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    Editorial


    EDITORIAL: Paralisação de caminhoneiros ameaçou estabilidade

    Ao atacar ministros do Supremo Tribunal Federal, a paralisação dos caminhoneiros, conscientemente ou não, contracenou com as ambições de grandes empresários do agronegócio que querem o aval do STF para o marco temporal das terras indígenas

    Escrito por Em Tempo* no dia 13 de setembro de 2021 - 18:59

     

    | Foto: Reprodução


    Brasil - A paralisação promovida por caminhoneiros em apoio ao presidente Jair Bolsonaro, na semana passada, permanece polemizada nas redes sociais. No entanto, mais pelos desserviços à estabilidade de 15 estados, incluindo o Amazonas, do que pela causa política que os manifestantes pretendiam enfatizar aos olhos da população brasileira.

      No Twitter, vários senadores usaram suas contas para criticar duramente o movimento. Mas a censura mais importante partiu do próprio Bolsonaro que, em vídeo, pediu o fim da paralisação. Segundo ele, caso a mesma não fosse contida, poderia provocar uma crise de escassez de produtos considerados essenciais em proporções gigantescas.  

    Para o senador Álvaro Dias (Podemos-PR), a interdição de rodovias só pune quem trabalha e quem promove o desenvolvimento. Outro senador, Paulo Paim (PT-RS), manifestou preocupação com o possível desabastecimento de alimentos, remédios e combustíveis. E declarou que, com a paralisação, o setor produtivo brasileiro perde e os pobres são prejudicados.

    Sem dúvida, o Governo Federal teve trabalho para desmontar os bloqueios, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), e o pior é que os caminhoneiros não agiam baseados em pautas específicas, mas apenas sob mera motivação política.

    Ao atacar ministros do Supremo Tribunal Federal, o movimento, conscientemente ou não, contracenou com as ambições de grandes empresários do agronegócio que querem o aval do STF para o marco temporal das terras indígenas. Dessa forma, eles abocanhariam ilegalmente terras que são reservadas à preservação do meio ambiente e aos próprios indígenas. O movimento, por isso, não soou como uma bandeira justa, pois primou pela incoerência.

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