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    Drogas


    Legalização da maconha é caminho para combate ao narcotráfico?

    O Congresso Nacional pretende dar continuidade ao julgamento sobre a liberação do porte da maconha para consumo. A grande maioria ainda se mostra contra a liberação do comércio de entorpecentes no país.

    Assim como o álcool, o consumo da maconha pode causar dependência e ser a porta de entrada para outras drogas pesadas como a cocaína, ópio, crack, LSD, êxtase, heroína e barbitúricos
    Assim como o álcool, o consumo da maconha pode causar dependência e ser a porta de entrada para outras drogas pesadas como a cocaína, ópio, crack, LSD, êxtase, heroína e barbitúricos | Foto: Divulgação

    A legalização da maconha para consumo vem sendo discutida há tempos pela população e entre os parlamentares. Mas a grande maioria ainda se mostra contra a liberação do comércio de entorpecentes no país. A aposta primeiramente é pela repressão e combate ao narcotráfico. No entanto, o Congresso Nacional jogou para o fim deste ano o julgamento sobre a liberação do porte da maconha, que já conta com a aprovação de alguns parlamentares.  

    Para o atual presidente Jair Bolsonaro, com bandeira conservadora nos costumes, não há interesse em legalizar o porte de drogas. Manifestações públicas pró-legalização da maconha, intituladas “Marcha da Maconha”, têm tomado as ruas das grandes capitais brasileiras com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) por entender que se trata de um direito Constitucional.

    Lei em outros países

    A legalização da maconha em países como a Holanda, por exemplo, é vigente desde 1976. Entretanto, de lá para cá a capital Amsterdã foi se tornando um mercado paralelo de abastecimento. A concentração de usuários de drogas hoje é muito grande, inclusive dependentes de cocaína. E já é considerada também um dos maiores centros comerciais no tráfico de entorpecentes do país.  O uso indiscriminado, principalmente por jovens e adolescentes, levou o governo a criar uma medida no aumento de impostos para dificultar a compra pelos usuários. Já o consumo do álcool, considerado de alto risco pelo governo holandês, sempre teve uma fiscalização mais rígida.   

    No Canadá, na República Checa e Israel a maconha (cannabis sativa) foi liberada recentemente pelo governo apenas para uso na medicina. Nos Estados Unidos, o consumo da droga é permitido em apenas dez estados da federação, incluindo a capital Washington. Outros vinte locais incluindo a cidade de Nova York, apenas para uso medicinal. No Brasil, o uso terapêutico do canabidiol, um dos princípios ativos da maconha, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2015.  

    Como pensar então no uso da maconha para consumo no Brasil se a proporção de indivíduos maiores de 13 anos que consomem álcool, por exemplo, está em torno de 52% (homens e mulheres) semelhante à Colômbia e México?  É um percentual preocupante. O álcool é hoje um dos grandes responsáveis por 85 a 90% dos crimes violentos como homicídios, acidentes de trânsito, violência doméstica e inúmeras outras ocorrências diárias.  

    Assim como o álcool, o consumo da maconha pode causar dependência e ser a porta de entrada para outras drogas pesadas como a cocaína, ópio, crack, LSD, êxtase, heroína e barbitúricos como aconteceu na Holanda.  Já pensou se futuramente todas essas drogas forem também liberadas para consumo?  Quantas pessoas já morreram por overdose de cocaína e outros entorpecentes? Quantas famílias já foram destruídas e quantas personalidades de destaque mundial tiveram suas carreiras interrompidas precocemente?

    Como pode-se constatar, legalizar qualquer tipo de droga para consumo implica em inúmeras questões, uma delas é levar problemas para dentro de casa. Após liberada não haverá como impedir o uso por um filho ou algum membro da família e isto é fato. Mas não se sabe ainda quais as regras para essa legalização aqui no Brasil. Pensemos então na coletividade caso haja um plebiscito para consulta popular, pois o resultado desse voto pode significar problemas futuros para toda uma sociedade.  

    Oziete Trindade é jornalista, graduada em Comunicação Social com habilitação em jornalismo pela FMU/SP e pós-graduada nível Lato Sensu em Comunicação/Marketing Político pela Fundação Cásper Líbero