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    Dependência de tela


    Alerta: uso excessivo de celulares pode causar dependência em crianças

    Especialistas afirmam que o uso prolongado da tela do celular pode afetar o cérebro das crianças, gerar problemas de sono e dificuldades com a comunicação

    Especialistas afirmam que o uso prolongado da tela do celular pode afetar o cérebro das crianças
    Especialistas afirmam que o uso prolongado da tela do celular pode afetar o cérebro das crianças | Foto: Divulgação

    Manaus – O transtorno de dependência de tela é um tema ainda desconhecido, mas que afeta as atividades do dia a dia de milhares de adultos e de crianças que desde muito novas tem contato com smartphones, tablets e videogames. Segundo um relatório divulgado em 2017 pela Common Sense Media, as crianças de até 8 anos gastam uma média de 2 horas e 19 minutos todos os dias em mídia de tela. Especialistas alertam que comportamento pode viciar os pequenos e danificar o cérebro das crianças.

    Não é incomum que os pais entreguem para os seus filhos tabletes e smartphones com o intuito de parar acessos de birra ou evitar que as crianças fiquem de mau humor. Porém, a ação pode trazer vários problemas para a saúde mental da criança e ainda torná-la dependentes da tecnologia. 

    Este é o caso da dona de casa Franciele Santos, 29 anos, que confessa deixar a filha de 5 anos horas no tablete para não ficar estressada. “Quando ela começava a chorar, eu percebia que se deixasse o tablet perto, ela logo parava e ficava calma. Acabou que os desenhos no tablet e celular foram um jeito de deixá-la de bom humor. Eu tento impedir que ela não fique tanto com os aparelhos, mas acaba que é um escape para mantê-la sem estresse”, afirma a mãe da criança   

    De acordo com o psicólogo e mestre em educação, Jônatas da Costa, a substituição da presença dos pais por eletrônicos é um risco grave para o desenvolvimento dos filhos, já que a relação com a família e colegas ficará prejudicada. 

    “Os pais acabam utilizando o recurso dos aparelhos como maneira de cessar a birra dos filhos e acabam criando crianças e adolescentes intransigentes, que crescem frustradas e não sabem lidar com os problemas. Quando os pais se eximem do trabalho e cortam o carinho e afeto com a criança tudo é prejudicado na relação e o aparelho passa a ser uma babá eletrônica”, afirma o especialista.

    A psicóloga Raquel Navarro, alerta o que crianças e bebês devem ter o tempo de tela limitado. “As diretrizes atualizadas da Academia Americana de Pediatria (AAP) recomendam um máximo de uma hora de tela por dia para crianças de 2 a 5 anos de idade. Bebês com menos de 18 meses devem evitá-lo completamente. Os pais precisam se encarregar de gerenciar o uso equilibrado da tecnologia em casa”, alerta.

    Adolescentes em contato com a tecnologia

    Sem diálogo. Assim Alex Pereira, 41 anos descreve sua relação com seu filho, Lucas Reis, 13 anos. A família relata que o jovem desde pequeno tinha contato com a tecnologia, mas foi na adolescência que a modernização se tornou um problema e começou a prejudicar seu desempenho na escola e na relação em casa.

    “Ele passa 24h no telefone, quando larga o celular, ele pega o tablet. Na infância, ele brincava, pintava e era mais ativo. Nessa fase da adolescência que as coisas ficaram mais complicadas com a tecnologia. A situação ficou crítica quando nós precisamos esconder o aparelho dele devido ao mal desempenho na escola. Eu fico revoltado, porque não temos mais diálogo com ele”, comenta o pai.

    A Academia Americana de Pediatria adverte que o uso excessivo de mídia digital e telas pode colocar crianças e adolescentes em risco de obesidade, problemas de sono, cyberbullying e desempenho negativo na escola. 

    Segundo o mestre em educação, as consequências da exposição excessiva da tecnologia terão efeitos a longo prazo. “Estudos mostram que pessoas que têm dependência se tornam pessoas isoladas. Essas crianças podem se tornar adultos despreparados para a sociedade, que não saberão resolver problemas. Os prejuízos não são somente a curto prazo, serão problemas que se refletirão ao longo da vida”, afirma o especialista.

    Problemas neurológicos

    “A criança que vive no mundo tecnológico é prejudicada em dois aspectos: o primeiro é o neurossensorial, uma criança que recebe esse estímulo contínuo de luz e cores força a atividade cerebral muito cedo, fazendo com que ela desenvolva uma resposta sensorial precoce. Isso promove um estresse cerebral, já que ela faz um esforço. Outro aspecto é o social, a criança se isola do contato com a realidade, ela se afasta do contato com os pais e com os colegas”, afirma o psicólogo.

    Dicas para os pais com filhos que tem transtorno de dependência de tela

    Jônatas aconselha que os pais fiquem atentos ao próprio comportamento com a tecnologia e que restrinjam o uso de smartphones e tablets.

    1)  Ser exemplo

    A primeira providência é monitorar o uso dos próprios pais com os aparelhos eletrônicos. Os pais são os exemplos iniciais, se os pais forem dependentes, os filhos vão reproduzir esse comportamento, o pai e mãe tem que se questionar ‘Eu sou um abusador da tecnologia? ’

    2) Estabeleça limites

    A segunda ação é estabelecer limites, ser até intransigente. A tela é atrativa, então os pais precisam determinar os momentos que devem ter uso. Quando os pais entrarem em casa, o aparelho deve ficar de lado e a relação com o filho deve ser prioridade. A mesma coisa com o tempo do aparelho com as crianças.

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