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    ARTIGO


    Artigo - Jogos Olímpicos Tóquio 2020: tradição e gestão moderna

    Leia a avaliação de Ricardo Onety sobre um dos maiores eventos esportivos do mundo

    Escrito por Ricardo Onety no dia 19 de julho de 2021 - 19:08
    | Foto: Wagner Carmo/CBAt

    Nesta semana o mundo esportivo estará em festa, as olimpíadas de Verão Tóquio 2020 começa nesta sexta-feira dia 23 de julho, celebrará muito mais do que uma confraternização esportiva entre os povos dos 5 continentes, será um show de gestão, organização e inovação, característica da cultura japonesa e um sonho de consumo dos países em desenvolvimento.

    A disputa por medalhas e o quadro final demonstrará a importância que esses povos dão a gestão e cultura do esporte em seu aspecto macro. Na última Olimpíadas Rio 2016 o quadro de medalhas se concentrou no G20 (Países mais ricos do mundo), por ordem de medalhas de ouro: Estados Unidos (46), Inglaterra (27), China (26), Rússia (19), Alemanha (17), Japão (12), Coreia do Sul (10), Itália (8) e Austrália (8).

     

    | Foto:


    O Brasil ficou em 13º lugar em sua melhor campanha com (7). Esses países juntos correspondem a 80% do comércio internacional e cerca de 65% da população mundial. Será que o quadro de medalhas irá se alterar pouco? A gestão organizacional destes países refletirá sua hegemonia mesmo com a pandemia? Sediar os jogos Olímpicos significa que o país sede atingiu a confiança do COI (Comitê Olímpico Internacional), de outras instituições mundiais e de grandes marcas que patrocinaram o evento.

    A covid-19 causou e ainda traz muitos problemas aos  governantes, e aflora como está a gestão política, econômica, social, esportiva e educacional em cada país. Além de revelar como as sociedades ao redor do planeta estão aprendendo com essas transformações rápidas em suas vidas.

    Nosso entrevistado de hoje será o professor de educação física Leonardo Santos, além de especialista em treinamento com diversos cursos nacionais e internacionais possui uma visão holística do homem e sociedade, como esta relação se entrelaça, para maior desenvolvimento humano.

    A educação física entrou de vez nas equipes multiprofissionais, ampliando sua área de atuação e está presente na gestão esportiva. Você compartilha desta ideia?

    - Não penso que entrou, acredito que foi definitivamente reconhecida sua importância como tal, pois, esse lugar sempre lhe pertenceu. Não só comungo dessa ideia como creio ser impossível pensar o desenvolvimento social sem pensar na “Educação Física” como elemento fundamental neste processo. A gestão esportiva é um ramo tão importante quanto a economia, segurança, saúde, etc.

    A gestão esportiva dos grandes clubes ou seleções ao nível mundial em relação as aos sul-americanos, apresentam um desnível perceptível em vários aspectos: físicos, emocionais, organizacionais etc. A que você atribui essas diferenças percebida nas recentes competições como Eurocopa e Copa América?

    - Penso que os aspectos culturais de cada país são determinantes nessa sua observação, creio que em se tratando de futebol especificamente a Europa parece demonstrar que estar alguns passos à frente no que diz respeito ao profissionalismo na gestão e organização em todos os aspectos frente aos sul-americanos. Se tivermos uma visão de 360 graus, podemos enxergar com facilidades as diferenças. Essa constatação endossa a afirmativa de que o esporte tanto fomenta quanto necessita do homem em desenvolvimento pleno para atingir seu ápice, sua melhor Performance.

    Este ano devido à pandemia, várias competições ao nível mundial acontecerão, pois, foram adiados para este ano (Eurocopa, Copa América, Jogos Olímpicos, Paralímpicos e outros), a boa gestão poderá significar um grande diferencial no quadro de medalhas?

    - Creio que este ano poderemos ver um fenômeno interessante. Os aspectos emocionais terão destaque maior se compararmos com anos anteriores, pois, via de regras os países e seus atletas trabalham com um planejamento olímpico ou ciclo olímpico (4 anos de preparação), em decorrência das incertezas ocasionadas pela pandemia as características individuais de cada atleta poderão fazer muita diferença. Vi atletas que não conseguiram viajar e competir, não sabendo em que níveis os rivais se encontram (os brasileiros em especial), acho que as surpresas podem acontecer. A  pandemia foi um estresse a mais no planejamento das equipes e dos atletas.

    Mudando para a fisiologia humana dos atletas participantes e das pessoas comuns, como contribuir neste replanejamento, pois, tudo foi mudado devido à pandemia?

    - Tenho uma tendência natural a pensar que momentos como esse “são divisores de água” para a ciência do esporte. Muitos avanços tecnológicos e científicos ocorreram durante períodos de guerra ou mudanças climáticas importantes, historicamente falando. Momentos críticos como esse resultaram em avanços para a sociedade e, penso que agora não será diferente. Afinal, como diz o ditado: “A necessidade é a mãe

    da criatividade”. O que tiver de avanço para os atletas são perfeitamente aplicáveis as pessoas comuns, respeitando o objetivo e o princípio da individualidade biológica. 

    Agradeço professor Leonardo pela entrevista, essas linhas são suas, um até breve!

    - Inicialmente quero te parabenizar pela dedicação em comunicar questões importantes. Espaços como esse para tratarmos de assuntos tão pertinentes, sobretudo com o avanço do sedentarismo e todas as suas consequências, é de suma importância. Sonho com um mundo cuja realidade seja a busca pelo desenvolvimento do homem integral em todos os âmbitos de sua constituição natural, o que passa inevitavelmente  pelo esporte. 

    Tóquio receberá pela segunda vez as olimpíadas, demonstra que o povo Japonês sempre ressurge apesar das intempéries do tempo e da intolerância humana provocada pelas guerras, ensina ao mundo o que é tradição, ética, resiliência, competência e gestão.

    Que possamos rapidamente aprender com eles!

    Arigatou Gozaimasu – Azassu!

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