Fonte: OpenWeather

    Opinião-Articulistas


    Já foi recusado no mercado por falta de capacitação? Saiba o que fazer

    Apesar da alta taxa de desemprego, 43% de vagas no país não são preenchidas por falta de qualificação

    Escrito por Cristina Monte no dia 17 de abril de 2018 - 11:32
    A jornalista chama a atenção para a importância e o destaque que a especialização profissional possui atualmente | Foto: Divulgação

    Manaus - Por incrível que pareça, mesmo em um universo de aproximadamente 13 milhões de desempregados, há vagas de emprego que não são preenchidas devido à falta ou baixa qualificação de mão de obra.

    Essa constatação parte da pesquisa “Escassez de Talentos”, realizada em 2016 pela ManpowerGroup, na qual se mapeou a dificuldade que 43% dos empregadores do país têm em preencher vagas, e o setor industrial é um dos mais afetados pela falta de capacitação.

    Entretanto, pelo menos para a Amazônia Ocidental, há a alternativa de qualificação de alto nível, por meio do Programa Prioritário de Recursos Humanos (PPRH), sob a coordenação da Fundação de Apoio Institucional Muraki.

    Leia também: Fundação Muraki contribui para qualificação profissional do PIM

    O mencionado programa (PPRH) encontra-se na esfera de atuação do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e se apresenta como um vetor para mudar esta triste realidade.

    Os tempos da tecnologia e da educação

    O avanço tecnológico é uma realidade cada vez mais presente nas fábricas. Aos poucos, equipamentos vão sendo substituídos, sistemas atualizados e novos modos de fazer são criados.

    Entretanto, o descompasso entre a rapidez da evolução tecnológica industrial e o tempo de formação dos profissionais é uma condicionante que impacta na produtividade das indústrias.  

    Aluno despreparado

    Outro agravante é que, geralmente, o jovem termina o Ensino Médio, ou a graduação, despreparado para atuar no mercado e, em momento de contenção de investimentos, a indústria segue necessitando de técnicos (produção, operadores e técnicos de manutenção), conforme dados do estudo.

    Para Wilson Périco, eletrotécnico e economista, o problema concentra-se na falência da educação no país.

    Há a alternativa de qualificação de alto nível, por meio do Programa Prioritário de Recursos Humanos (PPRH)
    Há a alternativa de qualificação de alto nível, por meio do Programa Prioritário de Recursos Humanos (PPRH) | Foto: Divulgação


    “A falta de um programa de educação que vise ao aprendizado e à qualificação, frutos da falta de planejamento econômico e educacional nos trouxe a esta situação”, analisa o profissional. Ele completa afirmando que o cenário político brasileiro prejudicou o ensino de uma maneira geral.

    “A política de educação no país desprestigiou a formação técnica, na verdade, desprestigiou o ensino como um todo. Para atender a um programa assistencialista, ao invés de se ‘exigir’ a comprovação do aprendizado se proibiu a reprovação, com isso todo o ciclo educacional foi comprometido”, comenta Périco.

    Indústria precisa de profissionais qualificados

    Ele ressalta a dificuldade em contratar bons profissionais, principalmente, jovens recém-formados. “Engenharia, IT e Meio Ambiente são algumas áreas que temos dificuldades em encontrar pessoas ‘realmente’ qualificadas. Não estou dizendo diplomadas, ‘qualificadas’”, desabafa.

    Para sanar esta carência, muitas empresas adotam programas próprios de qualificação de acordo as suas necessidades, mas nem todas têm recursos financeiros para investir.

    Uma alternativa para elevar a capacitação profissional por parte das indústrias incentivadas pela Lei da Informática e que, portanto, precisam investir em (Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), é aplicar os recursos da lei no PPRH, iniciativa do MDIC, por meio da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia (CAPDA).

    Isto visa o fortalecimento da mão de obra para atender as indústrias, mas também na criação de massa crítica que contribua para o desenvolvimento regional e para criação de um parque tecnológico efetivo, deixando, de fato, um grande legado para a região.

    A Muraki foi habilitada a atuar como Instituição Coordenadora do PPRH na Amazônia Ocidental nas áreas de Engenharias, Computação e Tecnologias da Informação, Bioeconomia, Pesca e Aquicultura, Produção Agropecuária e Agroflorestal Sustentável, Fármacos e Cosméticos, Energias Renováveis, Ciência e Tecnologia dos Alimentos e Empreendedorismo.

    Para Paulo Alcantara, Diretor Executivo da Muraki, o PPRH é um importante instrumento para a região desenvolver recursos humanos e poder acompanhar os avanços tecnológicos. “O PPRH se configura como uma relevante forma de se criar o ambiente necessário para a qualificação. Não há como inovar sem capacitação”, destaca.

    Já Marcelo Pereira, superintendente de Planejamento e Desenvolvimento Regional da Suframa, vê no PPRH a oportunidade que as indústrias da Zona Franca de Manaus precisam para elevar a competitividade nos âmbitos nacional e internacional. “O projeto é uma resposta à maioria dos empresários que ouvimos nas reuniões e que colocavam a falta de qualificação como barreira para o crescimento de seus negócios”. A hora é agora!

    Perfil

    Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial e assessora de imprensa.

    Wilson Périco atua como vice-presidente de operações para a América Latina na Technicolor, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Eletro Eletrônico e Similares (SINAEES), vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) e membro titular do Conselho Fiscal da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-AM).

    Leia mais

    Produção industrial do AM cresce 7% em janeiro

    Indústria do Amazonas cai 5,9% em fevereiro

    Desemprego deixa 56% dos brasileiros com problemas físicos e mentais