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    Crítica literária


    Crítica literária: as obras precisam de juízes preparados

    Leopoldo Alas cognominado de “Clarin”, foi um famoso crítico literário espanhol em sua época, por ter uma visão vanguardista do que significa a crítica em Literatura.

    Carmem Nóvoa Silva
    Carmem Nóvoa Silva | Foto: Fernando Coelho

    Reeditam-se em Madrid os livros de Leopoldo Alas em comemoração ao centenário de sua morte neste ano. Leopoldo Alas cognominado de “Clarin”, foi um famoso crítico literário espanhol em sua época, por ter uma visão vanguardista do que significa a crítica em Literatura.

    Ele teve a antevisão da necessidade de uma crítica (opinião) como ciência e como tal, a modernidade dos séculos vindouros exigiria a formação de críticos abalizados além do circuito universitário. É dele essa lei ética: 

    “Não existe crítico verdadeiro se não é capaz desse ato de abnegação que consiste em prescindir de si mesmo. A Crítica deve sempre ser feita com juízos sérios e não com prejuízos”. 

    E os novos ares do terceiro milênio vem desmistificar a figura do crítico do hoje que se arvora em tal, bastando ser graduado em Letras, Direito  e etc.

    Atualmente os jovens críticos possuem doutorado e pós-doutorado em Crítica da Cultura e Letras Clássicas; Crítica da Literatura Brasileira e Estrangeira como e' o caso de Heloísa Buarque de Holanda uma das mais respeitadas críticas da literatura do Brasil, tendo feito seu doutorado no Columbia University (Nova Iorque).

    Não desmereço a imagem do crítico literário de antes. Muitos deles como Antônio  Cândido fulguram na seara da crítica nacional com grande mérito. São os atuais tempos que obrigam uma titulação de doutorado em Ciência Crítica dado à comprovada deficiência do ensino universitário.

    Leopoldo Alas, como um profeta diz que a crítica não deve ser guiada por camarilhas poderosas emitindo juízos falsos. Sua função deve ser a de assentar a primeira pedra das futuras historiografias literárias.

    Defender os bons escritores aos quais se pretendem (por motivos escusos) negar condição de tais e deve estimular os promissores para ajudar a perpetuá-los.

    Perseguido pela crítica o foi Miguel de Cervantes, por isso absteve-se de escrever durante dez anos. Mas se a chama persistente do dom da escrita não o incitasse, jamais teríamos a perenidade de um “D. Quijote de La Mancha”.

    Rachel de Queiroz conta em “Tantos Anos” que seu primeiro livro escrito aos dezenove anos (“O Quinze”) foi duramente julgado por um jactancioso crítico de sua terra. Não contava o critiqueiro com o sucesso do livro no sul do país quedando-se desmoralizado. Não sem antes (Rachel conta) ter levado uma boa surra de sombrinha aplicada por ela própria, na impetuosidade da juventude, quando o encontrou na rua.

    Vejamos agora o significado etimológico da palavra. Vem do grego, do verbo “Krino” ou “Krinein”, que quer dizer, julgar, medir, avaliar. Isso se a avaliação for imparcial julgando tanto o bom quanto o mau.

    A crítica que sublinha somente o negativo, os gregos denominavam de “diabolé” expressando acusação caluniosa de onde se deriva a palavra “diabo” (o acusador, o destruidor.), ou seja, são os diabolizantes, nunca críticos, pois estão sempre a vigiar os possíveis e temíveis êxitos dos demais.

    Benito Pérez Galdós em suas Obras Completas, pág 1312 (“El Amigo Manso”) traça-lhes bem o perfil: “Julga-se sempre polivalente. Ao mesmo tempo em que exerce a crítica, é poeta, artista ou mestre.

    Tem ideia pomposa de si mesmo. Julga-se oráculo de toda a cidade manifestando sua opinião sobre certames poéticos etc. A inveja do potencial de outrem o faz tentar eliminá-lo de si e dos seus seguidores. Ególatra, suas palestras são revestidas de autoridade sibilina e caráter viperino...”

    Quando você leitor, identificar um desses, peça para si o latim dos exorcismos: Você encontrou um “diabolé”. Desses “critiqueiros” que sem titulação adequada separam o grão da palha, para guardar o grão... sempre o grão.

    PABLO NERUDA em seu livro “Para nascer, nasci” - enfoca uma crônica intitulada “ERRATAS E ERRATÕES” é como o grande poeta lidava com isso. Com a soberba da voz do silêncio.