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    Lições Olímpicas – Diz amém que o ouro vem

    Os jogos olímpicos de verão Tóquio 2020 encerraram-se no domingo, 8 de agosto, e deixaram saudades aos esportistas de todo o mundo. Leia mais no artigo de Ricardo Onety

    Escrito por Ricardo Onety no dia 18 de agosto de 2021 - 20:32
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    Os jogos olímpicos de verão Tóquio 2020 encerraram-se no domingo, 8 de agosto, e deixaram saudades aos esportistas de todo o mundo. O desafio de organizar o maior evento esportivo do planeta não é tarefa fácil, principalmente, em tempos de pandemia e pelo inédito adiamento, é a primeira vez na história que acontece e a sede mantida.

    Mas a comunidade internacional sentiu-se segura por estar nas mãos do povo japonês, se havia uma sociedade capaz de superar estes desafios e realizar os jogos olímpicos era esta! Imbatíveis em todos os quesitos de planejamento, o povo japonês nos dá a impressão que são seres mitológicos que circulam com naturalidade entre os deuses do monte olimpo.

    Se encarnaram e descerram em Tóquio, ora se apresentavam com o seu traje que reflete a cultura japonesa, o tradicional “Kimono ou Kasode”, vivo há quase 2 milênios, ora utilizavam as mais modernas tecnologias que surgiam em forma de robôs, disfarçados em “Transformes” para cuidar e proteger todos os atletas dos cinco continentes e sua população durantes esses jogos Olímpicos.

    Para quem acompanhou ou assistiu algumas competições, tiveram a oportunidade de aprender lições incríveis e de esquecer os raros e péssimos exemplos de alguns atletas. Em sua maioria são modelos de determinação, solidariedade, força de vontade e superação de atletas e seus familiares.

    Oportunidades únicas que podemos incorporá-las no cotidiano e com o mesmo espirito olímpico mudar hábitos e a maneira de enfrentar o cotidiano. As vezes cobramos exageradamente de nossos atletas, performance ou comportamento, como se nós não errássemos. Mas pelas lentes das câmeras não escapam nada ou quase nada, assim como na olimpíada e na vida somos vigiados 24 horas instantaneamente, todo cuidado é pouco.

    Flagrado pelas câmeras o maratonista francês Morhad Amdouni derrubou várias garrafas de água que servem de hidratação dos competidores na prova que encerra os jogos, foi proposital? Terá que conviver com a desconfiança de muitos e julgamento da própria consciência. E a polêmica da seleção brasileira de futebol que não usou o agasalho do patrocinador oficial no pódio, diferente das demais equipes. “Para mim o futebol nem deveria ser modalidade olímpica, já tem sua copa do mundo”!

    O que dizer da atitude do Britânico Benjamim Whittaker, não quis colocar a medalha de prata no peito após derrota no boxe, guardando-a no bolso? Ou do tenista número 1 do mundo, o sérvio Djokovic? Chegou a Tóquio como favorito em busca da última medalha que lhe falta para completar sua “mandala”. Após perder em simples e nas duplas, desistiu da disputa pela medalha de bronze. Para completar o seu vexame, descarregou sua irá em seu material de trabalho, destruindo sua “raquete” em treino. Ambos atletas foram na contramão do espírito olímpico.

    Outra surpresa que abalou a todos foi a desistência da recordista norte-americana a ginástica Simone Biles. Ficou nítida em sua apresentação que estava com sérios problemas, mesmo classificada para as finais por equipes preferiu não competir no solo, salto e barras. Foi dado um sinal de alerta sobre a “saúde mental”.

    Segundo os jornalistas, Biles disse: que tinha um pouco de “twisties” (uma fala das ginastas - de repente não é mais capaz de fazer o movimento que já havia realizado várias vezes nos treinos – uma espécie de bloqueio, gerando insegurança e perigo).

    Desmistificando e quebrando preconceitos sobre a importância da saúde mental em tempos modernos. A brasileira Rebeca que foi prata e ouro, disse que a decisão da colega foi acertada e que “atleta não é robô”.

    A tão sonhada medalha de ouro na ginástica foi conquistada por Rebeca Andrade, mas também é de Dona Rosa sua Mãe. Ela representa “as mães de ouro do Brasil”! - Mãe solteira de 08 filhos conseguiu estruturar sua família e com muita calma e serenidade, transferiu a Rebeca, a força necessária para enfrentar os desafios que apareciam.

    Mesmo após graves lesões e cirurgias conseguiu tranquilizar a filha, motivando-a a enfrentar as dificuldades e não desistir. Rebeca mostrou na competição algo que nós brasileiros não estamos acostumados – “Segurança, tranquilidade e controle emocional surpreendente”.

    Um belo abraço foi protagonizado pelo pai-treinador da ginástica Jade Carey, que só competiu na modalidade de salto com a desistência de Biles. - Jade ficou em segundo e levou a prata. Outra bela lição foi protagonizada pelos jurados e atletas finalistas da modalidade salto em altura, o atleta italiano Gianmarco Tamberi e do quatariano Mutaz Barshim, empataram suas marcas. - Barshim perguntou ao juiz se poderia os dois receberem ouro? O juiz concordou e ambos saíram vitoriosos.

    Explosão de alegria dos atletas! Que belo exemplo nos deixou a atleta holandesa Sifan Hassan, sofreu uma queda na prova de 1500 metros, levantou e chegou em primeiro em sua bateria – Ao final faturou Bronze nos 1.500, ouro nos 5.000 e 10.000, entrou de vez no Hall do Pantheon.

    Outra atleta que emocionou a todos a favorita ao heptatlo Johnson- Thompson, sofreu lesão e foi ao chão assistindo outras cruzarem a linha de chegada, a equipe médica levou uma cadeira de rodas, recusou, levantou e cruzou a linha de chegada com muitas dores.

    O beijo entre o medalhista de bronze nos 50 m rasos, o brasileiro Bruno Fratus e sua treinadora e esposa Michelle, que invadiu a área da piscina e protagonizou este momento de glória. A persistência após 3 olímpiadas de conquistar medalhas foi compensada pelo beijo de bronze. O nadador disse após medalha - “O amor sempre vence: É amor, é diálogo, é um ao lado do outro sempre, dividindo o dia 24 horas, treinando junto...”

    E nossa “Fadinha Rayssa” no skate, conquistou o Brasil e o mundo aos 13 anos sendo medalhista de prata. Em sua primeira competição aos 7 anos, saiu de Imperatriz do Maranhão para competir em Santa Catarina somente com a passagem de ida comprada por seus pais. A família fez o impossível para chegar onde chegou.

    O que dizer do primeiro medalhista olímpico Ítalo Ferreira. O choro, desabafo e trajetória nada fácil de mais um brasileiro sonhador, brincava de surf próximo à pousada onde sua mãe trabalhava, aprendeu a surfar com os primos e teve sua primeira prancha comprada por seu pai (pagou 50% e o restante em peixe). Na primeira onda na final olímpica, teve sua prancha quebrada! Nadou, correu pegou a prancha reserva e venceu. Ainda exausto e emocionado dedica a medalha a sua avó e sua família.

    Essas histórias proporcionadas pelos jogos nos dão uma dimensão exata, maior e melhor do que nós podemos ser e fazer uns pelos outros. As oportunidades apresentadas que norteiam o espirito olímpico deve ser experimentada por todos.

    Escolher que caminho tomar é decisão e escolha individual! Não precisamos necessariamente esperar as olimpíadas para descobrir os heróis na terra, se olharmos ao redor iremos perceber que estamos cercados por eles. Ao acordar e olhar no espelho visualize este herói dentro de você. Sonhe, treine, lute, sorria, mais tomem a atitude correta.

    E quando tudo tiver difícil ou nublado, “Diga amém que o ouro vem”!

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