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    ARTIGO


    Amazônia, energia no quintal da nossa casa

    ARTIGO - Nelson Azevedo: "Silves se chama assim porque tem abundância de silvinita, a matéria-prima do potássio. Com o gás natural associado, é possível implantar o polo gás-químico, que já tem um pré-projeto desenhado pela Suframa"

    Escrito por Nelson Azevedo no dia 01 de outubro de 2021 - 20:37
    | Foto: Divulgação

    Nelson Azevedo

    Economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica Mecânica e Material Elétrico de Manaus e ice-presidente da FIEAM

    A matriz energética baseada na exploração sustentável do gás natural da Amazônia, descoberta no início deste milênio, aqui, no município de Silves, em linha reta, 181 km de Manaus, sinaliza mais um episódio da conquista de infraestrutura da qual precisamos para um novo tempo de prosperidade. Silves se chama assim porque tem abundância de silvinita, a matéria-prima do potássio. Com o gás natural associado, é possível implantar o polo gás-químico, que já tem um pré-projeto desenhado pela Suframa. Daí à criação de um polo de fertilizantes fica bem mais fácil, nossa contribuição, entre tantas outras, para expansão do agronegócio sustentável do Centro-Oeste. Mais do que isso, a implantação definitiva do polo de Biotecnologia. Só notícia boa que dependem, apenas, de nós.

    Matriz da sustentabilidade

    Essa expectativa de mudança nos serviu para amadurecer uma condição fundamental sobre o modo de produção de riquezas de nossa região: a matriz da sustentabilidade. Temos a chance e, sem dúvida, iremos aproveitá-la. E é exatamente este o diferencial empreendedor do projeto Azulão Jaguatirica II, da empresa ENEVA, que aqui se instalou desde 2017. Nosso aplausos e torcida para um novo momento de interiorização de nossa economia. Que as mangas da prosperidade se habilitem como nunca!!!

    Memórias incômodas

    Alguns dissabores e distorções serão certamente evitados pela empresa responsável, cuja trajetória temos o dever e o prazer de acompanhar. É nossa obrigação, também, trazer à memória dos diversos atores as frustrações dos municípios do traçado do gasoduto Coari-Manaus diante das promessas anunciadas em 2006, data de sua inauguração e, efetivamente descumpridas com a exploração do gás natural de Urucum, na Bacia do Solimões. Segundo fontes do Comando Militar da  Amazônia, o cabo submarino que levaria internet de alta qualidade e baixo custo aos tais municípios, nunca foi instalado, muito menos a infraestrutura adequada à utilização dessa abençoada e frustrada alternativa energética para seus munícipes.

    Economia e cidadania

    Havia ainda um sinal de compensação fiscal com redução de taxas para quem trocasse a fonte energética dos geradores das termelétricas, emissores de fortes emissões dos gases do efeito estufa, pela energia mais limpa do gás natural. Promessas, nada mais que promessas. É sempre bom lembrar: não podemos esquecer de nossa responsabilidade social e muito menos de nossa clareza de que toda economia é melhor sucedida na medida em que leva em conta os imperativos da cidadania.

    Investimentos e caça-talentos

    O complexo Azulão e o Jaguatirica II inaugura possibilidade efetiva de avançarmos na direção da pesquisa de nossas alternativas energéticas, com a adoção de tecnologias criativas e interligadas de diversas fontes e atualização do projeto do polo gás-químico. Isso supõe investimentos e caça talentos existentes entre os nossos jovens. E esta é a novidade do projeto ENEVA, na medida em que prevê parcerias sólidas com as iniciativas tecnológicas e educacionais da região. Com destaque para a Suframa, Superintendência da Zona Franca de Manaus e FAPEAM, Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas, nessas instituições existem recursos de pesquisa, desenvolvimento e inovação gerados pelo Polo Industrial de Manaus para criar respostas para os velhos problemas de energia, comunicação e logística regionais.

    O pássaro e o felino

    Mais do que nunca a necessidade será a garantia de conquista das soluções criativas para o desenvolvimento sustentável de nossa paisagem humana e socioeconômica. O azulão é um de nossos pássaros mais encantadores da floresta e a jaguatirica um felino representativo de nossa sagacidade e obstinação.  Ambos são da Amazônia o lugar em que moram as respostas mais surpreendentes e efetivas para as demandas da Humanidade e, muito especialmente, de nossa gente.

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