jogo de nuts, capacete de escalada, mosquetões, fitas tubulares, curso de auto segurança e auto resgate. 

O valor médio dos equipamentos para quem vai praticar o Boulder, varia de R$ 720 a R$1.700. Para os de escalada esportiva, R$ 1.677,00 a R$ 4.571. A escalada tradicional é a que exige mais investimento, ultrapassando o valor de R$ 5.185,00.

Competições

O Boulder, modalidade de escalada, foi incluído no calendário Olímpico e fará sua estreia nos jogos de Tóquio em 2021. O Brasil já tem atletas em preparação. Em 2020 o atleta brasileiro, César Grosso foi às finais da categoria Boulder, no Pan Americano, terminando em 7° lugar. O Brasil possui calendário de torneios, nas categorias Boulder e Escalada de dificuldade e velocidade, entre outros eventos pela Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE).

Patrocínio

Lía Azevedo é patrocinada pela Academia BC. Em 2018, chegou em 1° lugar no desafio Boulder, na categoria feminina. Em 2019, participou da categoria "Experiência", onde participam ambos os sexos, chegando em 2° lugar e em 2020 chegou em 1° lugar na categoria feminina, organizada pela Jungle War.

A competidora é atual campeã do desafio realizado pela Jungle War
A competidora é atual campeã do desafio realizado pela Jungle War | Foto: Lucas Silva

A atleta que já treina há três anos e recebe benefícios para manter seu alto nível como: treinamento gratuito na academia, desconto em equipamentos e viagens.

Escalada como estilo de vida

O atleta Lucas Leite, de 26 anos, pratica o esporte desde 2015 e conta que a escalada é mais que um esporte, mas um estilo de vida. 

“É algo que muda a vida da gente. Representa um estilo de vida, para mim, onde é possível conectar corpo e mente. ‘Corpo são, mente sã’, . Se chego exausto e erro o movimento, eu penso o que tenho que fazer, qual técnica usar, onde exercer força no corpo, em que área agarrar, estudar o ambiente. Quando estou escalando, esqueço outras preocupações e foco só nisso”, relatou. 

Lucas Leite pratica a  escalada como estilo de vida
Lucas Leite pratica a escalada como estilo de vida | Foto: Lucas Silva

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