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    Igreja Católica


    José, o homem do acolhimento

    Acolhimento é diverso de resignação, de passividade. Acolhimento é ver-acolher, perceber-acolher, sofrer-acolher; na receptividade faz seu, na liberdade de ser

    Escrito por Dom Leonardo Ulrich no dia 22 de março de 2021 - 19:15

     

    | Foto: Divulgação

    São José! Papa Francisco nos ofereceu a oportunidade de meditar a extraordinária figura humana de São José com um ano a ele dedicado.

    José, o homem do acolhimento. É admirável e encantador como José sabe acolher. O seu caminho não é o da explicação, mas da acolhida. A acolhida na fé. Na dúvida, na incerteza, na insegurança, dá o passo da acolhida. José acolhe Maria, grávida sem colocar condições, pois confia nas palavras do anjo. “A nobreza do seu coração fá-lo subordinar à caridade aquilo que aprendera com a lei; e hoje, neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher, José apresenta-se como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. E, na sua dúvida sobre o melhor a fazer, Deus ajudou-o a escolher iluminando o seu discernimento.” (Papa Francisco, Homilia, Villavicencio, Colômbia, 08/09/2017)

    Acolhimento consequente! Não entende, não compreende, sonha, ouve anjos, acorda, levanta e caminha acolhendo. Acolhe Maria e o Menino fruto do ventre. Busca casa e encontra repouso entre animais. Acolhe pastores, animais, contos e palavras; acolhe os homens vindos do oriente com seus presentes; em sonho acolhe o anjo que o envia em fuga. Toma o menino e sua Mãe e foge para o Egito. Em José não vemos explicações, mas vemos acolhimento. Um acolhimento dinâmico, consequente, disposto, livre, construtivo. O homem que acolhe na fé.

    Acolhimento é diverso de resignação, de passividade. Acolhimento é ver-acolher, perceber-acolher, sofrer-acolher; na receptividade faz seu, na liberdade de ser. Tudo na graça de quem está a caminho e sabe que o Senhor está presente e a fortalecer também na fraqueza.

    Olhando para José nos vemos: temos uma história, uma pertença, somos um povo. Como ele também nós sonhamos, buscamos, nos frustramos, retomamos o caminho, acolhemos a contradição da vida, mudamos de terra, buscamos casa e nos vemos sem casa. Nele nos vemos sempre a caminho; como ele desejosos de ser acolhimento. Receber os outros, sem exclusões, como são, especialmente os frágeis, os pobres, os sem casa.

    Acolher a nossa história pessoal, os nossos sonhos, as contradições, novos rumos, novos lugares. Acolher as contradições, decepções, realizações, horizontes novos. Acolher as histórias, as pessoas que encontramos. Acolher e harmonizar aquelas experiências que continuam a nos machucar e que nos travam existencialmente. São aqueles amores, aquelas relações que abriram feridas. José a nos ensinar que a reconciliação com o passado nos coloca de pé, cura as feridas e ressentimentos; cura e abre caminhos. Acolhimento como a experiência da fé.

    “Glorioso Patriarca São José, cujo poder consegue tornar possíveis as coisas impossíveis, vinde em minha ajuda nestes momentos de angústia e dificuldade. Tomai sob a vossa proteção as situações tão graves e difíceis que Vos confio, para que obtenham uma solução feliz. Meu amado Pai, toda a minha confiança está colocada em Vós. Que não se diga que eu Vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder. Amém!


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