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    Montanha Russa Rubro Negra


    Flamengo não é mais o mesmo há um ano. A culpa é de quem?

    O Flamengo apresenta sérios problemas para reencontrar o futebol que encantou seus torcedores em 2019. Com altos e baixos, o time busca voltar aos dias da 'Glória Eterna'

    O time busca encontrar o caminho para uma sequência de vitórias
    O time busca encontrar o caminho para uma sequência de vitórias | Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

    O Flamengo mudou, o torcedor Rubro Negro se acostumou a vencer e deixar os adversários na defensiva, mas em 2020, o time não lembra a verdadeira 'seleção'. O time sofre um ano difícil com derrotas, e algumas delas, com goleadas. Os times brasileiros aprenderam a parar o Flamengo, ou o rendimento do time caiu de forma drástica?

    Com a troca de técnicos e a saída de alguns jogadores, a cara da equipe mudou, e hoje vive uma fase delicada, diferente do ano mágico de 2019.

    Mudanças 

     O ‘Mister’, apelido carinhoso que o técnico Jorge Jesus, ganhou da torcida, conseguiu encaixar a equipe, o estilo de jogo imposto foi totalmente diferente do que os brasileiros estavam acostumados, dando vantagem ao time.

    Com Jorge Jesus no comando, o Flamengo sofreu apenas 4 derrotas e levantou 5 títulos
    Com Jorge Jesus no comando, o Flamengo sofreu apenas 4 derrotas e levantou 5 títulos | Foto: CBF/Divulgação

    Um time rápido, eficiente, que não recuava, agressivo e com um condicionamento físico superior à de seus adversários, foi isso que a torcida viu em 2019, com essa filosofia de jogo, o time foi novamente campeão da América e pela sétima vez, Campeão Brasileiro.

    Com a saída de Jorge Jesus, que voltou ao futebol Europeu, em julho de 2020, o Flamengo demonstrou um rendimento abaixo do esperado, em seus jogos.

    Faltando 15 rodadas para o fim do Brasileirão, o time soma seis derrotas e 31 gols feitos pelos adversários, que se comparados ao ano anterior, mostra a diferença dos números. Em 2019, o time sofreu apenas quatro derrotas e 37 gols sofridos em toda a temporada do Campeonato Brasileiro.

    Além da inesperada despedida de Jorge Jesus, as saídas de jogadores fundamentais afetaram bastante a estrutura da equipe. A torcedora Cristiansen Santos, de 26 anos, acredita que as saídas impactaram muito o time, para essa temporada.

     

    A torcedora vê a saída do técnico e de alguns jogadores, como o principal fator do baixo rendimento
    A torcedora vê a saída do técnico e de alguns jogadores, como o principal fator do baixo rendimento | Foto: Reprodução

    “A defesa tem sofrido muito e o motivo é simples, a saída do Rafinha, ele era o líder da equipe. O Pablo Mari saindo do time, Rodrigo Caio fora há mais de um mês, por estar machucado e a falta de tempo para treinamento deram esses resultados”, destacou. 

    Domènec Torrent, fraca liderança

    O técnico catalão, Domènec Torrent, foi a solução encontrada pelo Clube para substituir Jorge Jesus, mas a mudança não teve o efeito esperado. O estilo que impôs para a equipe e a falta de energia no comando, incomodou os torcedores. 

    Se em 2019 a equipe era extremamente ofensiva e ditava como a partida seria, no período em que o catalão esteve a frente, os jogadores não entravam em sintonia. O futebol apresentado era inferior, fazendo os rivais jogarem mais soltos e conseguiram intimidar o Flamengo.

    Altair Maia, de 19 anos, é um torcedor de carteirinha do Flamengo, e comenta sobre a fase complicada do time

     

    Altair Maia acredita que sob o comando de Dome, a equipe não alcançou todo seu potencial
    Altair Maia acredita que sob o comando de Dome, a equipe não alcançou todo seu potencial | Foto: Reprodução

    “Todos achavam que qualquer técnico que chegasse ao Flamengo, teria facilidade em dirigir o time, apenas se baseando no ensinamento do Mister, mas não foi isso que aconteceu. Torrent veio e colocou sua própria filosofia de jogo, mesmo classificado nas competições, o estilo dele não convenceu” disse

    Domènec comandou o time durante 100 dias. Em 26 jogos venceu 15 e perdeu seis. Sofreu duas goleadas seguidas, perdendo por 4 a 1 para o São Paulo e 4 a 0 para o Atlético-MG. A diretoria Rubro Negra resolveu desligar o treinador.

    Covid-19, lesões e a falta de tempo

    O desempenho da equipe não está relacionado somente ao técnico, mas também passa pelas consequências da pandemia de Covid-19 que assolou o mundo. Desde a volta do calendário esportivo, o time carioca teve mais de 20 atletas infectados pelo coronavírus, como Bruno Henrique, Rodrigo Caio e Everton Ribeiro.

    O contágio acabou tirando vários jogadores importantes, dos gramados, exemplo da partida contra o Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, em setembro, onde a maior parte do time era formada por garotos da base.

    Com o calendário apertado, precisando treinar para Copa do Brasil, Brasileirão e Libertadores, e as lesões sofridas pelos jogadores, foram outros fatores que deixaram a equipe cair de rendimento no ataque e na defesa.

     

    Mais de 30 profissionais do Flamengo foram infectados, entre jogadores, comissão e prestadores de serviços
    Mais de 30 profissionais do Flamengo foram infectados, entre jogadores, comissão e prestadores de serviços | Foto: Reprodução Instagram

     

    O principal artilheiro da equipe, Gabriel Barbosa, o ‘Gabigol’, sofreu lesão em jogo contra o Independiente del Valle, na Libertadores. Ele precisou ficar fora por mais de um mês. Arrascaeta, principal jogador de criação, Rodrigo Caio, o ‘xerife’ da zaga e o atacante Pedro, também sofreram lesão enquanto jogavam pela seleção de seus países. O time também teve a baixa de Diego Alves, goleiro titular, sendo substituído por Hugo, o ‘neneca’.

    “Ano passado todos eram bons em suas posições, o time não tinha ponto fraco. Agora temos muitos desfalques e isso influencia muito” relatou a torcedora Cristiansen

    Até o dia 18 de novembro, a equipe estava competindo em três torneios diferentes, Campeonato Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. A série de jogos desgastou o elenco, que desfalcado, podia cada vez menos fazer o rodízio de jogadores. 

    Rogério Ceni, o terceiro técnico da temporada

    Com o desligamento de Dome, Rogério Ceni foi o nome escolhido para a tarefa de comandar o Flamengo no Brasileirão, além das quartas de final da Copa do Brasil, e oitavas de final da Libertadores.

    O ex-goleiro do São Paulo chegou ao Ninho do Urubu no dia 10 de novembro, após rescindir contrato com o Fortaleza. Ele fez muito no antigo time, ganhou quatro títulos e classificou a equipe para uma competição internacional pela primeira vez na história.

    Ceni chega como esperança da retomada do bom futebol
    Ceni chega como esperança da retomada do bom futebol | Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

    A frente do "Mais Querido" há 19 dias, Ceni comandou o time em cinco jogos. Dois pelo Campeonato Brasileiro, onde teve um triunfo e um empate, duas derrotas pela Copa do Brasil, que custaram a eliminação, e o empate mais recente, pela Libertadores, contra o Racing da Argentina.

    Apesar de ter apenas uma vitória, o último jogo pela Copa Libertadores, mostrou aos torcedores que o seu estilo de jogo se assemelha ao de Jorge Jesus, pressionando o adversário e diminuindo os espaços de criação, mesmo saindo em desvantagem.

    “As bases deixadas por Jorge Jesus estão sendo utilizadas pelo Ceni, acho que ele reconhece como o trabalho do Mister foi impressionante e importante” ressaltou o torcedor Altair Maia. 

    Mesmo ainda não demonstrando o futebol que se espera, muitos torcedores continuam esperançosos para o restante da temporada. Um deles é Kennedy Sueco, professor de educação física, de 24 anos e membro da "Urubuzada" torcida organizada do Flamengo em Manaus, fundada 10 de julho de 2011.

     

    Kennedy continua confiante na retomada do bom futebol do Flamengo
    Kennedy continua confiante na retomada do bom futebol do Flamengo | Foto: Reprodução

    “A Urubuzada apoia o Flamengo em qualquer situação que esteja, e em 2019 o time foi impecável, mas com a saída do Mister e de alguns jogadores, o rendimento da equipe caiu. Ano passado fomos eliminados da Copa do Brasil, mas ganhamos outros títulos, nossa esperança é que a história se repita esse ano” disse.

    Gerson é um dos pilares do meio campo Rubro Negro, nesta temporada
    Gerson é um dos pilares do meio campo Rubro Negro, nesta temporada | Foto: Alexandre Vidal

    O próximo compromisso da equipe, é terça-feira (1), Rogério Ceni tem a missão de levar o time a vitória, contra o Racing (ARG), dentro do Maracanã. Em caso de classificação rubro negra, Ceni irá passar confiança, se firmando como um técnico a altura do que o Flamengo representa para sua torcida.

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