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    AIDS/ HIV


    Tratamento gratuito disponível em Manaus previne HIV

    Medicamento é distribuído gratuitamente pelo SUS em território nacional e possui como foco grupos específicos

    No Amazonas, o acompanhamento é realizado pela Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) | Foto: Reprodução

    Manaus - Prevenção, consciência e saúde são alguns dos principais fatores que levaram o educador físico Raymison Macedo, de 30 anos, a iniciar o uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), medicação de prevenção ao vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Raymison realiza de três em três meses o acompanhamento por meio do Projeto PrEP, oferecido de forma gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas e assim como profissionais da área de saúde ressaltam a importância do medicamento. 

    Longe de ser um assunto rodeado de falta de conhecimento e com o avanço tecnológico medicinal e científico, o vírus da HIV - podendo ser soro positivo ou negativo - quando a pessoa é portadora do vírus ou não possui tratamento e a prevenção é uma questão de saúde e política pública.

    A PrEp é um medicamento que impede a propagação do vírus HIV na corrente sanguínea, já indicado como terapia antiretroviral nos Estados Unidos e em países da Europa. E a rotina de Raymson é a mesma rotina realizada pelas pessoas que optaram o uso do medicamento. No Amazonas, o acompanhamento é realizado pela Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), localizada no bairro Dom Pedro Zona Oeste de Manaus. Referência na região Norte, a Fundação realiza testes rápidos do vírus, controle do PrEP e acompanhamento de seus usuários. 

    Porém, a PrEp não é para qualquer um: é necessário que a pessoa não seja portadora do vírus e atenda alguns critérios para controle estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O medicamento é prescrito para grupos específicos: profissionais do sexo, homens que mantêm relações sexuais com outros homens (HSH), transexuais e casais que possuem soro diferente, ou seja, quando um dos parceiros possui HIV e outro não.

    Os grupos podem procurar a Fundação de Medicina Tropical para o agendamento da consulta e iniciar o processo para adquirir o medicamento. É preciso realizar o agendamento da consulta, testagem rápida e o acompanhamento com psicólogo e enfermeiro. Após o resultado negativo o médico prescreve o medicamento. 

    Raymison ressalta de adquirir o medicamento e a importância de realizado o processo. “Chegando no local, realizamos a testagem rápida, a pessoa aguarda o resultado, e se negativo, passa para um acompanhamento com psicólogo, enfermeiro sobre a importância da prevenção e é acompanhado pelos médicos que explicam o exame e prescreve a medicação. Já com a prescrição, a farmacêutica detalha o uso e tirar as dúvidas do medicamento. Todo esse processo é extremamente confortável, respeitoso e humanizado”, destaca. 

    De acordo com a infectologista da Clínica de Infectologia de Manaus, Izabella Safe, a PrEP é um medicamento de dose única e diária. E o efeito ocorre após sete dias de uso em relações sexuais anais e 21 dias para relações sexuais vaginais e ressalta que não existe contraindicação no uso. “A PrEP não está indicada para quem tem HIV, já que é um medicamento usado para prevenir e não para tratar o HIV. Pessoas com problemas renais devem discutir primeiro com seu médico. Aqueles que não possuem a disciplina de tomar uma medicação diariamente também devem ter o uso discutido. Para proteção é preciso adesão”, destaca. 

    É bom lembrar que o medicamento não protege o usuário contra outras infecções transmitidas sexualmente. “É necessário ter conhecimento sobre todas as formas de prevenção. Hoje, não se pega HIV tendo informação e acesso às medidas de prevenção”, complementa a infectologista.

    Exemplo de conscientização, Raymison iniciou a falar sobre o uso do medicamento por meio das redes sociais e destaca que mesmo com muito acesso à informação o preconceito ainda existe. “Li sobre o assunto na internet e fui em busca das informações. É uma questão de saúde e mesmo assim as pessoas ainda possuem preconceitos antigos. É necessária uma desconstrução a respeito disso”, comenta. 

    PrEP no Brasil

    No Brasil desde 2017, o Ministério da Saúde segue a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e possui aproximadamente 2 mil pessoas utilizando a PrEP como prevenção combinada ao HIV. Com pouco tempo, a falta de conhecimento sobre o medicamento ainda são algumas das principais dificuldades em falar sobre o tema de forma ampla e eficaz. 

    De acordo com o Ministério da Saúde, a PrEP é uma combinação dos medicamentos tenofovir e emtricitabina e que impedem que o HIV se estabeleça no corpo. O medicamento não previne outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), mas garantem prevenção de 90% dos casos de HIV, se utilizados da forma correta. . 

    Diferenças entre PrEP e PEP 

    Os nomes podem ser semelhantes, mas na prática apresentam grandes diferenças. Enquanto a PrEP é relacionada a pré-exposição. 

    A Profilaxia Pós- Exposição (PEP), como o nome indica, é um procedimento  emergencial realizado após exposição com portadores do vírus e deve ser realizado após duas horas ou 72 horas após a exposição e os pacientes devem ser acompanhados durante 28 dias por uma equipe de saúde. 

    Apesar da diferenciação, a PEP também é oferecida pelo SUS, mas é apenas recomendado após contato que exista risco de contágio, como: vítimas de violência sexual, relação sexual sem o uso da camisinha, acidentes com instrumentos perfurocortantes ou contato direto com material.