Leitura essencial


'Os Beijos no Pão': lançada obra da espanhola Almudena Grandes

Trata-se de um romance focado nos problemas e dificuldades do presente da Espanha enfrentando o desemprego em massa, (principalmente o de jovens), os pais obrigados a ajudar os filhos com sua aposentadoria e fazendo um bico aqui outro ali, quando devia ser o inverso. A carência de um salário, trás um monstro de horrores inimagináveis. Leia no opinião da teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras, Carmen Nóvoa

Pacto de Estado | Foto: divulgação

Pacto de Estado
Pacto de Estado | Foto: divulgação

Foi esta semana lançado o livro de Almudena Grandes. Ela é escritora de uma série de livros, todos de fama e seu livro caçula já está na 3ª edição. Almudena é articulista semanal do jornal El País (Espanha), do qual sou assinante e me encantou o título da obra “Os Beijos no Pão”(Los besos En El Pan).

Trata-se de um romance focado nos problemas e dificuldades do presente da Espanha enfrentando o desemprego em massa, (principalmente o de jovens), os pais obrigados a ajudar os filhos com sua aposentadoria e fazendo um bico aqui outro ali, quando devia ser o inverso. A carência de um salário, trás um monstro de horrores inimagináveis. 

1- Jornalistas de alto padrão, médicos e outras categorias são afetados por cortes radicais em seus proventos. E continuam trabalhando porque o trabalho como diz o refrão popular “Dignifica o Homem”. Mas o homem acostumado a ter suas regalias como, por exemplo: Férias no verão com toda a família em local “top”ou praianos mais populares, vêem-se obrigados a se abster desses dias de lazer e ócio a que estavam acostumados.

Certos ambientes que frequentavam, teatros, passeios nas montanhas, ir de trem A.V.E (Estilo trem-bala) para Suíça, França, Itália, Holanda, Áustria...Foram cortados drasticamente de seus cardápios de ociosidade necessárias como anti-stress. Hoje paira ali a sobriedade. Fogos de artifício no final de ano na “Puerta Del Sol” são uns minguados minutos. Em lugar de piractenia fizeram uso da criatividade Irmã siamesa da escassez. Solta no ar colares de balões de gás brancos prateado e dourados fosforescentes, fica um céu (de noite), como que estelar em pleno inverno. Isso eu pude ver pela TVE (TV Espanhola a cabo).

1- Não mais se compram (pelo menos a classe média) roupas de vitrines famosas e sim de brechós decentes.

2- Não se compram mais apartamentos na planta cuja vantagem maior consiste em adquirir um imóvel de primeira mão sem problemas que os de segunda apresentam. Pasmem!  Está grassando a fome. Vi dia destes também na TVE restaurantes de luxo oferecendo a porta numa mesa bem chic, pratos feitos (tipo quentinhas) só que muito mais bem acondicionados e um pequeno letreiro numa aste de metal dourado que avisava aos transeuntes: SE LO NECESSITAS CÓGELO (Se necessitas um prato de comida leva-o).

O que aqui em Manaus, todos os dias ficam nos panelões da cozinha de restaurantes e jogado fora. (Desperdício). Lá dão, aqueles que estão famintos, (ressalto que, não são restos de comida dos pratos dos fregueses). Agora sabem o motivo do que seus pais e avós falavam em dar um beijo no pão quando fossem comer, “Jesus partia o pão e os dava a seus discípulos e as multidões”.

O pão nutre o corpo, é dom sagrado quando temo-lo a mesa. Por isso o beijo antes de comê-lo. Na Manaus dura e terna pós-decadência da borracha muitos ouviam isso dos seus, principalmente se jogavam algum pedaço no lixo. Na Manaus, antes pandemia tinha complexo de Steve Jobs. A mesa tem que estar abarrotada de uma variedade imensa de “Acepipes” por isso essa fila de obesos até mórbidos, agora que o mundo inteiro se lamenta!

E sem guerra para racionamentos, “Tem que ser muito valente para pedir ajuda, mas temos que ser ainda mais valentes para aceitá-la” (Almudena Grandes). Falta o Beijo no Pão... Umas 3 gerações tiveram a sorte de a medicina ter avançado em vacinas, em preocupações com a saúde e passaram uma Manaus sem sequer saber o que é uma subnutrição, como a africana. As guerras mundiais ensinaram a todos o VALOR DO PÃO.

A Manaus com complexos de Steve Jobs, viagens, postagem de festas suntuosas nas redes sociais, muita “barriga cheia” e gastos supérfluos. Uma vida com muitos “mi-mi-mis”. A Manaus pós pandemia mudará as consciências de povos que são solidários.

Por isso Louvo os que o PACTO DE ESTADO. Idealizado por LETÍZIA rainha da Espanha que juntou os 3 poderes, executivo, legislativo e judiciário e agilizou para exterminar o problema da fome e subnutrição na África.

Contemporaneamente, em índice maior que doença pandêmicas. LETÍZIA – a Rainha do PACTO DE ESTADO, traz de volta a generosidade, o voluntariado e o reino que desejamos ter. Falta o beijo no pão...

*Carmen Novoa Silva é Teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras