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    RETAGUARDA NA PANDEMIA


    Trabalhadores enfrentam Covid-19 para garantir quarentena de manauaras

    Enquanto muitos estabelecimentos permanecem fechados por conta da pandemia, profissionais essenciais continuam a prestar serviços aos manauaras

    Manaus – O mundo precisou desacelerar após a descoberta do novo coronavírus (Covid-19), em dezembro de 2019. Com o avanço da doença, medidas precisaram ser tomadas, entre elas, os decretos de calamidade pública que implicaram no funcionamento de apenas de alguns serviços, a fim de evitar aglomerações de pessoas em locais passíveis de contaminação.

    Enquanto nos hospitais, médicos, enfermeiros e auxiliares seguem na linha de frente para ajudar a salvar a vida de pessoas contaminadas pelo vírus, em outros tantos estabelecimentos essenciais como supermercados, drogarias, postos de combustíveis, entre outros, há outros milhares de trabalhadores que se mantém na retaguarda para manter aos manauaras acesso a produtos e serviços de primeira hora como alimentos e medicamentos.

    Os trabalhadores dos supermercados de Manaus seguem plena atividade, com equipamentos de proteção individual
    Os trabalhadores dos supermercados de Manaus seguem plena atividade, com equipamentos de proteção individual | Foto: Divulgação

    O estudante de técnico em enfermagem Gabriel Maciel, 22, ainda não está entre os profissionais da linha de frente. Mas, como numa guerra, ele está a retaguarda atuando em uma grande de rede de supermercados de Manaus. Operador de caixa, Gabriel avalia o seu papel hoje como essencial num momento em que as famílias têm ido com mais frenquência ao supermercado em busca de alimentos, mas principalmente de produtos de higiene.

    Mesmo com equipamento de proteção individual, Gabriel foi acometido de uma gripe, ainda no mês de março, uma semana depois dos primeiros casos de Covid-19, em Manaus. Ele não conseguiu confirmar se se tratava do vírus, mas, depois de 14 dias de repouso em casa, o profissional voltou ao posto de trabalho, onde segue vendo uma crescente procura dos consumidores que estão mais tempo em casa. “No começo não sabíamos de que se tratava mesmo. Agora, a nossa proteção aumentou e precisamos continuar a serviço das pessoas”, diz.

    Medicamentos

    Outro serviço indispensável diante da pandemia e crise na saúde são as redes de drogarias e farmácias. Há 10 anos atuando com a venda de medicamentos, os empresários Hiago Nicolau e a esposa farmacêutica Maria Elizete, donos da Farmácia do Preço Popular, localizado na avenida Laguna, bairro Lírio do Vale, Zona Centro-Oeste, contam como tem sido as últimas semanas no ramo farmacêutico.

    A família é essencial na venda de medicamentos em Manaus
    A família é essencial na venda de medicamentos em Manaus | Foto: Lucas Silva

    Eles que iniciaram o projeto ao comprar a drogaria de uma amiga sentem que a missão de vender remédios vai além da receita. A drogaria ganhou reconhecimento em março, após anunciarem a doação de 50 ml de álcool em gel, por pessoa, de forma gratuita. Na semana em questão, o produto estava em falta no mercado.

    O aumento considerável na venda, principalmente de analgésicos e antigripais, fez com que a farmácia atuasse de forma efetiva nas vendas. Hiago afirma que a venda no estabelecimento aumentou em 150% nas últimas semanas.

    “Tem sido desafiador, com certeza. Além de vender precisamos orientar o uso dos medicamentos. Temos também que nos preparar para o que virá nos próximos meses do mercado farmacêutico já que ele também está parado para fabricação”, explicou Hiago.

    Longe dos olhos

    Os serviços essenciais vão além do que os nossos olhos podem ver. Diferente de um frentista num posto de gasolina, que atende o consumidor, olho no olho, a estagiária de enfermagem Cássia Tavares trabalha, atua nos corredores do Instituto Médico Legal (IML) desde o início de 2020. Como auxiliar dos peritos em todos os exames de corpo de delito, desde a agressão física, o acidente de trânsito até a prática libidinosa, ela é responsável por organizar os materiais que serão utilizados nas necropsias e também fazer a entrega dos materiais coletados para seus devidos laboratórios.

    Cássia Tavares continua a trabalhar mesmo com a pandemia do novo Coronavírus
    Cássia Tavares continua a trabalhar mesmo com a pandemia do novo Coronavírus | Foto: Lucas Silva

    Durante a chegada do novo coronavírus no Amazonas, Cássia conta que, embora tenha diminuído a movimentação de pessoas, trabalhar na perícia é um trabalho essencial e difícil.

    "Não falo isso pela quantidade de trabalho, mas como as coisas fluem. Todos trabalhamos com um pouco de medo, mesmo usando os equipamentos de proteção e tomando todos os cuidados. Há o risco de adoecer e o pior, adoecer aqueles que moram com você. O nosso trabalho é essencial e precisa ser feito", avalia. 

    Comunicação 

    A área da comunicação é de suma importância diante da grande onda de informações. Agora imagine um local com pouco acesso à internet e o rádio ser o principal meio de informação. É falando exatamente desta importância que Johnnys Moura começou a trabalhar como radialista em 1998 na cidade de Carauari, município da calha do Rio Juruá. A que cidade tinha cerca de 23 mil habitantes, a rádio que permitia com que as informações chegassem aos moradores por meio de rádio de pilha. 

    O radialista continua com o compromisso da informação em meio à pandemia
    O radialista continua com o compromisso da informação em meio à pandemia | Foto: Reprodução

    Moura começou na rádio Vale do Juruá e veio para Manaus em 2000 em busca de se aperfeiçoar. O jornalista que já atuou como operador de rádio, produtor, editor de áudio, gravação e mixagem de áudio e atua como professor do curso de comunicação social em Jornalismo. Ele relata que a rotina mudou com a chegada da pandemia.

    “O jornalismo é essencial. Uma coisa que a gente percebe é que mudou a rotina, a carga horária, o psicológico. Aumentou e muito, a nossa responsabilidade com o crivo da notícia e os impactos que elas vão trazer ao ouvinte da rádio. O rádio é um veículo cego e se atentam muito para o que ouve, temos o cuidado de fazer com que o ouvinte interprete de forma correta a notícia. A gente procura não colocar a opinião em evidência e deixar o ouvinte tirar suas conclusões. Temos um cuidado maior de enaltecer a vida, não negando a notícia em si, mas passar as informações”, explicou. 

    Sobre a rotina de trabalho conta que diminuiu, ele afirma também que todos os cuidados são adotados no ambiente de trabalho. O radialista acrescenta que o rádio procura hoje fazer o jornalismo de prestação de serviço. 

    “Tudo mudou e consequentemente houveram alguns desconfortos, mas vamos superar. Nós como comunicadores somos essenciais, lidamos com as vidas, contamos histórias e mostramos a história. Como diz Nelson Traquina, são personagens em vida e em morte. Tudo o que diz respeito à vida corresponde ao jornalismo. Quem está em casa ou fora precisa ficar informado. Uma pessoa informada tem liberdade e outros sentimentos. O jornalismo é essencial e deve ser valorizado sempre, além de outras profissões também”, enfatizou. 

    Confira mais informações sobre nas reportagens especiais da WEB TV Em Tempo:

    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo
     
    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo
     
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