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    Especial Parintins


    Cemitério: desenterrando as histórias de quem já morreu em Parintins

    Lugar que muita gente evita, mas é rico em histórias da Ilha Tupinambarana

    Cada túmulo carrega o tom artístico do povo parintinense
    Cada túmulo carrega o tom artístico do povo parintinense | Foto: Bruna Oliveira

    Parintins - Na época do Festival Folclórico de Parintins é bem comum as pessoas visitarem os lugares históricos da cidade, mas um lugar que muitos evitam é o cemitério. Uma coisa que poucos sabem é que todas as sepulturas possuem um toque artístico no único cemitério que existe em Parintins. 

    Da vista da torre da catedral é possível entender a lógica da posição do enterro. Os adultos voltados para o lado do Bumbódromo e as crianças voltadas para a catedral
    Da vista da torre da catedral é possível entender a lógica da posição do enterro. Os adultos voltados para o lado do Bumbódromo e as crianças voltadas para a catedral | Foto: Bruna Oliveira

    Os Parintinenses são reconhecidos pelas homenagens dadas aos mortos na hora da despedida. Conheça os túmulos do Cemitério Municipal São José que contam muito de quem se foi e deixou um legado na cidade.

    O criador do boi garantido

    Junto com Lindolfo estão enterrados os filhos
    Junto com Lindolfo estão enterrados os filhos | Foto: Bruna Oliveira

     No mausoléu estão enterrados o pai e os dois filhos. Conhecido como criador do boi da baixa do São José, Lindolfo Monteverde tem o rosto esculpido em uma estátua dourada próximo à entrada do único cemitério que existe na cidade. 

    O lugar fica próximo à entrada do cemitério e é um dos mais visitados pelos torcedores do boi Garantido
    O lugar fica próximo à entrada do cemitério e é um dos mais visitados pelos torcedores do boi Garantido | Foto: Bruna Oliveira

     Um dos filhos de Lindolfo, chamado de Porrotó era conhecido por tocar um instrumento de sua criação e autoria, morreu vítima de câncer e foi enterrado junto ao pai.

    Taxista com túmulo de roda e desenho de pista

    O túmulo é um dos que mais chama a atenção no cemitério
    O túmulo é um dos que mais chama a atenção no cemitério | Foto: Bruna Oliveira

     Um dos mais curiosos dentro do cemitério é de Riovaldo Souza, conhecido como Rui careca, um famoso taxista da cidade. 

    Estacionamento eterno de Riovaldo Souza, conhecido como Rui Careca
    Estacionamento eterno de Riovaldo Souza, conhecido como Rui Careca | Foto: Bruna Oliveira

    No túmulo há um pneu de carro indicando o lugar, uma pista de corrida desenhada em cima do túmulo e uma placa de estacionar escrita "estacionamento eterno."

     Decorada para sempre

    A mãe costuma ir ao cemitério para decorar a sepultura com flores e brinquedos
    A mãe costuma ir ao cemitério para decorar a sepultura com flores e brinquedos | Foto: Bruna Oliveira

     O túmulo de Ana Karolyne é um dos mais decorados. O coveiro conta que todas as semanas a mãe vem ao local e enfeita com flores e brinquedos o túmulo da pequena "florzinha".

    O túmulo da criança é um dos mais visitados e que conhecem a história da pequena Ana deixam brinquedos
    O túmulo da criança é um dos mais visitados e que conhecem a história da pequena Ana deixam brinquedos | Foto: Bruna Oliveira


     Os anjinhos do cemitério

    Os "anjinhos" do cemitério carregam histórias
    Os "anjinhos" do cemitério carregam histórias | Foto: Bruna Oliveira

    O anjo que segura uma criança recém-nascida é um dos que mais chamam a atenção no cemitério. As pequenas marcações no solo geralmente têm esculturas de anjos próximo ou são desenhadas nos túmulos.

    Se uma criança morre em Parintins é chamada carinhosamente de "anjinho".

    O maior ginecologista de Parintins 

    Os moradores contam que havia disputas para conseguir uma consulta com o médico da região
    Os moradores contam que havia disputas para conseguir uma consulta com o médico da região | Foto: Bruna Oliveira

    Audrin Verçosa Dias faleceu no ano de 2009, foi um médico obstetra e ginecologista, viu muitas crianças nascerem. Moradores do lugar contam que Audrin era muito requisitado, as mulheres chegavam a brigar por uma consulta com o médico.

     No túmulo do médico há diversas homenagens das mamães e pacientes de Parintins.

    Os padres que trabalharam na cidade

    Os padres foram responsáveis por construírem escolas, igrejas e hospitais
    Os padres foram responsáveis por construírem escolas, igrejas e hospitais | Foto: Bruna Oliveira

    A cidade é religiosa, seus festejos estão voltados para a santa padroeira da cidade.

     Os padres que foram enviados para cumprir a missão na Amazônia tiveram grande participação no desenvolvimento da cidade. Construíram escolas, rádios, igrejas e ensinaram na educação básica. 

    Os padres tiveram grande participação no desenvolvimento da cidade
    Os padres tiveram grande participação no desenvolvimento da cidade | Foto: Bruna Oliveira

     Todos eles que morreram em Parintins tem um mausoléu especial, seus nomes e fotos fazem justiça a grande contribuição das missões em solo parintinense.

    O túmulo das mãos juntas 

    O túmulo localizado no meio do cemitério é visto como uma das mais belas obras do lugar
    O túmulo localizado no meio do cemitério é visto como uma das mais belas obras do lugar | Foto: Bruna Oliveira

    Quem está enterrado nesse mausoléu misturado com obra de arte são os filhos de Dodó Carvalho, um dos empresários mais ricos da região, trabalhava com transporte na região.

     O mais curioso da história dos filhos do empresário é que ao completar um ano de morte de um filho, o outro morre na mesma data e assim foram os três, em sequência. O túmulo da família é um dos mas visitados.

    O crime do Areal

    Um dos crimes mais bárbaros já visto pelo povo Parintinense, o crime do Areal, como ficou conhecido tem o nome escrito na lápide de Augusto Ferreira Carvalho. O jovem foi brutalmente torturado e assassinado por policiais em uma região distante da cidade conhecida como areal. 

    Área do Areal: poucas pessoas frequentam o lugar depois do crime
    Área do Areal: poucas pessoas frequentam o lugar depois do crime | Foto: Reprodução

    Augusto veio de Belém do Pará e segundo contam os historiadores, recebeu uma encomenda e trouxe para Parintins. No meio do caminho descobriu que se tratava de drogas e resolveu jogar fora ao invés de entregar para a polícia.

    Os acusados do assassinato de Augusto não foram punidos
    Os acusados do assassinato de Augusto não foram punidos | Foto: Bruna Oliveira

     Ao saberem do paradeiro do jovem, os policiais o levaram para o Areal e o torturavam com alicates, arrancaram dedos, unhas e o órgão genital do rapaz.

    Segundo as testemunhas do caso, os gritos de Augusto podia se ouvir de longe, mas por se tratar de policiais resolveram não intervir para socorrê-lo.

    Um dos crimes mais brutais que poucos tem coragem de falar sobre o que aconteceu
    Um dos crimes mais brutais que poucos tem coragem de falar sobre o que aconteceu | Foto: Bruna Oliveira

     Os policiais acusados foram presos, mas logo foram soltos por falta de provas que constatassem a atuação no crime. 

    A namorada que depôs contra os policiais se tornou a principal testemunha e foi presa após não conseguir provar o que estava fazendo no Areal na hora do crime, sendo que Augusto foi levado escondido pelos policiais para ser torturado. 

    As irmãs do "bigode"

    Mortas de forma brutal pelo irmão, o túmulo é um dos mais visitados de Parintins
    Mortas de forma brutal pelo irmão, o túmulo é um dos mais visitados de Parintins | Foto: Bruna Oliveira

    Outro crime bárbaro em Parintins foi o assassinato das irmãs do "bigode". As duas adolescentes foram mortas de forma brutal e sem piedade pelo irmão que tinha problemas com drogas.

    Segundo os moradores do lugar as histórias que contam é que o "bigode" tentou estuprar as duas irmãs. Ao correrem pelo terreno da casa da família não viram a cerca de arame farpado e ao baterem de frente ficaram presas.

    O irmão transtornado e furioso por não conseguir o que queria esfaqueou ali as duas irmãs que não conseguiam se desprender dos arames. Bigode foi preso e passou mais de 20 anos na cadeia, o turismólogo conta que ele está vivo e hoje é comerciante de um bairro distante no centro de Parintins.

    Por ser muito antigo e a falta do cuidado da família, no túmulo não há os nomes das irmãs brutalmente assassinadas.

    Os túmulos que lembram a catedral de Parintins

    A Catedral de Nossa Senhora do Carmo é um dos pontos mais visitados na ilha da magia
    A Catedral de Nossa Senhora do Carmo é um dos pontos mais visitados na ilha da magia | Foto: Bruna Oliveira

    Um fato curioso é dos túmulos fazerem referência à catedral de Nossa Senhora do Carmo. Quando a pessoa era muito religiosa e participava das procissões e movimentos religiosos do lugar, fazia questão que no seu lugar de descanso tivesse a catedral como parte artística.

    As miniaturas da Catedral estão em vários túmulos dentro do cemitério
    As miniaturas da Catedral estão em vários túmulos dentro do cemitério | Foto: Bruna Oliveira

    O guardião das chaves dos túmulos

    Antônio trabalha junto com a esposa no cuidado dos túmulos
    Antônio trabalha junto com a esposa no cuidado dos túmulos | Foto: Bruna Oliveira

    O coveiro José Antônio Cavalcante, 61, trabalha no cemitério há 32 anos, homem simples que vive dos enterros e dos cuidados com os túmulos.

    Ao chegarmos no cemitério, nos deparamos com os portões fechados. Antônio ao ver a movimentação e saber do que se tratava fez questão de acompanhar e contar as histórias do lugar.

    O dono das chaves do cemitério tem muita história para contar
    O dono das chaves do cemitério tem muita história para contar | Foto: Bruna Oliveira

    Começou a trabalhar como coveiro do cemitério quando recebeu o convite do amigo e até hoje não quer trocar de profissão. Cavar, lavar e cuidar da segurança é alguma das tarefas do homem que trabalha com a morte, Antônio é daqueles que carregam a chave de mais de 30 túmulos.

    Coveiro responsável é Antônio Cavalcante
    Coveiro responsável é Antônio Cavalcante | Foto: Bruna Oliveira

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