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    Esporte


    Ídolos protestam e Racismo no esporte vira luta humanitária

    O racismo ainda é uma dura realidade presente em todos os setores da sociedade e infelizmente, o esporte sofre com o desrespeito

     

    Atletas lutam todos os dias, para que o racismo seja uma realidade cada vez mais distante
    Atletas lutam todos os dias, para que o racismo seja uma realidade cada vez mais distante | Foto: Arte Em Tempo

    Além da pandemia, muitos casos de racismo no esporte foram contabilizados em 2020. Atletas e profissionais do esporte levantaram uma importante bandeira dentro de fora das competições: o respeito. Nomes como Neymar e Lewis Hamilton sofreram com o racismo e se posicionaram sobre os casos.

    O racismo é crime. De movimentos extremistas a pequenas atitudes do dia a dia, o preconceito por cor carrega ignorância, traz humilhação e constrangimento a quem o sofre. 

    Neymar

    Em setembro de 2020, Neymar denunciou um jogador do Olympique de Marselha, após ter sido chamado pelo zagueiro Álvaro Gonzáles, de “macaco”. O astro brasileiro ficou indignado com a arbitragem, que mesmo com as reclamações, parecia ignorar os insultos relatados pelo jogador.  

    “No nosso esporte, as agressões, insultos, palavrões são do jogo, da disputa, não dá para ser carinhoso. Mas o preconceito e intolerância são inaceitáveis. Eu queria que os responsáveis pelo jogo (árbitro e auxiliares) se posicionassem de modo imparcial, entendessem que não cabe essa tal atitude preconceituosa. Eu e meus companheiros pedimos ajuda e fomos ignorados. Esse é o ponto”, disse Neymar em uma de suas redes sociais. 

     

    Neymar no episódio de racismo, contra o Olympique
    Neymar no episódio de racismo, contra o Olympique | Foto: Franck Fife/AFP

    O craque aproveitou seu espaço para falar que o racismo é algo que ainda existe na sociedade, embora muitos tentem amenizar esse tipo de situação ou ainda fechar os olhos, como se elas não acontecessem. 

    “O racismo existe, mas temos que dar um basta. Não cabe mais! Cor de pele não há escolha. Perante Deus somos todos iguais. Mas ignorar um ato racista não vai ajudar",  desabafou. 

    Hamilton

    Um dos maiores pilotos da história, Lewis Hamilton é o primeiro negro a correr na Fórmula 1, a elite das competições de corrida no mundo. Sua destreza nas pistas não o tira da posição de ser um alvo daqueles que desrespeitam as pessoas.

    Em 2020, Hamilton assumiu a missão de usar seu espaço e voz na mídia para falar e demonstrar seu apoio as vítimas de racismo. Em 2008, o próprio piloto foi alvo do crime, no Grande Prêmio da Espanha, quando torcedores pintaram os rostos com tinta preta, e imitavam sons de macaco, a cada aparição do inglês. 

    Na época, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) se pronunciou por meio de nota, alertando que as atitudes direcionadas a Lewis Hamilton violavam os protocolos da organização e, caso houvessem novas provocações, a Espanha teria seu GP suspenso do calendário. 

     

    Hamilton se tornou uma voz ativa na luta contra o racismo, dentro e fora das pistas
    Hamilton se tornou uma voz ativa na luta contra o racismo, dentro e fora das pistas | Foto: Divulgação

    Hamilton usou em uma de suas corridas, um capacete vermelho, com a numeração do jogador de Futebol Americano, Colin Kaepernick, como forma de demonstrar apoio a decisão de Kaepernick de ficar ajoelhado e não cantar o hino americano. 

    A ação de Kaepernick era um protesto contra a vida de cidadão negros que estavam sendo mortos pela polícia dos Estados Unidos (EUA). O apoio de Hamilton não agradou a todos, o próprio corredor falou sobre o assunto, mas sem citar o nome dos envolvidos. 

    “Depois disso, fui silenciado. Me disseram para não continuar, não apoia-lo, senão eu iria me arrepender", contou o piloto em entrevista.

    No Grande Prêmio da Áustria, em julho de 2020, Hamilton se ajoelhou antes da corrida, com uma camisa com a frase “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam). Outros pilotos o acompanharam e ajoelharam-se. Mesmo aqueles que permaneceram de pé, carregavam uma blusa com a escrita “Acabem com o racismo”. 

    O inglês lembrou que não pediu a nenhum dos colegas de pista que o acompanhassem no ato.

    “Eu disse: ‘Eu vou fazê-lo mas vocês, façam o que acharem certo'. Penso que é uma mensagem forte, mas não vai mudar o mundo. É um problema muito maior no mundo, todos tinham o direito de fazer o que entendessem, mas para mim fez sentido", disse.  

    Caso Pierre Webó

    O auxiliar técnico Webó sofreu racismo vindo do quarto árbitro do jogo entre PSG e Istambul Basaksehir, no dia 8 de dezembro de 2020.

    Aos 14 minutos do primeiro tempo, Pierre Webó relatou que ouviu do quarto árbitro, um termo racista, para se referir a ele. Os jogadores da equipe do auxiliar ficaram inconformados com a situação e foram pedir explicações ao árbitro. 

    Como forma de protesto, os jogadores abandonaram a partida, se encaminhando para o vestiário. Ao saber do motivo da confusão, o time do Paris Saint-Germain se solidarizou a Webó e também desistiu da partida. 

     

    Webó foi expulso por reclamação, mas a Uefa retirou a punição
    Webó foi expulso por reclamação, mas a Uefa retirou a punição | Foto: Ian Langsdon/EFE

    Os dois principais jogadores do PSG, Neymar e Mbappé se posicionaram ainda em campo, e afirmaram: "Nós não vamos jogar", disse Neymar. "Se esse cara não sair, nós não jogamos", falou Mbappé. 

    Pierre Webó cedeu entrevista à emissora BBC e contou que viu o posicionamento dos jogadores como um divisor de águas. 

    "Na minha opinião, há um antes e depois do dia 8 de dezembro. Vai ser lembrado. Nós mostramos que podemos fazer aquilo (abandonar a partida) e vamos fazer. Não é o árbitro que vai parar com o racismo, são os jogadores", contou a BBC. 

    Racismo no esporte amazonense

    Casos como Neymar e Hamilton ganham grandes proporções na mídia, e por vezes, aparentam ser um assunto distante de nós. Os jogadores do Manaus FC, Douglas Lima e Luís Fernando, contaram com exclusividade ao Portal em Tempo, situações que vivenciaram e acompanharam dentro e fora do esporte.  

     

    Douglas Lima, no CT do Gavião do Norte
    Douglas Lima, no CT do Gavião do Norte | Foto: Lucas Araújo/Manaus FC

    "Eu já sofri racismo até fora do campo. Enquanto não acontecia comigo, eu fazia pouco caso, mas quando sentimos na pele, vemos o quanto dói. Todos somos seres humanos, isso que importa, não podemos discriminar alguém por conta da cor da pele. Acredito que os movimentos que acontecem no futebol brasileiro e no esporte em geral, ajudam a lutarmos contra o racismo. Muito bom que pessoas com grandes nomes, falem sobre a causa. Isso também ajuda fora dos campos",  disse Douglas.  

     

    Atleta Luís Fernando, do Manaus FC
    Atleta Luís Fernando, do Manaus FC | Foto: Lucas Araújo/Manaus FC

    "O racismo parte de pessoas que não enxergam que todos somos feitos de carne e osso. Esse tipo de situação pode causar confusões generalizadas, como eu já vi em alguns episódios. O futebol está ficando chato, cada dia que passa vemos esse tipo de notícia. Espero que isso um dia possa acabar", disse Luís Fernando, lembrando de atitudes que presenciou em campo. 

    Organizações esportivas se posicionam sobre os casos

    Na Europa, a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) se pronunciou sobre o caso de Webó.

    "A Uefa tomou conhecimento de um incidente ocorrido esta noite no jogo da Champions League, entre Paris Saint-Germain e Istambul Basaksehir e vai conduzir uma investigação aprofundada. O racismo e a discriminação em todas as suas formas não têm lugar no futebol", comunicou por meio de nota.

     

    A CBF é a entidade máxima do futebol brasileiro
    A CBF é a entidade máxima do futebol brasileiro | Foto: Divulgação

    A Confederação Brasileira de Futebol (CBF)  também prestou solidariedade. "A CBF está solicitando ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva a abertura imediata de uma investigação sobre a denúncia de racismo sofrida pelo jogador Gerson Santos, do Clube de Regatas do Flamengo. A CBF reitera ainda, o seu profundo repúdio ao racismo", informou a organização. 

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