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    Assédio no esporte


    Torcedora sofre assédio sexual em transmissão de jogo em Manaus

    A torcedora conta que nunca havia passado por uma situação tão constrangedora enquanto assistia um jogo. Ela pede para que mulheres que sofrem esse tipo de crime não se calem

     

    Ela conta que sempre ia assistir os jogos nos estádios, mas nunca havia passado por algo parecido
    Ela conta que sempre ia assistir os jogos nos estádios, mas nunca havia passado por algo parecido | Foto: Reprodução

    Manaus - O que parecia ser uma estreia de campeonato tranquilo para uma torcedora, foi um verdadeiro pesadelo. A estudante Andrezza Farias, de 25 anos foi vítima de assédio sexual enquanto assistia a partida de abertura do Campeonato Amazonense, entre o Nacional e o Amazonas FC, ocorrido na última segunda-feira (15).

    A torcedora do Nacional fez um comentário durante a transmissão e um perfil começou a importuná-la com comentários de assunto sexual. O caso revoltou até os outros torcedores que assistiam a partida.

    "Foi extremamente constrangedor, me senti muito mal. Foi tanto que nem quis mais ver o jogo", disse a torcedora. 

     

    | Foto: Reprodução

    Andrezza conta que chegou a registrar um Boletim de Ocorrência sobre o assédio sofrido na internet. 

    "Eu nunca havia passado por isso, nem no estádio, onde frequentava muito antes da pandemia. Uma coisa que eu digo para mulheres que também sofrem assédio é que não se calem, denunciem. Não deixe se abater com essa situação, por mais difícil que seja. A gente logo pensa que não vamos ter apoio, pois só se falam de 'assédio' quando é algum famoso. Eu recebi o apoio de muitas pessoas. Então eu digo não se cale", ressaltou a estudante. 

    O perfil do assediador encontra-se bloqueado após denúncias feitas para a rede social. O apoio mútuo foi demonstrado por mensagens de conforto para a torcedora.

    "Parabéns pelo posicionamento. Precisamos banir esse tipo de comportamento escroto de nosso convívio social", disse um seguidor em apoio. 

    "Nessa hora você jamais estará só. Nós nunca podemos ficar calados com esse tipo de comportamento de um infeliz desse. Você tem o apoio de todos nós", disse outro apoiador. 

    Posicionamentos

    Em nota de repúdio, o clube Nacional informou que lamenta o constrangimento sofrido pela torcedora do Leão da Vila Municipal.

     

    Veja a nota de repúdio do clube
    Veja a nota de repúdio do clube | Foto: Reprodução Nacional

    "Na última segunda-feira (15), na transmissão da partida entre Naça e Amazonas, pelo Facebook do Esporte Manaus, a torcedora do Leão da Vila Municipal, Andrezza Farias, foi assediada nos comentários, com palavras imorais, por outro internauta. O Nacional Futebol Clube repudia quaisquer forma de assédio e desrespeito contra as mulheres. Lamentamos e ressaltamos que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive torcendo pelo Naça", disse a nota. 

    A transmissão do jogo foi realizado por meio das redes sociais da página Esporte Manaus e eles também se posicionaram sobre o ocorrido. 

    "Um episódio nos deixou, mais que tristes, revoltados. Uma torcedora que participou da transmissão foi assediada nos comentários. Não podemos e nem vamos nos calar diante de qualquer atitude preconceituosa, discriminatória ou desrespeitosa. Não vamos tolerar esse tipo de comportamento aqui. Brincadeira é uma coisa, assédio e desrespeito é outra completamente diferente. Quem não entender isso, fique à vontade para deixar de seguir a página. Não fazemos questão de você aqui. 

    Pedimos publicamente desculpas à torcedora pelo inconveniente, nos colocamos à disposição para ajudar e esclarecemos que a moderação está atenta para coibir esse tipo de conduta na página. Também agradecemos aos torcedores que denunciaram o assédio. Vocês são o retrato da audiência do Esporte Manaus e é por vocês que nos dedicamos tanto ao trabalho", completou. 

    Assédio na internet

    Em um estudo feito com 500 mulheres, 77% afirmaram que já sofreram assédio sexual no ambiente virtual. De acordo com a pesquisa, dentre os tipos de assédio, o mais comum é o da linguagem abusiva e insultuosa, em que 58% das meninas relataram já terem vivido ou conhecerem meninas que enfrentaram a situação.

    Em seguida está o body shaming, que é direcionado ao corpo da mulher, com uma porcentagem de 54%. Com 52%, está o constrangimento proposital. Outros tipos de assédio também foram relatados, como ameaças de violência sexual, comentários lgbtfóbicos, racistas ou perseguição. 

    *Obs: A personagem autorizou o uso de sua imagem e da conversa pública nas redes sociais

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