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    Luta contra o racismo


    Atletas negros marcam a história do esporte e lutam contra preconceito

    Todos ocupam lugar de destaque no esporte e usam o talento para enfrentar o racismo

     

    Grandes atletas negros marcaram a história do esporte
    Grandes atletas negros marcaram a história do esporte | Foto: Divulgação

    Relembrando a memória de Zumbi dos Palmares, que se tornou um grande símbolo de resistência à escravidão e, consequentemente, ao racismo, o dia 20 de novembro ficou marcado como o Dia Nacional da Consciência Negra

    Assim, como Palmares, negros venceram o preconceito e se tornaram grandes símbolos de resistência e superação contra o racismo.

    No esporte, não é diferente. O segmento se tornou uma importante forma de combate a discriminação.

    Pensando nisso, a reportagem do Portal Em Tempo separou cinco personalidades do esporte que fizeram história e usaram o seu talento para lutar contra o racismo e foram essenciais para a construção de uma sociedade mais justa. 

    Daiane dos Santos

     

    | Foto: Divulgação

    É impossível ouvir o choro "Brasileirinho" e não lembrar imediatamente de Daiane dos Santos. A grande ginasta brasileira emocionou o Brasil com suas apresentações.

    Além de ser a primeira ginasta brasileira (entre homens e mulheres) a conquistar uma medalha em uma edição do campeonato mundial, ela também foi a primeira atleta negra do mundo a conquistar uma medalha de ouro.

    Ela fez parte da primeira equipe completa de ginástica artística a competir pelo Brasil em uma edição das Olimpíadas, que aconteceu em Atenas, em 2004.

    O reconhecimento da atleta é tão grande que existem dois movimentos do esporte que levam seu nome: o duplo twist carpado (conhecido como Dos Santos I) e o duplo twist esticado (conhecido como Dos Santos II).

      Apesar dos enormes feitos, Daiane sofreu preconceito enquanto integrava a seleção brasileira de ginástica artística, tendo que viver situações em que pessoas não queriam ficar no mesmo espaço, ou até mesmo, dividir o banheiro com a atleta.  

    Mesmo assim, a atleta venceu barreiras e se tornou uma grande inspiração para futuras esportistas do segmento, inspirando, inclusive, a campeã olímpica Rebeca Andrade. 

    Lewis Hamilton 

     

    | Foto: Getty Images

    Primeiro e único corredor negro na Fórmula 1, Lewis Hamilton, é considerado um dos maiores nomes da história do automobilismo, colecionando nada menos do que sete vitórias no campeonato mundial da categoria.

    Em 2020, o corredor ultrapassou a marca de vitórias de Michael Schumacher, algo que poucos acreditavam ser possível.

    Ele também foi o segundo piloto mais jovem a se tornar campeão do mundo na categoria e ainda se tornou o piloto mais bem pago da história da Fórmula 1.

    Nascido na Inglaterra, Hamilton já sofreu alguns casos de racismo durante a carreira e questiona a diferença de tratamento dada pela imprensa britânica a ele e a outros pilotos conterrâneos.

      O atleta também já criticou várias vezes a falta de diversidade na F1. E após a morte de George Floyd, cobrou nas redes sociais um maior posicionamento dos outros pilotos nas questões raciais, visto que era o único que tinha se manifestado sobre a violência policial.  

    Formiga

     

    | Foto: Divulgação

    Um dos grandes nomes do futebol feminino, a jogadora Miraildes Maciel Mota, conhecida como "Formiga" é a única pessoa, entre homens e mulheres, a ter participado, como atleta, de sete Copas do Mundo.

      A atleta além de vencer o machismo por conta de ser um destaque em um esporte considerado masculino, ela ainda teve que enfrentar diversas barreiras contra o racismo, e se tornou uma grande inspiração para meninas que querem construir carreira no futebol.  

    Duas vezes vice-campeã Olímpica,  uma vez vice-campeã mundial de futebol e 233 jogos pela Seleção Brasileira, Formiga decidiu se aposentar as 43 anos de idade, no dia 25 de novembro, em um amistoso do Brasil contra a Índia, na Arena da Amazônia, em Manaus. 

    Muhammad Ali

     

    | Foto: Divulgação

    Um importante nome de boxe e considerado por muitos o maior boxeador de todos os tempos, Muhammad Ali fez história como um atleta invencível. No boxe profissional, fez um impressionante total de 61 lutas com 56 vitórias e apenas 5 derrotas. 

    Campeão mundial na categoria peso-pesado e campeão Olímpico na categoria meio-pesado, protestou contra o racismo em uma época em que o preconceito imperava e integrou uma organização conhecida como "Islâmicos Negros", que lutava pelos direitos dos negros norte-americanos.

    Em 1967, Muhammad Ali se recusou a lutar na Guerra do Vietnã, e foi impedido de competir no boxe por três anos, tendo que retirar seu cinturão dos pesos-pesados

    Rebeca Andrade

     

    | Foto: Divulgação

    Emocionou o Brasil e fez história. Rebeca Andrade se tornou a primeira mulher brasileira a vencer duas provas na mesma edição e garantiu um ouro inédito no salto da ginástica artística nas Olímpiadas de Tóquio. 

      A atleta que teve Daiane dos Santos como inspiração, emocionou a colega de profissão ao conseguir o pódio duplo.  

    A vitória de Rebeca traz visibilidade e incentivo às pessoas negras e de baixa renda que pensam seguir na carreira. A atleta promete trazer ainda mais recordes para o Brasil.

    Usain Bolt

     

    | Foto: Roberto Castro

    O maior velocista de todos os tempos, Usain Bolt, é o único a ter vencido três vezes em Olimpíadas as provas de 100m e 200m. O atleta jamaicano foi um grande fenômeno nas Olímpiadas do Rio de 2016 e surpreendeu pela sua velocidade, se tornando a pessoa mais rápida do mundo. 

    Bolt já sofreu muito racismo, inclusive, na época em que estava no seu auge, nos Jogos Olímpicos. Em "memes", ele foi usado como representação para imagens de roubo. 

    Apesar do preconceito, o atleta superou as adversidades e se tornou um reconhecido nome no atletismo e se aposentou em 2017, após 13 medalhas em Campeonatos Mundiais, sendo 11 de ouro e duas de prata.

    Simone Biles

     

    | Foto: AFP

    Com apenas 24 anos de idade, Simone Biles é a ginasta mais premiada da história dos Estados Unidos. A atleta que é conhecida tanto no país americano, como em outros países como uma referência no esporte, já teve que superar muitos obstáculos. 

      A norte-americana precisou enfrentar abuso sexual de um médico da seleção dos Estados Unidos e ofensas racistas de adversários. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, preferiu priorizar a sua saúde mental e se afastou da disputa pela enorme pressão que vinha sofrendo para ser a melhor do mundo.  

    A jovem é uma referência para ginastas, inclusive, para a brasileira Rebeca Andrade. Sempre se posicionando e usando seu talento para amplificar a sua voz, Biles transformou o cenário da ginástica artística mundial.

     Eusébio

     

    | Foto: Reprodução

    O jogador português Eusébio é um importante nome do futebol mundial. Conhecido como Pantera Negra, ele marcou época por ser o primeiro negro detentor da bola de ouro da France Football em 1965.  

    O jogador ainda foi uma importante peça que ajudou o o Benfica a levantar suas duas taças de campeão da Liga dos Campeões.

    Eusébio ainda ganhou o título de maior artilheiro da Copa do Mundo pela Seleção de Portugal, com nove gols, todos eles realizados em 1966.

    Portugal é considerado um local com um grande nível de preconceito racial e ironicamente, Eusébio se tornou um símbolo dentro de um país racista. 

    Aída dos Santos

     

    | Foto:

    Negra, pobre e moradora de um morro em Niterói, Aída Santos tinha diversos obstáculos para não chegar em uma Olímpiada. No entanto, nada disso foi empecilho para ela. 

    Aída foi a  única mulher na delegação brasileira e única do atletismo nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964. 

    A atleta foi sozinha. Não tinha apoio, treinador, material e nem uniforme para competir. Apesar de tudo, a atleta se classificou para a final e terminou na quarta colocação do salto em altura, sendo a melhor colocação de uma mulher brasileira em uma prova individual da Olimpíada até o ouro de Maurren Maggi em 2008.

    Aída é uma referência não só para as mulheres do atletismo, mas sim para todas as atletas mulheres que usam a história da atleta como uma grande inspiração. 

    Pelé

     

    | Foto: Divulgação/FIFA

    O rei do futebol e considerado o maior jogador de todos os tempos, Pelé se tornou um símbolo brasileiro. 

    Pelé participou de 4 Copas do Mundo, e venceu 3, algo jamais repetido. São diversos títulos pelo Santos, sendo 6 Campeonatos Brasileiros, 2 Mundiais e duas Libertadores.

    Marcou mais de 1200 gols e parou duas guerras na África para que pudesse jogar.

    Apesar de ser reconhecido pelo seu talento, Pelé sofreu muito racismo no futebol. Teve países que era xingado e desrespeitado. Viveu momentos em que pessoas passavam a mão no seu rosto só por conta de sua cor. 

    Pelé teve que usar o seu talento e mostrar que era o maior, e hoje é o grande nome da história do futebol.

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