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    Bem estar por meio do esporte


    Amazonense vence depressão por meio do esporte 'Luto contra mim mesmo'

    O atleta conta como foi a caminhada para vencer a depressão por meio do esporte e com ajuda do educador físico

    Jhon pratica dois esportes
    Jhon pratica dois esportes | Foto: Brayan Riker

    Manaus - Conhecida como o mal do século, a depressão afeta milhões de pessoas no mundo e faz vítimas diariamente. O caso do amazonense Jhon Grippa foi diferente, ele usou a prática do esporte para vencer a doença e contou com exclusividade ao Portal Em Tempo, sobre a caminhada em busca da cura. 

    A depressão é tratável. Jhon  Grippa, de 30 anos, é mais um dos brasileiros que foram diagnosticados com a doença. Não conformado com o quadro em que estava, buscou no esporte a ajuda necessária para vencer o mal. 

    Jhon Grippa usa  o esporte para vencer o quadro depressivo
    Jhon Grippa usa o esporte para vencer o quadro depressivo | Foto: Brayan Riker

    "Eu me sentia com a autoestima lá embaixo, sem ânimo para nada. Fiquei isolado e só pensava em comer, cheguei a engordar 10kg. Foi aí que percebi que precisava de ajuda. Reconhecer isso não é tão fácil como parece, mas é o primeiro passo para enfrentar esse obstáculo e vencer. Então procurei começar a praticar esportes", disse o atleta.

    Atualmente, Jhon é praticante de dois esportes, o Jiu-Jítsu e Crossfit. Para ele, a boa relação com os instrutores e a compreensão deles sobre a doença, é fundamental para o sucesso do esporte, como parte do tratamento. 

    Jhon e Bruno treinam juntos e contam a importância de uma boa relação aluno e professor, no tratamento da depressão por meio do esporte
    Jhon e Bruno treinam juntos e contam a importância de uma boa relação aluno e professor, no tratamento da depressão por meio do esporte | Foto: Brayan Riker

    "Quando comecei a praticar Jiu-Jítsu e Crossfit, aos poucos eles trouxeram minha alegria de volta. Senti que poderia superar. O Bruno é meu treinador. No Cross temos muito respeito e confiança. Isso é uma característica fundamental para o treino ser bem sucedido. O profissional tem que se adaptar ao objetivo do aluno, e não pressionar ou exigir além do que é possível" disse Jhon ao lembrar da importância de bons treinadores, no processo de cura.

    Bruno Lacerda, de 29 anos, é educador físico, e ao longo dos anos, conviveu com alunos que buscavam recuperar a alegria e confiança por meio da atividade física. Essas experiências foram essenciais para que ele melhorasse cada vez mais como profissional, e pudesse ajudar o aluno Jhon. 

    Bruno Lacerda diz que a experiência de treinar pessoas com depressão o faz crescer como profissional
    Bruno Lacerda diz que a experiência de treinar pessoas com depressão o faz crescer como profissional | Foto: Brayan Riker

    "É sempre um desafio trabalhar com um aluno que sofre de depressão ou ansiedade. É preciso entender que não é simplesmente montar um treino e mandar ele executar. Além de professor, é preciso ser amigo, ter confiança mútua. Quando você percebe a mudança na pessoa e o interesse pelas aulas, é algo satisfatório. Traz o sentimento de dever cumprido" disse Bruno, ao lembrar de seus alunos.

    Bruno diz que, mesmo para aqueles que não sofrem de depressão, atividades físicas são essenciais no dia a dia de qualquer pessoa.

    "O exercício físico é uma terapia prática e previne muitas doenças que estamos expostos, durante a vida. Como a depressão. Se exercitar alivia o estresse e tensão, tanto muscular quanto a emocional. Vai liberar endorfina, um neurotransmissor que ajuda o indivíduo a superar a zona depressiva" disse o educador.

    A prática esportiva ajudou Jhon a controlar a depressão. Para ele, o esporte foi uma das maneiras de salvação para controlar a doença e melhorar a qualidade de vida. 

    Jhon no lugar mais alto do pódio, no Pan-Americano de Jiu-Jítsu
    Jhon no lugar mais alto do pódio, no Pan-Americano de Jiu-Jítsu | Foto: Reprodução

    "Hoje eu posso dizer que posso enfrentar qualquer obstáculo. Praticar esses esportes me proporcionou um grande controle sobre minha depressão. Esse ano fui Campeão Amazonense e Pan-Americano de Jiu-Jítsu. Quando estou nos tatames, não luto apenas contra meus adversários, mas contra eu mesmo. Fazer o que gosto trouxe um sentimento que posso ir além. Aos poucos não vai mais existindo espaço para a depressão" disse contente ao ver o controle sobre a doença e como evolui por meio do esporte.

    Palavra da psicóloga

    A psicóloga Maiene Menezes, de 23 anos, conta que o esporte pode ser um aliado contra a temível depressão. A doença é um distúrbio mental que altera o humor e auto estima das pessoas que são afetadas. Ela diminui o interesse de práticas por qualquer atividade cotidiana.

    Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões sofrem com a depressão. No Brasil, cerca de 10 milhões de brasileiros convivem com a doença.

    "A prática de esportes e exercícios físicos, liberam um neurotransmissor do cérebro chamado endorfina. Ele ajuda na sensação de bem estar e prazer, além de proporcionar alívio e mudanças positivas no humor", revela Maiene.

    Maiene Menezes é psicóloga e relata como a prática esportiva é benéfica no tratamento de um quadro depressivo
    Maiene Menezes é psicóloga e relata como a prática esportiva é benéfica no tratamento de um quadro depressivo | Foto: Reprodução

    Aliado aos remédios e acompanhamento com psicólogos, o esporte aumenta consideravelmente a qualidade de vida dessas pessoas, mas praticar qualquer atividade quando se está nessa condição, não parece muito animador. Por isso, Maiene dá dicas de como começa.

    "O ideal é começar aos poucos, quando a pessoa se sentir preparada para fazer alguma atividade física. É preciso respeitar seus limites. Começar caminhando é uma boa alternativa e depois correr. A prática da musculação também é indicada. Pode ser uma vez por semana, até que a pessoa se adapte e ganhe estímulo, chegando a praticar até três vezes por semana" recomenda a psicóloga. 

    A psicóloga recomenda a organização na agenda, sempre estabelecendo metas que se encaixem no cotidiano. Não procurando criar grandes objetivos no começo do processo, sabendo reconhecer as pequenas conquistas. 

    "As metas devem ser possíveis de serem alcançadas. Não comece com metas muito altas, não alcança-las irá desestimular a continuidade das atividades. As metas e recompensas podem ser construídas por meio de um trabalho psicoterapêutico com o paciente" finaliza a psicóloga. 

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