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    Fisiculturismo


    Fisiculturista que pedia ajuda nos semáforos conquista o topo do pódio

    Ela surpreendeu ao buscar ajuda nos semáforos de Manaus e conquistou o que mais queria, ser campeã. Caroline vai ser a representante do norte do Brasil na maior competição de fisiculturismo do mundo

    A atleta compete profissionalmente desde 2016
    A atleta compete profissionalmente desde 2016 | Foto: Reprodução

    Manaus - A campeã do internacional Romania Muscle Fest, realizado na Romênia, em novembro 2020 é a atleta fisiculturista Caroline Alves, de 37 anos. Em entrevista exclusiva ao Portal Em Tempo a atleta conta sobre como superou a falta de recursos para chegar no topo do pódio e garantir o cinturão da competição. Ela ficou ainda mais conhecida após ir para os semáforos pedir apoio financeiro.

    “Sou atleta Pro, ajude-me na competição da Romênia”, dizia a placa de Caroline em agosto de 2020
    “Sou atleta Pro, ajude-me na competição da Romênia”, dizia a placa de Caroline em agosto de 2020 | Foto: Arquivo Em Tempo

    Caroline é pós-Graduada em educação física e conta que a jornada até a Romênia não foi simples, a atleta teve que enfrentar diversos obstáculos. Para atletas que desejam participar de grande eventos e competições, na sua grande maioria, precisam arcar com gastos de alimentação, hospedagem e passagens. 

    Caroline representou o Brasil e trouxe o título para o Amazonas
    Caroline representou o Brasil e trouxe o título para o Amazonas | Foto: Brayan Riker

    A atleta  participou de uma das maiores competições de fisiculturismo, na Europa, o Romania Muscle Fest, na Romênia. Para chegar até o evento, Caroline teve que ir para as ruas de Manaus, para conseguir o dinheiro necessário para arcar com a competição. A atleta conseguiu e foi vitoriosa. 

    Semelhante a muitos atletas amazonenses, ela divide seu tempo com outra profissão, uma vez que, o salário de professora, infelizmente, não é suficiente para custear as competições.

    “Foi como estar num filme. Eu e meu treinador, dois jovens chegando em um país da Europa, sem condições financeiras, por meio de doações, e mesmo assim consegui ser campeã. Qualquer adversidade é superada com muita força de vontade, perspectiva e otimismo. E eu sempre acredito, sei do meu potencial como atleta”, contou confiante e alegre sobre a caminhada no esporte.

    Caroline antes de entrar no evento de fisiculturismo 'Tampa Pro'
    Caroline antes de entrar no evento de fisiculturismo 'Tampa Pro' | Foto: Reprodução

    A atleta vê um grande potencial, não somente em si, mas no esporte amazonense. Ela lamenta que esportistas tenham tanta dificuldade em conseguir incentivos.

    “Nossa cidade é uma potência para os esportes de luta e fisiculturismo, nós somos privilegiados geneticamente na região Norte. Temos uma estrutura corporal mais forte, porém não temos incentivo ou apoio suficiente que nos ajude a ser atletas com dignidade”, destacou a fisiculturista. 

    O início 

    Em abril 2016, Caroline participava de um curso, no Rio de Janeiro, e por ter um corpo bem treinado, algumas pessoas acharam que era atleta. Então, após dois meses, ela competiu pelo Campeonato Amazonense de Fisiculturismo.

    A atleta em apresentação no Romania Muscle Fest
    A atleta em apresentação no Romania Muscle Fest | Foto: Reprodução

    Em julho de 2016 competiu pelo Campeonato Brasileiro de Fisiculturismo, e ficou em sexto lugar, entre as 30 melhores do Brasil. Ela se tornou campeã brasileira em 2018, se classificando como profissional, a partir daí participou somente de competições fora do país, em 2019 esteve no ranking em três competições internacionais, Toronto e Vancouver, no Canadá e Miami, nos Estados Unidos.

    “Todas as minhas conquistas foram importantes, mas o Campeonato Brasileiro 2018 foi especial, quando me tornei profissional, e na Romênia, quando fui campeã absoluta e consegui a classificação para o maior campeonato do mundo", relembrou a atleta.

    Para ser a melhor 

    Ela se tornou campeã brasileira em 2018
    Ela se tornou campeã brasileira em 2018 | Foto: Brayan Riker

    Caroline é centrada. Os treinos são de três a cinco horas por dia, com exercícios aeróbicos e musculares. Ela mantém a alta disciplina com alimentação balanceada e medicamentos. Todo o esforço é para ter o corpo equilibrado e saudável.

    A atleta não possui apoio de empresas ou do estado, tornando árdua a missão de continuar no esporte. Os recursos são por meio de venda de camisas, rifas e doações de pessoas que gostam do esporte e a incentivam a continuar. 

    “Eu nasci no Pará, mas moro no Amazonas a vida inteira, então, como atleta amazonense, eu fico decepcionada. É vergonhoso ser uma campeã e ter que depender de doações”, lamentou a atleta em potencial. 

    Caroline, sonhadora e de olho no futuro do esporte local, conta que possui objetivos bem definidos para os próximos anos e deseja mais. 

    “Dentro do esporte, meu objetivo era chegar ao campeonato que consegui a classificação. Espero conseguir viver do meu esporte, ter uma renda financeira como atleta, não ter que fazer campanhas e rifas, mas ser uma atleta com dignidade. Cheguei até hoje graças a doações de amigos, familiares, alunos e algumas pessoas da inciativa privada, tirando do próprio bolso. Se não fosse por eles, não teria como ter recursos para arcar com as competições”, finalizou. 

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