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    Gamers no AM


    Equipe de Gamers leva bandeira do Amazonas para o cenário nacional

    A equipe, com origens regionais, compete em meio às dificuldades, para destacar o Amazonas no e-Sports

     

    O time amazonense "Amazoncripz", foi criado em 2019 por Andryw Antony, hoje presidente da Federação Amazonense de e-Sports
    O time amazonense "Amazoncripz", foi criado em 2019 por Andryw Antony, hoje presidente da Federação Amazonense de e-Sports | Foto: Reprodução

    Manaus (AM) - Ser um atleta amazonense em jogos eletrônicos já é uma realidade. Com a popularização dos games on-line e em plataformas móveis, o interesse em investir neste mercado de forma profissional cresceu e se tornou um realidade. Em Manaus, o time esportivo oficial de Free Fire tem se destacado no meio dos e-Sports — como são chamados os esportes digitais — e levado a bandeira do Amazonas para o cenário nacional das competições. 

    O time amazonense "Amazoncripz", foi criado em 2019 por Andryw Antony, hoje presidente da Federação Amazonense de e-Sports. Ele conta que começou a construir a ideia após perceber um aumento de interesse em campeonatos nacionais, como o CBLol, do RPG League Of Legends e em influencers de games.

     

    O idealizador do projeto busca alavancar o time em competições
    O idealizador do projeto busca alavancar o time em competições | Foto: Reprodução

    O "owner" (proprietário) do time acompanhou o cenário nacional ao participar de grandes eventos, como a Brasil Game Show (BGS), maior evento da América Latina sobre jogos e cultura geek. Após o lançamento e a popularização do jogo de plataforma móvel 'Free Fire', ele decidiu investir na área.

    "Eu fui para eventos no Brasil afim de conhecer o cenário nacional. Participei de eventos e vi como tudo estava crescendo, na mesma época em que Fortnite estava em alta"

     

    Atletas por trás das telas

    A intenção de formar um time de jogadores profissionais de jogos on-line por si só é  desafiadora. No entanto, Antony foi além e focou seus esforços em manter a equipe totalmente regional, com origens amazônicas. Ele conta o orgulho da equipe que possui. 

    "Eu fugi completamente dessa ideia de trazer jogadores de fora para representar um time ou um estado, como acontece no sul, no sudeste e até mesmo aqui no Norte. Nosso time é manauara, é amazonense. Nascidos e criados"

     

    Um desses cyber atletas é Gabriel Fortes, de 17 anos. Ele é rushador - aquele que provoca atençao dos adversários para que outros da equipe ocupem posições estratégicas- oficial do Squad (Esquadrão) da Amazoncripz.

     

    Gabriel Fortes é destaque
    Gabriel Fortes é destaque | Foto: Divulgação

    Apesar da pouca idade, ele joga há três anos. "Eu jogava mais por diversão, até que segui para um caminho mais profissional, pois vi que era muito bom naquilo. Assim decidi me tornar um cyber atleta", relembrou. 

    Ele afirma que para ser um atleta profissional completo, não basta apenas 'saber jogar'.

    "Pra mim, você precisa ser um jogador tático, um jogador inteligente, que saiba cumprir suas funções e principalmente que saiba trabalhar em equipe"

     

    De acordo com Fortes, o time treina, em média, oito horas por dia, de estratégias táticas até posicionamentos e trocações.

    Mesmo com treinos intensos e uma preparação de fato profissional, cyber atletas de e-sports ainda enfrentam certo receio na carreira, principalmente vindo dos próprios familiares, já que atualmente muitos pais/responsáveis veem os jogos como inimigos.

    "No início, quando decidi seguir o caminho profissional no Free Fire, minha família era contra. Até que comecei a conquistar muitas coisas e mostrei para eles que da possível ter um futuro com isso",  diz o jovem. 

    Com passos ainda iniciais, se comparado ao cenário nacional, Gabriel é confiante. Ele reconhece que a prática ainda está em seus primeiros passos no Amazonas, mas prevê que conforme o esforço que o time segue empenhando, irá longe e deixará uma marca para o estado em todo o país. 

    Dificuldades amazônicas 

    O cenário local, no entanto, não é muito favorável, principalmente frente às Ligas brasileiras. A dificuldade já começa em um item básico: o acesso e a velocidade da Internet.

    Segundo pesquisa feita pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Manaus tem está no 19° lugar no ranking de 20 capitais do Brasil em velocidade em Internet. O primeiro lugar é da cidade de São Paulo, coincidentemente onde se encontram a maioria dos players de e-Sport do país.

     

    O time enfrenta dificuldades, principalmente na conexão com a internet
    O time enfrenta dificuldades, principalmente na conexão com a internet | Foto: Divulgação

    Isto fica exemplificado quando se relembra a situação que a equipe passou ainda este ano. Em março, eles estavam competindo para ter acesso a elite Liga Brasileira. A intenção era realizar o sonho de entrar no Grupo A. No entanto, devido a queda de energia, o time ficou sem acesso a Internet Banda larga, tendo que recorrer a rede móvel lenta. 


    "Essa é a situação que estamos jogando, dentro do carro pra ver se pega o 4G! Luz não volta."

     


    O caso comoveu muitos manauaras nas redes sociais, mas que poderia ter sido resolvido se o time tivesse um incentivo maior, que pudesse lhe dar um espaço completo para as competições, algo que Andryw Antony tem ciência.

    "Ali, quando aconteceu, os meninos estavam muito emocionados. Os pais apoiavam e estavam na expectativa para a entrada na Série A. Foram três meses de muito treinamento, basicamente jogados por água a baixo", conta.

    A ocasião marcou a equipe como um todo. Na época, eles tiveram muito apoio de amigos e pessoas que se solidarizaram com a situação. No dia, a equipe foi acolhida por um amigo do time que lhes cedeu espaço já casa que havia energia. Infelizmente, eles perderam, se classificando em último lugar, mesmo com uma forte classificação nas primeiras etapas.

    Apesar dos problemas que enfrentam por terem dado início a história do e-Sport no Amazonas e das fortes emoções no primeiro grande campeonato, eles já olham para o futuro. 


    "Tudo isso faz parte, pra nossa história se tornar mais bonita do que já está"

     


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