Fonte: OpenWeather

    Futebol


    Desigualdade salarial no futebol brasileiro impacta jogadores do AM

    Uma pesquisa revelou que enquanto alguns jogadores ganham milhões, 88% dos jogadores espalhados pelo Brasil ganham salários de até R$5 mil e revelam a grande diferença salarial

     

    88% dos jogadores espalhados pelo Brasil ganham bem menos que os jogadores mais cobiçados
    88% dos jogadores espalhados pelo Brasil ganham bem menos que os jogadores mais cobiçados | Foto: Ismael Monteiro/Manaus FC

    Manaus - O futebol mudou a vida de muitos jovens da periferia. Eles buscaram mudar de vida por meio do esporte e quando reconhecidos, passaram a ganhar milhões em dinheiro e patrocínios. No entanto, essa não é a realidade de todos os jogadores. Muitos estão em busca do tão sonhado reconhecimento e vencer a desigualdade salarial no esporte. 

    Diversos times espalhados pelo Brasil, que compõem a Série C e D, não têm condições de pagar um salário de milhões de reais para seus jogadores. Pelo contrário, muitos deles pagam apenas um salário mínimo para seus atletas. A desigualdade salarial gera um questionamento: como é possível jogadores fazerem a mesma coisa e terem um salário tão diferente um do outro?

      O valor recebido pelos jogadores no Brasil é mais comum do que se imagina, cerca de 88% dos jogadores espalhados pelo Brasil ganham salários de até R$5 mil, é o que revela a pesquisa feita pela pela plataforma CupomValido que reuniu dados da CBF, Statista e Ernst & Young sobre o esporte no país. Ou seja, mais da metade não ganha milhões de reais como jogadores dos grandes times.  

    Esta diferença de R$5 mil fala alto quando o assunto é comparação. O jogador mais bem pago do Brasil é Gabriel Barbosa, o "Gabigol" do Flamengo. O atleta recebe o montante de R$1,6 milhões de reais para atuar como atacante do Rubro-Negro, ou seja, R$19,2 milhões por ano, além de acumular uma fortuna de 28 milhões, pois além dos trabalhos nos campos, ele ainda possui contratos publicitários que contribuem para a fortuna milionária. 

    A vida de Gabigol é vista como um exemplo para muitos jovens que buscam viver por meio do futebol. Fazer aquilo sempre sonhou e ter salário milionário é o sonho de qualquer atleta. O goleiro amazonense, Bruno Saul, de 25 anos, é um exemplo de jovem que sonha em ganhar a vida com o futebol. 


     

    Bruno joga pelo time roraimense Grêmio Atlético Sampaio, e relata que ganha o suficiente para se manter
    Bruno joga pelo time roraimense Grêmio Atlético Sampaio, e relata que ganha o suficiente para se manter | Foto: Arquivo pessoal

    Bruno joga profissionalmente no time roraimense Grêmio Atlético Sampaio e revela que o futebol chegou inesperadamente na sua vida. O atleta que vive do futebol e mora em Caracaraí, interior de Roraima, conta que recebeu sua primeira oportunidade por meio da escolinha do Santos e na ocasião, recebeu a chance de ficar oito meses atuando pelo São Caetano. 

    “Foi por acaso. comecei a jogar como amador, mas nada sério. Comecei a viajar pela escolinha do Santos, e aí foi quando em uma dessas viagens, me convidaram pra fazer teste em um time de São Paulo. Fiz fiquei oito meses no São Caetano, desde então não parei e hoje vivo disso”, afirma Bruno.

    Diferença salarial

     

    Bruno é goleiro e conta tem sonho de proporcionar o melhor para os pais por meio do futebol
    Bruno é goleiro e conta tem sonho de proporcionar o melhor para os pais por meio do futebol | Foto: Arquivo pessoal

    Enquanto jogadores como o Neymar, que é o jogador brasileiro que mais ganha, recebe R$ 501 milhões por ano, atletas como o Bruno tem que aproveitar as oportunidades que aparecem e seguir investindo no seu crescimento no futebol.

    O jogador conta que seu maior sonho não é ganhar milhões, mas sim ter a valorização profissional e sustentar a família. 

    “O meu maior sonho é dar estabilidade financeira aos meus pais por meio do futebol. Eu só quero o suficiente pra dar o melhor pra minha família”, revela.

    Bruno afirma que o quanto recebe é pouco, no entanto, consegue administrar. Durante a pandemia, teve que, inclusive, buscar uma renda extra para se manter, já que as competições estavam paralisadas. O atleta conta que conseguiu um emprego na área da refrigeração e foi assim que teve uma renda na pandemia.

    O goleiro acredita que a falta de apoio e patrocínios são os principais responsáveis pela estrutura financeira de um time. A situação reflete diretamente em como os times podem investir em seus jogadores. Sem patrocínio não tem como isso acontecer.

    “Infelizmente trabalhamos muito, mas nem todos os clubes têm o suporte de patrocinadores para efetuar e pagar algo que possa nos condicionar algo melhor”.

    O presidente do Manaus Futebol Clube, Luis Mitoso, afirma que a falta de valorização por meio dos próprios negócios de Manaus é uma situação que reflete diretamente na questão salarial dos jogadores. Mitoso cita a Zona Franca de Manaus (ZFM) que tem empresas que investem em times de outros estados, no entanto, não valorizam os times da cidade em que suas empresas estão localizadas. 

    "

    Temos a Zona Franca de Manaus aqui e eles não reconhecem o futebol como uma ferramenta de divulgação e de oportunizar outros negócios. Há o reconhecimento de algumas indústrias dos polos de Manaus com clubes de fora e isso a gente lamenta. Nos questionamos muito em relação a isso. "

    Luis Mitoso, Presidente do Manaus FC

     

     

    O presidente do Manaus FC, Luis Mitoso, acredita que a falta de valorização das empresas de Manaus são as responsáveis pela diferença salarial
    O presidente do Manaus FC, Luis Mitoso, acredita que a falta de valorização das empresas de Manaus são as responsáveis pela diferença salarial | Foto: Ismael Monteiro

    A pandemia também não foi uma fase fácil para o atual campeão do "Barezão". O presidente conta que durante o período, o desafio foi gigantesco e que a busca pelo otimismo foi o que ajudou a enfrentar a adversidade. 

      Apesar da falta de valorização, Mitoso afirma que o futebol amazonense não perde para as outras regiões do Brasil. Ele acredita que um dia será valorizado, pois os times estão similares e com grandes talentos.  

    “A gente acredita que o Manaus é um projeto grandioso do seguimento do futebol amazonense”, finaliza. 

    Jogadores ganham mais e outros, menos

     

    Neymar é o brasileiro mais bem pago do futebol
    Neymar é o brasileiro mais bem pago do futebol | Foto: Arquivo/Em Tempo

    No Brasil, o futebol é um esporte que movimenta R$52 bilhões. A receita dos maiores clubes, crescem a cada ano com o aumento da publicidade e da popularidade do esporte. Quanto mais os clubes ganham, maior é a chance de oferecerem salários melhores. 

      Os times disputam os jogadores que estão sendo mais visados. Consequentemente, isso faz com que os salários aumentem exponencialmente.  

    Oferta e demanda são a principal explicação. Quanto mais difícil de ser substituído, maior será o salário de um jogador. Além disso, os melhores jogadores são muito bem pagos, por estarem sendo protagonistas de um espetáculo que gera mais dinheiro a cada ano que passa. 


    Leia mais: 

    Clubes centenários vivem desafios para renascimento do futebol no AM

    Senado aprova suspensão de pagamento de dívidas de clubes de futebol

    Flamengo trata com urgência a permanência de Diego Alves