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    HÁBITOS E ROTINAS


    Crise da Covid-19 acelera novas tendências de trabalho do futuro

    É inegável que todas as empresas precisarão desenvolver novas tecnologias, e este será um caminho sem volta

    | Foto: Reprodução

    Manaus  - Desde dezembro de 2019, quando o mundo começou a assistir a expansão do novo coronavírus (Covid-19) ele passou a adotar mudanças no comportamento das pessoas. Hoje, diante das medidas de distanciamento social que implicaram em quarentena da população, aliados ao esforço dos profissionais ligados à saúde e à informação, a tendência é que novos hábitos e novas rotinas sejam implementadas em uma nova era e novas profissões irão surgir.

    A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Amazonas (ABRH-AM), Kátia Andrade, ressalta que, com a ampliação massiva do trabalho em casa (home-office), por conta do vírus, muitos trabalhadores terão mais tempo para se dedicarem a questões pessoais e se desenvolverem melhor como profissionais, reduzindo o nível de estresse e aprimorando também as relações humanas.

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    Características antes listadas como dos profissionais do futuro, estão sendo desafiadas para o momento: foco, organização, trabalho em equipe, criatividade, resolução de problemas complexos. Todas agora aceleradas e intensificadas com o trabalho remoto "

    Kátia Andrade, presidente da ABRH-AM, sobre o impacto da pandemia na rotina de trabalho

    Profissionais de diversas áreas como psicologia, idiomas e educação física também terão de se reinventar, para continuarem trabalhando. "Psicólogos realizando suas sessões com os pacientes pelo celular ou computador, com chamada de vídeo por WhatsApp, FaceTime, Skype e outros. O mesmo para professores de línguas e até mesmo professores de ginástica”, observa a presidente da ABRH-AM.

    Kátia Andrade acrescenta que o próprio mercado de trabalho ligado à tecnologia terá de se tornar mais dinâmico e eficiente. "Se já existia uma grande demanda no mercado por programadores de aplicativos, agora a necessidade ainda é maior, pois diversos negócios terão que ampliar ou criar suas plataformas de serviços on-line.  O desafio é também grande para os profissionais de TI das empresas, com o papel fundamental de garantir que agora sua rede suporte toda a nova carga de demanda", ressalta Kátia Andrade.

    Pós-crise

    Em Manaus, cidade que enfrenta uma situação crítica em função da Covid-19, o mercado segue cheio de incertezas e muitos empresários correm o risco de fechar seus negócios. As dificuldades para manter as contas em dia e continuar com o mínimo possível de faturamento para cobrir os custos envolvem grandes desafios.

    De acordo com a diretora do Sine Manaus, Letícia Mesquita, ainda não é possível enxergar o futuro do mercado de trabalho na pós-pandemia da Covid-19. "É uma crise a nível global, com uma proporção que ainda é desconhecida. É muito cedo para afirmar algo. Muitos setores importantes foram repentinamente paralisados e ainda não é possível calcular o impacto de tudo isso. Ainda vai demorar para que tudo volte ao normal", avalia Letícia Mesquita.

    Antes da pandemia, filas se formavam na porta do Sine de trabalhadores em busca de emprego
    Antes da pandemia, filas se formavam na porta do Sine de trabalhadores em busca de emprego | Foto: Divulgação

    Como a explosão dos serviços de entrega em domicílio e ainda do impacto que as plataformas online estão causando neste momento, é muito provável que o seguimento de e-commerce e marketing tenham uma valorização maior na pós-pandemia. As pessoas irão se acostumar aos poucos com estes serviços mais remotos e as empresas terão de se adequar a esta nova realidade. Com tanta concorrência, estas empresas vão procurar melhorar sua comunicação com o público para consequentemente aumentar seus lucros.

    "Com base nas empresas parceiras do Sine Manaus, é possível presenciar uma baixa nas contratações. Como tudo está praticamente paralisado e a orientação é permanecer em casa, as empresas estão evitando realizar processos seletivos para novos funcionários. Algumas ainda optam por fazer videoconferências e afins, mas, no geral, as contratações diminuíram bastante", afirma a diretora do Sine Manaus

    Empatia contra a crise

    Segundo o Estudo Global de Tendências de Talentos 2020 da Mercer, as companhias vão precisar de empatia para vencer a crise e qualquer outro cenário desafiador. A pesquisa realizada no final de 2019, com 7,3 mil executivos sênior de negócios, líderes de Recursos Humanos (RHs) e funcionários de nove setores-chave, em 34 países, identificou quatro fortes tendências para 2020.

    Rafael Ricarte, da Mercer Brasil, diz que pandemia deixará marcas profundas no mercado de trabalho
    Rafael Ricarte, da Mercer Brasil, diz que pandemia deixará marcas profundas no mercado de trabalho | Foto: Divulgação

    A consultoria global não poderia ter previsto a mudança no mundo corporativo com a Covid-19, mas a pesquisa aponta para necessidades de mudanças nas instituições diante de um mercado que exige mais agilidade para se adequar a novas tecnologias e contextos. É um quadro que se agrava com a pandemia.

    "Depende da ótica. Muito difícil falar em uma comparação pós e pré-crise. A retomada, como está sendo amplamente chamada, certamente deverá trazer num curto prazo uma forte recuperação dos setores mais afetados, como serviços, entretenimento e turismo", diz o líder de produtos de carreira da Mercer Brasil, Rafael Ricarte.

    Para 34% dos funcionários pesquisados, seus empregos já estavam sob ameaça e eles acreditavam que poderiam ser substituídos em três anos. Já os outros 63% dos líderes de RH já previam um crescimento salarial estagnado para 2020.

    Os impactos da crise econômica reflexo da pandemia deixarão marcas profundas no mercado de trabalho, com possível incremento grave nos indicadores de desemprego e desocupação, aumento no número de profissionais autônomos ou independentes e deflação salarial em diversos setores e níveis.

    Há ainda grande expectativa de parte dos empresários locais na reabertura imediata do comércio e fim do isolamento social. Porém, mesmo os setores da recente flexibilização devem sentir os impactos da crise em longo prazo. 

    "Os impactos da crise econômica, reflexo da pandemia, deixarão marcas profundas no mercado de trabalho, com possível incremento grave nos indicadores de desemprego e desocupação, aumento no número de profissionais autônomos ou independentes e deflação salarial em diversos setores e níveis. A área que possivelmente será valorizada, potencialmente será a dos profissionais de vendas, segurança da informação e marketing digital", enfatiza Ricarte.

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    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo
     
    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo