Fonte: OpenWeather

    Times afetados


    Grandes times brasileiros entram em decadência. A culpa é de quem?

    A má gestão dos dirigentes do clube, tanto financeira quanto institucional, é uma das principais respostas para os problemas

     

    Cruzeiro e Botafogo são dois times que sofrem com o "terror" do rebaixamento
    Cruzeiro e Botafogo são dois times que sofrem com o "terror" do rebaixamento | Foto: Fábio Barros

    Manaus (AM)- É orgulho para um torcedor dizer: "Meu time venceu". Porém, milhares de torcedores não podem dizer isso quando o assunto é bons resultados dentro e fora de campo. Grandes times brasileiros sofrem com graves crises financeiras e institucionais. 

     

    Vasco também sofre com dívidas
    Vasco também sofre com dívidas | Foto: Carlos Gregório

      Demissões, falta de recursos e o reflexo dos problemas internos no gramado, podem ser as causas das dificuldades vividas por times reconhecidos. Muitos que viveram momentos de glória são rebaixados e preocupam torcedores.  

    A crise financeira afetou diversos times brasileiros. Um dos motivos, foi a pandemia. Com os torneios esportivos suspensos por quase um ano, os clubes tiveram que aguentar um pouco mais. Aliado ao problema de estádios fechados e sem a presença do público, a má gestão dos dirigentes, tanto financeira quanto institucional, influenciou diretamente aos resultados negativos. 

      O time brasileiro que chama atenção pela queda de rendimento é o Cruzeiro, pois é considerado o segundo time mais endividado do Brasil, no valor de R$ 962,5 milhões, atrás apenas do Atlético-MG, que está com uma dívida de R$ 1,2 bilhão, mas ocupa o primeiro lugar da Série A no Campeonato Brasileiro de Futebol.  

    A situação crítica do Cruzeiro não é atual e preocupa torcedores há algum tempo. O time ocupa a  14ª posição da Série B do Brasileirão e pode ser rebaixado para a Série C do campeonato, causando ainda mais problemas para o clube mineiro. 

    Dívidas do Cruzeiro

     

    O presidente do Cruzeiro admitiu a situação ruim do time
    O presidente do Cruzeiro admitiu a situação ruim do time | Foto: Divulgação

    A alta dívida com o clube Al Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, referente a contratação do volante Denilson, pode contribuir com o rebaixamento, já que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) penalizou o time com seis pontos, o que diminuiu ainda mais o posicionamento do time no placar.

    A dívida com o time árabe gira em torno de R$ 5 milhões e ainda não foi paga pelo Cruzeiro. Por isso, a entidade iniciou o processo para a aplicação de uma nova pena.

    Em uma entrevista para a rádio 98 FM, de Belo Horizonte, o presidente do Cruzeiro, inclusive, admitiu o risco e explicou a situação em que o clube se encontra. 

    "Ir para a Série C é uma consequência natural da gradação de pena do Al Wahda, do Denilson. Quando você toma a punição, inicia-se um novo processo para aplicar uma nova pena. Iniciou-se o processo que pode gerar esse rebaixamento, mas esse não tem prazo definido ainda para acabar ou estabelecido", explicou. 

    Além dessa dívida, o clube ainda tem outras, como contratações passadas e com o revés de não poder contratar mais nenhum jogador, pois deve  R$ 7 milhões para o Defensor Sporting, do Uruguai.

    O time poderá ser punido novamente porque ainda não pagou R$ 6 milhões ao Morélia, do México, pela contratação de Riascos, em 2015.

    Situação de times preocupa

     

    Torcedores e jogadores sofrem com a situação
    Torcedores e jogadores sofrem com a situação | Foto: Getty Images

    O Botafogo é outro time que possui uma situação preocupante. Os botafoguenses reclamam da má gestão e do desempenho dos jogadores em campo. Eles associam o momento aos dirigentes do clube. 

    O Alvinegro Carioca possui uma dívida de R$ 946,2 milhões, foi rebaixado da série A para a B, do Brasileirão e está em sétimo lugar do placar. 

    A amazonense e torcedora do Botafogo, Yohanna Castro, de 24 anos, acredita que a diretoria é a principal culpada e que a falta de posicionamento dos jogadores do time também contribuem com o péssimo resultado que o clube tem, pois, segundo ela, jogam por dinheiro e com a falta dele, ficam desanimados. 

    "

    A maior crise é falta de dinheiro. Muitos deles não ligam se vão fazer a alegria do torcedor e nem jogam com amor à camisa. Estão sem a mínima vontade. "

    Yohanna Castro, Torcedora do Botafogo

     

     

    Vasco também sofre com dívidas
    Vasco também sofre com dívidas | Foto: Carlos Gregório

    Outro grande time que sofre com a mesma situação é o Vasco. Em 2019 foi ano difícil para o clube, já que foi marcado por uma crise política e financeira que deixou jogadores com salários atrasados.

    Os reflexos da crise continuam e se refletem nos campos: o Vasco foi rebaixado para a série B e o time ainda possui uma dívida de R$ 830,6 milhões.

    O jornalista e torcedor amazonense do Vasco, Renzo Luiggi,  acredita que existe uma crise interna no clube há mais de 20 anos e tudo começou com Eurico Miranda, que foi presidente do carioca por muitos anos.

    Ele ainda relata que as eleições para a presidência do Vasco são sempre tumultuadas e cheias de brigas.

    "

    Quem ganha, precisa lidar com as heranças malditas do Eurico: A crise financeira e a péssima cultura da oposição, que não serve para vigiar, e sim para dificultar os trabalhos, seja nos conselhos deliberativos ou de beneméritos, seja em outras decisões. Em resumo, é isso: uma espiral de problemas que cada vez fica mais difícil de sair. "

    Renzo Luiggi, Torcedor do Vasco

     

    Luiggi acredita que pode até não influenciar diretamente o desempenho dentro de campo, mas que, de alguma forma prejudica o jogador e geram situações ruins. 

    "Não dá pra dizer que essa bola de neve não afeta. Mas isso acontece a longo prazo, porque jogador vem sem saber dos problemas que o clube tem. No dia a dia, a falta de planejamento afeta. Isso sim reflete. Falta de recursos e possibilidades cria instabilidade, instabilidade cria pressão, e pressão afeta o futebol. É uma cadeia", declarou e finalizou o torcedor apaixonado pelo Vasco. 

    Leia mais: 

    Jogadores publicam manifesto contra a Copa América, mas negam boicote

    Os impactos da pandemia no futebol amazonense em 2020

    Saúde coletiva: esporte é uma necessidade social