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    Assédio


    Acusado de assédio sexual, dirigente do handebol renuncia

    Ricardinho ocupava a direção da CBHb no lugar de Manoel Luiz Oliveira, que presidia a confederação desde 1989

    A renúncia coincide com a pressão do COB para Ricardinho deixar o cargo
    A renúncia coincide com a pressão do COB para Ricardinho deixar o cargo | Foto: Luis Macedo

    Ricardo Luiz de Souza, conhecido como Ricardinho, foi suspenso por dois anos pelo conselho de ética do Comitê Olímpico do Brasil (COB), devido a uma acusação de assédio moral e sexual durante os Jogos Pan-Americanos de Lima (Peru). A renúncia foi apresentada em uma carta  divulgada na quinta-feira (10).

    Em 2019 ocupava o posto por meio de liminar. A renúncia foi apresentada em uma carta (leia a íntegra no fim da matéria) apresentada na quinta-feira (10).

    A renúncia coincide com a pressão do COB para Ricardinho deixar o cargo, recusando-se a liberar recursos à CBHb enquanto ele permanecesse. A verba é necessária para viabilizar a participação do Brasil no Mundial de Handebol Masculino, em janeiro, no Egito. Sem patrocínio, após as saídas de Banco do Brasil e Correios, a confederação depende financeiramente do repasse do Comitê.

    "O não repasse foi uma decisão unilateral e arbitrária do COB. Dentro da própria decisão e em outras decisões do conselho de ética se fala da autonomia das entidades e do limite de atuação do CECOB [Conselho de Ética do Comitê Olímpico do Brasil]. Não existe fundamento jurídico para isto", argumenta Ricardinho em entrevista à Agência Brasil.

     Acusado de mau uso de dinheiro público na organização do Mundial de Handebol Feminino de 2011, no Brasil, Oliveira foi afastado pela Justiça e Ricardo - que era o vice imediato - assumiu o posto. Em março, Manoel foi reconduzido à presidência, por meio de liminar, sendo afastado novamente em setembro e dando outra vez lugar ao vice.

    A crise da entidade atingiu a preparação das seleções, especialmente à masculina, que teve três técnicos no período. Washington Nunes foi demitido após a eliminação na semifinal do Pan do ano passado para o Chile. O espanhol Daniel Gordo foi contratado e comandou o Brasil no Torneio Centro-Sul-Americano, em janeiro deste ano. O vice-campeonato garantiu a classificação ao Mundial de 2021. Com a volta de Oliveira, Nunes retornou à equipe, mas deixou o posto assim que Ricardinho reassumiu a presidência. O atual treinador é Marcus Tatá.

    A modalidade integraria a Missão Europa, iniciativa do Comitê para auxiliar a retomada da preparação de atletas brasileiros após meses de paralisação em razão da pandemia do novo coronavírus (covid-19). Em meio ao entrave entre COB e CBHb, o treinamento da seleção masculina em Portugal, que seria em outubro, foi cancelado.

    Na ocasião, Thiagus Petrus, capitão da seleção brasileira - ele ajudou a equipe a conquistar o ouro, em 2015, no Pan de Toronto (Canadá) - se manifestou no Instagram. 

    Confira a carta de renúncia:

    "É do conhecimento de todos o que ocorreu na mina vida nos últimos meses. Fui alvo de um linchamento moral que nem os piores criminosos do país sofreram. Não tive sequer o direito de cumprir a pena a que fui condenado após os recursos, direito este conferido a qualquer criminoso do país, mesmo na certeza da injustiça feita contra minha pessoa.

    Apesar disso e de toda a perseguição política que sofri, acredito que consegui deixar a Confederação Brasileira de Handebol melhor do que estava quando assumi a presidência, com importantes conquistas diante de um dos piores cenários financeiros encontrado na CBHb.

    Agora a verdade começa a transparecer, tanto que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro me deu o direito de retornar ao cargo do qual fui afastado. Temos uma biografia límpida construída ao longo de 30 anos dedicados ao esporte, e isto será provado em breve.

    Mesmo tendo o direito de permanecer no cargo para o qual fui eleito democraticamente, assegurado por uma decisão judicial, resolvi renunciar à presidência da entidade, para que a perseguição dirigida à minha pessoa não acabe por prejudicar todo o handebol, que é um patrimônio do povo brasileiro, e que as pessoas passam, mas as instituições ficam. Muitos já passaram e a CBHb e o handebol permanecem.

    Por amor ao esporte, ao qual tenho muito zelo e gratidão, além de todos aqueles que fazem e fizeram o handebol nacional, renuncio de forma irretratável e irrevogável ao cargo de primeiro vice-presidente (atualmente no exercício da presidência) da CBHb".

    *Com informações da Agência Brasil

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