Jiu-Jitsu Brasileiro


De Autazes para o mundo: Joana Quintelo, a guerreira nos tatames

Há sete anos a atleta se encantou pelo esporte, desde então, sua dedicação resultou em vitórias e premiações

A atleta possui mais de 30 ouros em competições oficiais
A atleta possui mais de 30 ouros em competições oficiais | Foto: Reprodução

Manaus - De Autazes, cidade distante 114 quilômetros de Manaus, a atleta amazonense, Joana Quintelo, de 21 anos, é um dos grandes potenciais do esporte no Amazonas para o Brasil. A atleta conta ao Portal Em Tempo como é a rotina de treinos e como começou na modalidade esportiva. 

A atleta participou nos dias 23 a 25 de outubro do Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, onde conquistou quatro medalhas, sendo dois ouros. Atualmente, a atleta é faixa marrom e mostra em cada luta que busca subir a cada dia no esporte local, brasileiro e mundial. 

Joana sempre se identificou com a prática do esporte. De início, tentou o vôlei de praia, mas não seguiu com a modalidade pois tinha vontade de experimentar algo novo.

Em 2013, aos 14 anos, ingressou nos esportes de luta, por meio do Muay-Thai, a arte livre tailandesa, e permaneceu treinando por oito meses, quando finalmente começou a praticar a arte suave, Jiu-Jitsu.

No mesmo ano, a jovem guerreira se mudou para Manaus, onde teve a oportunidade de treinar com um professor e começou a competir.

A atleta coleciona conquistas na carreira
A atleta coleciona conquistas na carreira | Foto: Reprodução

Conquistas

Joana possui mais de 30 medalhas de ouro, em 46 eventos oficiais que disputou, conquistando também seis bronzes e oito pratas.

“Eu tenho um carinho especial pelo BH Winter Open, realizado em 2019, e agora o Campeonato Brasileiro de 2020. Meu troféu especial é o de Atleta Destaque do Amazonas, em 2019. “ disse Joana

 

A medalha de ouro do Grand Slam Abu Dhabi é a maior conquista de sua carreira
A medalha de ouro do Grand Slam Abu Dhabi é a maior conquista de sua carreira | Foto: Reprodução

“Minha maior conquista com certeza foi o Grand Slam Abu Dhabi, em 2016, foram oito lutas duríssimas até conseguir o lugar mais alto do pódio, contando que eu estava lutando duas categorias acima da minha." 

Treinamento

Para ser uma competidora de alto nível é preciso manter uma frequência de treinos e muita disciplina. Joana conta como é a rotina de trabalho duro para subir nos pódios de competições. 

O foco em seus treinamentos estão trazendo resultados positivos
O foco em seus treinamentos estão trazendo resultados positivos | Foto: Reprodução

“Eu sou muito focada, pela manhã eu trabalho meu equilíbrio e resistência física. Durante a tarde eu faço treinos de memória muscular, com drills (repetições de movimentos), e pela noite tenho treino com a equipe da academia. Meu professor é responsável pelo meu acompanhamento físico e mental. “ relatou

Apoio da família

Mesmo para a família da atleta, que sempre esteve envolvida em esportes, desde pequena, a mudança para a luta foi uma surpresa.

“No início foi difícil. Minha família em geral não aceitava que eu, uma mulher, treinasse com homens, ainda mais em um esporte de alto contato e risco de lesões. Hoje, ele são meus principais apoiadores e vibram junto comigo a cada medalha conquistada", relembra Joana. 

Contrários no início da carreira, hoje a família acompanha e vibra a cada torneio disputado
Contrários no início da carreira, hoje a família acompanha e vibra a cada torneio disputado | Foto: Reprodução

Apesar de ser o berço do Jiu-Jitsu moderno, o Brasil não possuía uma seleção dedicada ao esporte, até o ano de 2017, quando criou a primeira Seleção Brasileira de Jiu-Jitsu para participar do World Pro de Jiu-Jitsu, em Abu Dhabi.

Com mais de 40 títulos e presença confirmada no Pan-Americano de Jiu-Jitsu 2020, a atleta tem grandes planos para a competição e para uma possível vaga na Seleção Brasileira, futuramente.

“Minha expectativa é grande para as oportunidades que aparecem. Grande parte dos atletas de ponta acabam ficando pelo meio do caminho por falta de apoio ou de meios para conseguir vagas como essa. Estar na Seleção Brasileira seria um desafio bom", disse. 

Desafios enfrentados

A categoria masculina possui mais apoio que a feminina. Uma das maiores atletas do Brasil, Marta, e outras esportistas, levantaram um movimento pedindo respeito e mais investimentos para as atletas femininas de todos os esportes, visando diminuir as diferenças.

Como atleta, Joana Quintelo entende bem como o esporte feminino é visto e que precisa vencer muitos paradigmas. 

“A realidade de uma mulher buscando espaço, dentro do esporte é diferente da realidade dos homens. Acontecem muitos casos de assédio, pessoas pedindo ‘troca de favores’, isso é um absurdo. Muitas pessoas que tem nome no esporte, quando ajudam, cobram pelo ‘incentivo’ e quando recebem um 'não', fecham às portas. Até para uma atleta viajar, tem que tomar muito cuidado onde vai se hospedar“. 

Mesmo sabendo das dificuldades a serem enfrentadas, a lutadora continua esperançosa em sua carreira e no futuro do esporte feminino.

Além dos dois ouros, a guerreira trouxe uma bronze e uma prata na mala
Além dos dois ouros, a guerreira trouxe uma bronze e uma prata na mala | Foto: Reprodução

“Ser campeã mundial é um objetivo fixo na minha mente, desde que eu era faixa branca. Futuramente quero ministrar aulas de Jiu-Jitsu e ter uma equipe de elite formada apenas por mulheres, fora do Brasil.

No mês de dezembro, a atleta participa do Pan-Americano de Jiu-Jitsu 2020, realizado na capital amazonense, e a expectativa é de mais medalhas.

Futuro na carreira

Viver pelo esporte de luta não é uma das maneiras mais fáceis de ganhar dinheiro. Todo investimento oferecido é fator determinante para que muitos jovens talentosos sigam ou abandonem a carreira esportiva.

A guerreira conta que todo o apoio que recebe vem diretamente de sua família, do marido Enoque Medeiros e da equipe Game Figth, a academia pela qual compete.

“Eu nunca recebi apoio seja da minha cidade ou do meu estado. Sempre recebi 'não' para tudo que buscava apoio. Mas aqui em Boa Vista, todos me receberam de braços abertos“, ressaltou a atleta. 

Joana conquistou duas vezes o ponto mais alto do pódio, em sua passagem pelo Brasileiro de Jiu-Jitsu
Joana conquistou duas vezes o ponto mais alto do pódio, em sua passagem pelo Brasileiro de Jiu-Jitsu | Foto: Reprodução

“Minha principal meta dentro do esporte é conseguir morar fora do país, para continuar competindo e conseguir projeção, para no futuro, estar no primeiro lugar do ranking, na minha categoria. “ comentou

Ainda hoje, o Jiu-Jitsu é visto por muitos como um esporte feito apenas para homens. A taxa de mulheres que praticam a arte no Amazonas, ainda é baixa, comparada aos atletas masculinos. A constatação é feita em visitas às academias. 

“Hoje tenho apoio do Dr. Ilderson Pereira, ortopedista que fortalece nossa equipe, e junto a ele tenho o Emanuel Sports, que tem dado bastante força no marketing da minha carreira. “

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