Fonte: OpenWeather

    Cinema


    “A Grande Mentira” surpresa em formato de celuloide

    Escolhi “A Grande Mentira” num dia chuvoso e repleto de tédio

    Cenas do filme "A Grande Mentira" | Foto: Divulgação

    Achei que o filme combinaria com o clima meio sombrio de fim de tarde e por sorte até me desse alguns minutos de um bom passatempo. Tampouco eu sabia que iria ter o prazer de ver dois dos atores mais importantes do cinema britânico atuando de forma tão sublime.

    Apesar de ser o chamariz do filme, o roteiro surpreende com reviravoltas emocionantes em que somos surpreendidos por grandes jogadas e mentiras nunca reveladas.

    O golpista Roy Courtnay ( Ian McKellen) é um senhor encantador que aplicas golpes com uma facilidade espantosa.

    Totalmente elegante, educado, culto e bem humorado, suas habilidades chegam também ao campo amoroso quando resolve jogar seu charme na viúva Betty McLeish (Hellen Mirren) dona de uma pequena fortuna que se mostra encantada com o jeito simples do senhor cavalheiro.

    Depois de um primeiro encontro bem sucedido, Roy começa a investir na elegante senhora, fingindo desinteresse  financeiro nos ganhos de Betty.

    Porém, Roy ainda terá que enfrentar a desconfiança do neto de Betty.

    Steven (Russel Tovey) cria uma antipatia gratuita com o surgimento do provável relacionamento, fazendo de tudo para afastar sua adorável avó de Roy.

    O problema é que Roy é tão amável que é quase impossível imaginar que exista um lado sombrio capaz de coisas escabrosas. Mas algo pode atrapalhar o sucesso dos seus planos maquiavélicos, Roy começa a realmente a ter sentimentos por Betty dificultando ainda mais o golpe milionário. 

    O diretor Bill Cordon conseguiu tornar sua película uma obra divertida em que fala da solidão, da velhice e da dificuldade em superar traumas.

    Vamos  sendo manipulados até o final surpreendente quando  as  faces dos dois protagonistas surgem numa iluminação que lembra os filmes noirs.  A trilha sonora de Carter Burwell é uma faísca de criatividade que confere momentos deliciosos à trama.

    O roteiro brinca com o nosso encantamento diante do jogo de gato e rato que vai aos poucos se formando. Acreditem a meiga Betty também não é tão ingênua assim, sua vida é tão obscura quanto a  de Roy, o roteiro mostra que  não há ninguém verdadeiramente inocente nessa tão atípica love story da meia idade. 

    Essa brincadeira de verdade ou mentira nos mantem interessados em saber o que vai acontecer no desenrolar. O resultado é um filme interessante, bem dirigido, bem interpretado, que mostra a criatividade de seu diretor.

    As interpretações do casal é um sabor a parte. Ian McKellen está lá com aquele olhar que contem uma dose de maldade e arrependimento, numa interpretação sarcástica e cruel.  

    Hellen Mirren mostra toda a sua elegância, altivez e talento encarnando uma mulher com inúmeros segredos. 

    “A Grande Mentira” peca somente por ter excessos de flashbacks que parecem querer  informar de forma quase didática o que realmente aconteceu na vida dos seus protagonistas.

    Mas isso não atrapalha o prazer que é assisti-lo.  Uma produção requintada que nos oferece um desfecho deliciosamente intrigante. Quanto ao meu tédio, desapareceu durante os 110 minutos em que desfrutei dessa pequena obra prima.