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    Momentos de terror


    A insegurança de quem trabalha ou utiliza Uber no dia a dia em Manaus

    Usuários da prestadora de serviço de transporte de passageiros falam sobre momentos de terror ao trafegarem pelas ruas da capital amazonense

    Passageiros e motoristas que utilizam o serviço da Uber relataram momentos em que se sentiram inseguros
    Passageiros e motoristas que utilizam o serviço da Uber relataram momentos em que se sentiram inseguros | Foto: Divulgação

    Manaus - “A moça solicitou uma corrida e quando cheguei no local ela estava com um rapaz. Eles entraram no carro e o terror começou”, relembra a advogada e motorista Ingrid Mamed, de 36 anos, que dirige para a empresa Uber há pouco mais de quatro meses. Ela diz que durante o pouco tempo de serviço já coleciona histórias desagradáveis que teve de passar no ambiente de trabalho.

    Em um dos casos, ela conta que foi ameaçada com uma arma enquanto era obrigada a dirigir. “Ele ficava dizendo ‘agora corre, agora você vai ter que correr’ enquanto apontava a arma para a minha cabeça e me batia com a outra mão”. Já a comparsa do assaltante pedia que ele parasse de me bater porque era arriscado eu capotar o carro”, contou.

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    Acostumada a trabalhar durante a madrugada, Ingrid revela que esta não foi a única vez em que se sentiu insegura enquanto dirigia. Dentre outras situações, ela cita outra que também ficou marcada na memória. Em uma tarde, ao atender a uma solicitação e chegar no local de embarque do passageiro, no bairro Cidade Nova, na Zona Norte de Manaus, a jovem que havia solicitado a corrida se identificou, mas não entrou no carro.

    Muitos motoristas são surpreendidos por assaltantes no momento em que vão pegar o passageiro que solicitou a corrida
    Muitos motoristas são surpreendidos por assaltantes no momento em que vão pegar o passageiro que solicitou a corrida | Foto: Divulgação

    “Ela mandou que três rapazes entrassem no meu veículo. No meio da viagem eles começaram a tirar vários pacotes com droga de dentro dos bolsos”. Ingrid lembra que só conseguiu relaxar após deixar os passageiros no destino final. "Fiquei orando durante todo o percurso, pedindo que não me acontecesse nenhum mal", relata a advogada. 

    O perigo atinge também usuários do aplicativo como, por exemplo, a estudante Hannah Bentes, de 18 anos, que foi assaltada na esquina da casa em que mora, após solicitar uma corrida pelo aplicativo. “Eu estava em contato com o motorista e, quando ele disse que estava na esquina da minha casa, desci para encontra-lo”, conta a jovem relembrando que, nesse momento, outro carro, com dois homens, parou no local onde deveria estar o motorista da Uber e anunciou o assalto. 

    “Eu não tive como reagir. Eles levaram meu celular e o telefone do meu pai, que estavam na minha mão”, conta, explicando que o celular levado pelos bandidos foi comprado poucos dias antes do crime, após ela ser vítima de um outro roubo em que bandidos levaram o antigo aparelho celular.

    Mesmo assustada com a ação dos bandidos, a estudante decidiu esperar no local pelo motorista da Uber para ir até à delegacia mais próxima, registrar um Boletim de Ocorrência (B.O) sobre o caso, mas o veículo que constava no aplicativo, um carro modelo prisma, nunca chegou. “Eu esperei vários minutos, mas o carro da Uber nunca chegou”, afirma Hannah revelando que o caso foi registrado no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), central de flagrantes da região, na manhã do dia 25 de novembro de 2017.

    Rede de segurança

    Para garantir a segurança dos Ubers que trabalham durante a noite, os próprios colaboradores criaram um sistema que garante proteção para aqueles que estão em alguma situação de perigo. Com a ajuda de dois aplicativos, um que funciona como radiotransmissor e o outro que mostra a localização da pessoa em tempo real, os motoristas conseguem monitorar os colegas.

    Para garantir a segurança, o aplicativo pede, aleatoriamente, para que o motorista tire uma foto que comprove sua identidade
    Para garantir a segurança, o aplicativo pede, aleatoriamente, para que o motorista tire uma foto que comprove sua identidade | Foto: Divulgação

    Outra ação realizada pelos motoristas é acompanhar um outro colega em viagens para lugares distantes ou perigosos. “É preciso acionar a central e eles enviam algum carro que esteja próximo para acompanhar o colega durante a viagem” explica Ingrid, complementando que caso algum dos dois corra perigo o outro pode acionar a polícia mais rápido. 

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    De acordo com a assessoria da Uber, ao chamar um carro, os usuários podem acompanhar o trajeto do motorista parceiro até a chegada no ponto de partida, permitindo que o usuário aguarde a chegada do veículo em segurança. “Se o usuário precisa contatar o motorista ou vice-versa, o número de telefone de ambos é mantido em sigilo, preservando a privacidade”, afirma.

    A Uber possui também uma ferramenta para verificação de identidade em tempo real, que usa selfies para ajudar a manter a integridade da conta de motoristas parceiros. De tempos em tempos, o aplicativo pede, aleatoriamente, para que os motoristas parceiros tirem uma selfie antes de aceitar uma viagem ou de ficar on-line, para ajudar a garantir que a pessoa que está usando o aplicativo corresponde àquela da conta que temos no arquivo. 

    Outra medida adotada pela prestadora de serviço é compartilhar as informações do motorista com os passageiros. “Orientamos sempre os usuários a verificarem esses dados antes de embarcarem, para sua própria segurança”, ensina. Mesmo com todas as dicas, ainda há a possibilidade de ser vítima, como aconteceu em outubro do ano passado com uma analista de Recursos Humanos, de 33 anos. 

    Noite do ‘terror’

    A analista de Recursos Humanos, contou que em uma noite saiu para comemorar o aniversário da irmã mais nova em um bar, situado no conjunto Vieiralves, Zona Centro-Sul. Na hora de voltar para casa, já por volta das 3h da madrugada, ela estava muito cansada e solicitou o serviço de corridas particulares Uber. Com destino final nas proximidades do conjunto Viver Melhor, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, a passageira afirmou estar com sono e chegou a cochilar no carro.

    A analista teve ferimentos em várias partes do corpo
    A analista teve ferimentos em várias partes do corpo | Foto: Divulgação

    Ao acordar, minutos depois, constatou que o motorista havia seguido um caminho diferente do previsto no aplicativo. Chegando próximo à barreira, a moça avisou o motorista de que ele havia passado do ponto final. Ele confirmou e disse que pegaria o retorno mais próximo. Mas ele não pegou o retorno e a moça entrou em desespero.

    Em uma tentativa de pedir ajuda à irmã, a passageira pegou o celular, mas foi impedida pelo motorista. "Ele bateu com a mão no meu celular, que caiu no meu colo e perguntou se eu não tinha medo de morrer", afirma. 

    Desesperada, ela disse que abriu a porta do carro e saltou com o veículo ainda em movimento. A analista de RH afirma que o motorista ainda deu meia volta e mandou que ela entrasse no carro, mas que com a recusa ele foi embora. A moça foi atendida por uma viatura da Polícia Militar, que patrulhava a área.  

    Corrente Solidária

    Para ajudar o motorista da Uber Saulo Morza, de 43 anos, que na semana passada foi sequestrado e chegou a passar três horas preso no porta-malas do próprio carro, vários motoristas se reuniram em prol de arrecadar dinheiro e pagar o prejuízo com o carro alugado. “O veículo, que ele dirigia, foi alvejado durante a perseguição e a locadora dona do automóvel não vai receber o v se ele não estiver em perfeito estado”, lamenta a motorista Ingrid. 

    O motorista preso no porta-malas foi salvo por policiais após uma perseguição policial
    O motorista preso no porta-malas foi salvo por policiais após uma perseguição policial | Foto: Divulgação

    Para aqueles que queiram ajudar Saulo no conserto do veículo podem entrar em contato pelo telefone: (92) 99149-6274 e falar com Sandra Garantizado, e verificar valores ou peças que podem ser doadas.

    Edição: Isac Sharlon

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