Fonte: OpenWeather

    Coronavírus


    Influenciadores que erraram ao falar sobre o coronavírus

    Além dos que divulgaram vídeos lambendo vasos sanitários e pacotes de produtos higiene, houve quem foi preso após disseminar a mentira de que havia sido contaminado

    Considerada como uma “gripezinha” por alguns, certos influenciadores digitais vêm apresentando opiniões controversas | Foto: Divulgação

    Até o dia 8 de abril, o novo coronavírus havia deixado 1,5 milhões de pessoas contaminadas e matado mais de 87 mil. Somente nos EUA, país que vem apresentando crescimento vertiginoso de casos confirmados, foram registradas 1.973 mortes por COVID-19 neste dia recorde mundial de óbitos em apenas 24 horas.

    Considerada como uma “gripezinha” por alguns, certos influenciadores digitais vêm apresentando opiniões controversas sobre a pandemia que abala a humanidade hoje, com velocidade de contágio e letalidade surpreendentes. Produtos de qualidade para garantir a higiene, como álcool em gel, começaram a faltar nas gôndolas dos supermercados, evidenciando a crise em que estamos vivendo.

    Se alguns usam suas redes sociais para compartilhar informações divulgadas por autoridades médicas e enfatizar a importância de respeitar o isolamento social, outros fazem piadas sobre a gravidade do problema e, até mesmo, criam desafios para seus seguidores, como lamber vasos sanitários.

    Fingir contaminação por coronavírus

    O músico canadense James Potok foi preso após divulgar que não estava se sentindo bem após visitar a China, sugerindo que havia sido contaminado pelo coronavírus. O anúncio atrasou o voo, que se dirigia para a Jamaica, em algumas horas.

    Mesmo nunca tendo ido ao país asiático, Potok divulgou essa história em suas redes sociais ainda no voo e, dez minutos depois, foi isolado do restante dos passageiros pelos comissários de bordo.

    Assim que o avião chegou no Aeroporto Internacional de Toronto, Potok foi entregue às autoridades locais e submetido a exames. Quando a farsa foi descoberta, muitos passageiros ficaram revoltados, expondo o ocorrido em suas redes pessoais. Quando questionado sobre sua atitude, Potok disse que “não existe isso de publicidade ruim”.

    Enquanto especialistas da área da saúde entendem que atitudes como essa são irresponsáveis no atual contexto de emergência pública internacional, segundo afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS), influenciadores digitais como Potok veem tais comportamentos como uma “boa estratégia de marketing”.

    Lamber o vaso sanitário

    A influenciadora digital estadunidense Ava Louise, de 21 anos, chamou a atenção de boa parte dos internautas, seus seguidores ou não, ao publicar um vídeo denominado “Desafio do coronavírus”. Na publicação, ela aparece lambendo um vaso sanitário de um avião.

    Se a cena já seria impactante em condições normais, em um contexto de pandemia como a que vivemos hoje, o vídeo se torna chocante. Na publicação, a jovem afirmou que não poderia se contaminar com a doença, pois as loiras ricas eram, assim como os gays, imunes ao vírus. 

    Ao ser questionada do porquê desse vídeo, Ava Louise afirmou que só queria “mais atenção do que o coronavírus”. Noticiários em todo o planeta divulgam autoridades da Saúde afirmando que o coronavírus pode afetar qualquer pessoa de qualquer faixa etária, não estando restrita aos idosos. 

    Além de contradizer tudo o que as autoridades sanitárias dizem, Ava Louise põe duas áreas ricas em micro-organismos em contato, a boca e um vaso sanitário, o que aumenta chances de contaminação não só de coronavírus, mas também de doenças gastrointestinais. Houve ainda influenciadores digitais que gravaram vídeos lambendo a embalagem de produtos de higiene em mercados e devolvendo-os às prateleiras.

    O que explica tal comportamento?

    Enquanto ministros da Saúde afirmam que atitudes como essas são irresponsáveis em um contexto de emergência sanitária internacional, influenciadores digitais veem na pandemia uma oportunidade de conquistar mais seguidores.

    Além disso, a ideia de criar uma “contracultura” e desafiar grandes órgãos, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), também pode estar por trás de tais vídeos, que podem ultrapassar a esfera da piada e influenciar decisivamente o comportamento do público. 

    É importante lembrar que grandes influenciadores têm seguidores de diferentes perfis, composto desde pessoas mais informadas a outras que, por falta de acesso a demais informações, podem confiar na ideia passada.

    Ademais, tais comportamentos podem estimular a falsa crença de que o coronavírus não é tão perigoso, desacreditando estudos e declarações oficiais que enfatizam a importância do isolamento social em inúmeros países com o objetivo de tentar conter o avanço rápido da COVID-19.

    *Com informações da assessoria