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    LINHA DE FRENTE


    Em meio à pandemia, os profissionais que lutam pelas nossas vidas

    Médicos, enfermeiros e auxiliares que estão na linha de frente ao combate no novo coronavírus, avaliam o atual cenário

    Diante de uma pandemia como essa nunca imaginada, enfermeira diz que somente muito amor para seguir na profissão | Foto: Semcom

    Manaus - Com o avanço do novo coronavírus (Covid-19) no Amazonas, a população passou a enviar mensagens de gratidão e apoio aos profissionais da saúde por meio das redes sociais. São trabalhadores que estão trabalhando na linha de frente no combate ao vírus, onde arriscam suas vidas e a de suas famílias nessa luta, com a missão nobre de salvar vidas e não deixar que o vírus faça ainda mais vítimas no Estado.

    Apesar do cenário da saúde ter entrado em colapso, em Manaus, devido ao grande volume de infectados, médicos, enfermeiros, técnicos e socorristas seguem firmes desempenhando um grande trabalho durante esse momento histórico na capital amazonense. Profissionais que atuam na capital avaliam que a situação é nova e inesperada, mas todos estão se adaptando e dando o melhor de si durante a nova rotina de trabalho, como conta a  médica clínica e gastroenterologista, Arlene Pinto, que atua no Hospital Santa Júlia e no Getúlio Vargas. 

    Para muitos profissionais da área, a jornada de trabalho dobrou por conta do grande número contaminados pela Covid-19
    Para muitos profissionais da área, a jornada de trabalho dobrou por conta do grande número contaminados pela Covid-19 | Foto: SUSAM

    “No começo, eu lembro que o medo tomou conta. Confesso que cheguei a sair de casa chorando com pavor da contaminação. É muito difícil lutar contra o invisível. Em muitas situações nos sentimos impotentes, mas com muita fé e redobrando os cuidados com a segurança estamos fazendo o possível", conta a médica.

    Com a chegada do vírus no Amazonas, a rotina de trabalho em muitas profissões mudou radicalmente. Para os profissionais da saúde não é diferente. “Meu consultório está fechado. A aglomeração facilita o contágio. Mas, a saúde não para, o trabalho continua nos hospitais. Muita coisa precisa ser feita e nós precisamos está presentes ajudando quem precisa”, ressalta Arlene. 

    Durante a árdua rotina, os profissionais também sofrem com as perdas. Para eles, um paciente nunca é só um paciente, é uma vida que precisa ser salva o mais rápido possível. Essa situação é rotineira para o cirurgião geral e urologista Felipe Fernandes, que atua na medicina intensiva em hospitais na capital. Ele conta que a sua rotina mudou bastante, uma vez que os protocolos se tornaram mais intensos e a jornada de trabalho aumentou porque o número de os pacientes clínicos sintomáticos cresce dia a após dia. 

    “No Amazonas, a luta tem sido cada vez mais intensa. Como médico e como ser humano, para mim, o pior cenário é a perda dos meus pacientes e isso pesa muito na cabeça de qualquer profissional. A Covid-19 tem levado muitas pessoas de forma precoce, nesse ponto, a nossa batalha diária é tentar, da melhor forma possível, com a força e os recursos que tivermos disponíveis, superar esse vírus”, diz Felipe. 

    Os dos lados

    O médico atua em hospitais públicos e privados da capital. Segundo ele, ao contrário do que a população pensa, os serviços públicos e privados estão sofrendo com as limitações. “O atendimento na rede particular muitas vezes tem o maior número de equipamentos, acesso a exames e suporte hospitalar que a rede pública. Porém, nesse momento, devido ao alto fluxo de pacientes e suspeitas, os dois serviços apresentam os mesmos tipos de problema”, afirma. 

    Tanto na rede pública quando na privada, os profissionais da saúde afirmam que o trabalho contra a pandemia está no limite
    Tanto na rede pública quando na privada, os profissionais da saúde afirmam que o trabalho contra a pandemia está no limite | Foto: Semcom

    Ainda de acordo com o cirurgião, o sentimento de medo sempre esteve presente na natureza humana e nessa situação, ele  faz com que todos tomem ainda mais cuidados nas formas de precaução contra o vírus, tanto em Equipamento de Proteção Individual (EPI's), quanto em hábitos diários. 

    “Esses hábitos passam proteger não só a nós, que temos contato direto, mas aos familiares que convivem conosco, pessoas próximas que circulam em mesmo ambiente fechado, logo, o medo acaba protegendo não só a nós, mas a todos que estão ao nosso redor. Acho de extrema importância aprender a conviver bem com ele”, recomenda o cirurgião. 

    Amor pela profissão

    Aprender a conviver com esse sentimento ainda é um desafio para muitos profissionais da saúde. Mas, o amor pela profissão escolhida trás um sentido maior ao trabalho. É o que relata a técnica de laboratório que atua no hospital de referência Hospital Delphina Aziz. A profissional preferiu não ter a identidade revelada, mas conta que nunca imaginou que enfrentaria uma pandemia tão grande como a do novo coronavírus.

    Médios, enfermeiros, auxiliares, maqueiros, tem recebido aplausos da população mundo a fora e no Brasil
    Médios, enfermeiros, auxiliares, maqueiros, tem recebido aplausos da população mundo a fora e no Brasil | Foto:

    “Estar na linha de frente foi a decisão que eu fiz quando escolhi atuar na área da saúde. No entanto, não imaginava que enfrentaria  uma pandemia tão grande. Mas estou aqui para exercer minha função e essa pandemia tem colocado muitos profissionais a prova. Por meio dela percebemos realmente quem ama a profissão, pois não estamos lutando somente contra a Covid-19, mas sim com outros vírus sazonais que o novo tem ofuscado, porém não deixaram de existir”, explica a técnica. 

    Por atuar em uma unidade hospitalar de referência, a profissional afirma que o cuidado e o trabalho foram redobrados para não se contaminar e não contaminar outros pacientes, mas lidar com um vírus desconhecido sempre trás consigo a insegurança.

    “A cada fim de plantão vem esse sentimento angustiante e o pensamento de: será que já estou contaminada e não sei?; será que vou contaminar minha família?. E por mais eu use os equipamentos de segurança, o pensamento sempre será o mesmo. Então, trabalhar a mente é fundamental para manter a imunidade equilibrada. E claro, o apoio e o amor da família também”, afirma a profissional. 

    Isolamento Social

    Nas últimas semanas é comum ir ao supermercado e ver o ambiente lotado por pessoas dos grupos de risco, expostas ao contágio e pessoas ignorando as aglomerações e o isolamento social. Esse é o principal ponto que preocupa os profissionais da saúde. 

    Pensando nisso, o cirurgião geral Felipe Fernandes deixou uma mensagem à população e orientou a não ficarem expostos a uma possível contaminação. “Sigam as orientações de isolamento, mantenham os cuidados de prevenção e cuidem de quem está próximo a vocês. Juntos nós somos mais fortes! Que Deus nos abençoe e nos proteja nessa fase”, finaliza.