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    Arte Samurai


    Disciplina e resistência: arte samurai ganha novos adeptos em Manaus

    As práticas são capazes de fortalecer o corpo e a mente com treinos intensos e trocas culturais

     

    Arte centenária tem adeptos em todo o Brasil.
    Arte centenária tem adeptos em todo o Brasil. | Foto: Divulgação

    Manaus - A artes marciais japonesas sempre causaram encanto nos brasileiros, principalmente por suas técnicas repletas de disciplina e resistência. Em Manaus, modalidades de artes clássicas com espadas, como Kenjutsu e o Iaijutsu, têm sido popular entre jovens e adultos.

    O coordenador dessa arte em Manaus, Guilherme Pinheiro, pratica ambas as técnicas há dez anos e afirma que, apesar de contar com espadas, não há motivos para preocupação, “Não é perigoso. Como em qualquer arte marcial ou esporte estamos sujeitos a acidentes, porém com nossa metodologia de treino e nossos equipamentos de proteção temos um índice menor que do futebol ou outros esportes ”, conta.

    Para isto, os equipamentos de proteção são essenciais, como armaduras e roupas confortáveis para a prática. Logo no início das aulas, o aluno recebe uma espada de bambu ou de madeira para treinar e, conforme vai evoluindo, pode utilizar de outros itens mais avançados. E essa evolução requer prática, de acordo com Guilherme, aos fins de semana podem durar mais de doze horas, motivos pelos quais seus praticantes sempre contam com dificuldades no início.

     

    Prática requer equipamentos de proteção apropriados.
    Prática requer equipamentos de proteção apropriados. | Foto: Divulgação

    O servidor público Rafael Lins, de 33 anos, pratica ambas as modalidades há quatro anos e relata que todo o caminho requer atenção constante. “O aluno iniciante tem que aprender não só os golpes, mas os padrões de etiqueta japonesas, para entrar no dojo, durante o treino e quando sair do dojo também. Fora que habilidade com a espada só se desenvolve com o tempo”, diz. Além do kenjutsu e do iaijutsu, Rafael também pratica o jojutsu, uma terceira técnica complementar para o condicionamento completo do corpo.

    Para ele, o kenjutsu, através da dedicação ajuda a enfrentar problemas como o cansaço, a inabilidade com a espada e até mesmo com o calor do ambiente. O iaijutsu ajuda na concentração e foco do aluno. Por sua vez, o jojutsu ensina a ter noção de espaço e amplitude na hora da execução dos movimentos. “Tudo acaba se conectando”, completa.

     

    Alunos se preparando para o treino.
    Alunos se preparando para o treino. | Foto: Divulgação

    No aspecto físico, os maiores benefícios estão no trabalho dos músculos e no ajuste da postura. A estudante e praticante de kenjustu, Priscila Moreira, de 25 anos, sentiu no dia a dia os reflexos desse empenho. “Quando comecei eu era muito sedentária e me cansava com facilidade. Depois de um tempo percebi que, durante minhas atividades cotidianas, eu ofegava menos, respirava melhor. E também ajudou e ainda ajuda a manter o controle de peso. ”

    Arte de corpo e mente

    Um dos grandes pontos das artes marciais japonesas é justamente o aprendizado que o acompanha, um trabalho completo de corpo e mente. Além da melhora no físico, seus praticantes relatam aumento da resiliência, uma maior maturidade em relação a acontecimentos do dia a dia e busca constante pela firmeza em meio a adversidades. Tudo isto é atrelado ao ensinamento do Código de Conduta dos Samurais.

    O coordenador Guilherme Pinheiro nos conta que elas são ensinadas junto a lições de vida e virtude. “Baseado nas sete virtudes: coragem, honra, razão, lealdade, verdade, justiça e compaixão, finalizamos nossos treinos com uma lição para a vida, para nosso cotidiano e para nos melhorar como pessoas, damos o nome de Momento de Ouro. Estas lições vêm de experiências vividas por nosso Sensei, provérbios e culturas japonesas e situações históricas da formação do Japão”.

     

    1º Mundial de Kenjutsu em São Paulo (2018)
    1º Mundial de Kenjutsu em São Paulo (2018) | Foto: Divulgação

    Por conta da necessidade de manter um treino constante, mesmo durante a pandemia as aulas não pararam, já que várias competições nacionais e internacionais acontecem com frequência e os alunos se sentem motivados em participar justamente pela filosofia de evolução. “. A experiência é muita boa ainda que você não se consagre vencedor, a sensação de competir e participar já vale um grande aprendizado”, conta Rafael.

    Para quem se interessou, as aulas são praticadas na Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental (NIPPAKU), no bairro Adrianópolis, às quartas e sextas. As matrículas, aquisição de material ou mais informações estão disponíveis através do Whatsapp (92) 98194-7514 ou pelo site www.niten.org.br/manaus.

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